Crise agrava arrecadação do cinema no Brasil

Nem Zezé di Camargo e Luciano salvam a bilheteria do cinema no Brasil em 2005. 2 Filhos de Francisco, cinebiografia da dupla, da infância à fama, está no topo do ranking do ano, fato inédito desde os anos 70 (foi visto por quase 6 milhões de pessoas), mas os números totais do setor não são para comemorar. Até o fim de outubro, houve uma queda de 24% no público total (98.634.651 em 2004, contra 74.786.694 este ano). E os filmes brasileiros levaram um tombo. Sua fatia do mercado diminuiu de 15% para 13% e o número de ingressos caiu 36%. Foram 15.072.809 em 2004 e 9.609.923 este ano, ou seja, mais da metade da bilheteria nacional foi da dupla. E nada indica que os lançamentos de dezembro mudem a situação. Os dados são da revista eletrônica Filme B, cujo diretor, Paulo Sérgio de Almeida, recomenda cuidado, mas sem alarme. ?Os anos de 2003 e 2004 foram excepcionais para o cinema nacional por causa de Carandiru, Olga e Cazuza, todos com mais de 3 milhões de espectadores. No quadro geral, tivemos um fenômeno em 2004, Homem-Aranha, que não se repetiu em 2005?, explica ele. ?O que havia até dois anos atrás era uma demanda reprimida que trouxe a expansão do mercado, resultado de um investimento em salas de exibição em todo o País. Para o futuro, se continuarmos com as 2 mil salas existentes no Brasil, a venda de ingressos se manterá em torno de 100 milhões por ano. Resta saber que fatia dessa cifra o cinema brasileiro vai ocupar.? O editor da Filme B, Pedro Butcher, lembra que essa queda na venda de ingressos aconteceu no mundo inteiro e pode ter duas explicações. ?Parte da indústria credita à fraca oferta de títulos com apelo comercial, o que não significa queda de qualidade?, ressalta Butcher. ?Outra parte atribui à popularização do DVD, mas quase não há medida de quanto e como o vídeo doméstico interfere na bilheteria das salas de cinema. Há até quem diga que, quem compra e aluga filmes é a mesma pessoa que sai de casa para assisti-los. O certo é que Hollywood promete melhorar a oferta em 2006, inclusive com o lançamento de filmes de franquia.? 2 Filhos é exceção num ano em que até a oferta de títulos nacionais ficou abaixo da expectativa. Desde a retomada, a curva ascendeu, com um pulo nos anos recentes: 32 filmes em 2003 e 51 em 2004. Mas este ano caiu para 40. As bilheterias também ficaram muito aquém das previsões da indústria. Tanto que, entre os dez mais de 2005, só figuram Zezé di Camargo e Luciano e, quando o ranking é nacional até meados de outubro, o segundo lugar, Xuxa e o Tesouro da Cidade Perdida, tem um terço do público do campeão e o terceiro colocado, O Casamento de Romeu e Julieta não completou 1 milhão de espectadores. São casos exemplares, já que Xuxa costuma esbarrar nos 2 milhões e Paula Barreto, produtora de O Casamento, contava superar essa cifra. Nem a Conspiração escapou. Tinha expectativas modestas para Casa de Areia, seu outro filme de 2005, mas pelo menos o dobro dos 200 mil ingressos vendidos. Para Paulo Sérgio de Almeida, só adivinhos podem prever como será 2006, mas tendências podem ser avistadas. Segundo a Filme B, janeiro e fevereiro, meses de pico de bilheteria, terão lançamentos fortes, como A Máquina (de João Falcão), Didi Caçador de Tesouros (Paulo Aragão), Se Eu Fosse Você (Daniel filho), Quem Tem Medo de Irma Vap? (Carla CamurattiCrime Delicado (Beto Brant) JK: Uma Bela Noite para Voar (Zelito Vianna, coincidindo com a exibição da minissérie sobre o ex-presidente na Rede Globo). Em março vêm Mulheres do Brasil (Mau Marinho) e 1972 (José Emílio Rondeau), em abril O Maior Amor do Mundo e, em agosto, Zuzu Angel (Sérgio Rezende).

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