André Lessa/AE
André Lessa/AE

Criolina, une cinema, tropicalismo, música brega e salsa

Dupla maranhense faz show de lançamento do segundo e ótimo álbum 'Cine Tropical'

26 de junho de 2010 | 06h00

Lauro Lisboa Garcia - O Estado de S. Paulo

 

SÃO PAULO - Hoje tem sessão de cinema cantado ao vivo no palco sem tela do Sesc Pompeia. É que a dupla maranhense Criolina faz show de lançamento do segundo e ótimo álbum, Cine Tropical. Alê Muniz e Luciana Simões criaram um roteiro de canções inspirado em diversos gêneros do cinema: chanchada, ficção científica, romance policial, ação, road movie, ação, bang bang e outros. No encarte do CD há uma sinopse bem-humorada sobre cada canção. Então, é quase tudo comédia, já que para eles bom humor é fundamental. Mas parece documentário. "Todas as letras foram baseadas em fatos reais", afirma Luciana.

 

som Ouça 'O Santo'

 

Veja, por exemplo, o resumo de Meu Louquinho: "Moça conhece rapaz que aparenta ser normal e se apaixona perdidamente por ele. No entanto, com o passar dos dias, ele vai se revelando um tremendo bipolar." Quem não conhece alguém assim? A referência da jovem guarda fica explícita em Namoradinho Refém: "Ele não é o tipo de homem que aceita ser passado para trás. Mas conhece Mary Jane, uma garota papo firme que põe em risco sua fama de mau."

Na esquina da Av. Ipiranga com a São João, depois de uma sessão de fotos no Cine Marabá, Alê (paulista de família maranhense) e Luciana (nascida em São Luiz, onde mora com Alê) contam detalhes de seu passado musical, repleto de influências do pop-rock, do brega, do reggae, dos ritmos tradicionais do Norte/Nordeste do País, explicam os diferentes sotaques da batida do bumba-meu-boi, lembram do que se ouvia de música brasileira e estrangeira no rádio.

 

Isso tudo para chegar ao colorido, moderno, dançante e diversificado universo sonoro de Cine Tropical: surf music, carimbó, reggae, ska, rock, funk à moda de Itamar Assumpção, coco, merengue, jovem guarda, referências às trilhas de westerns de Ennio Morricone, à intensidade de Serge Gainsbourg (que transitou por jazz, rock e eletrônica) e mais.

 

Filho de músico (o saxofonista Célio Muniz), Alê tocou bateria num grupo de rock na adolescência e gravou disco-solo de eletrônica produzido por Suba pouco antes de formar dupla com Luciana. "Mas o contato com a música do Maranhão vem desde criança. E desde o início mergulhei nessa história regional, sempre com minhas ideias de misturar os sons."

 

Luciana começou cantando em coral, depois mergulhou no blues, teve banda de reggae, fez vocal no Natiruts. "Acredito que pelo fato de São Luiz ter toda essa herança do Caribe, da Jamaica, isso nos interessa muito e fortalece esse trabalho, que a gente vem desenvolvendo há anos. Isso está na minha personalidade como cantora, não foi um passeio que eu dei por lá", diz. "A ideia inicial do disco era mostrar como essa influência caribenha se manifesta na música brasileira, por meio do carimbó, do merengue, do bolero e até do brega que o povo ouve em borracharia e não é merengue, não é soca, nem zouk nem forró."

 

Alê complementa: "É tudo de forma legítima. Não foi o caso de fazer nenhum trabalho de pesquisa. A gente convive com isso. O sol está muito presente nisso aí. Na própria criação a coisa já vai sendo endereçada dessa forma." Muita gente já observou que a música da dupla é muito visual. Daí a ideia de fazer um álbum contando histórias como se fosse cinema.

 

"Foi mais tranquilo fazer esse disco, porque gravamos no nosso próprio estúdio. Então, experimentando timbres e sonoridades, uma hora achamos que a guitarra se parecia com aquelas coisas do Tarantino", diz Alê. "Aí a gente já encarnou os personagens", emenda Luciana.

 

O colorido e a alegria que eles explicitam na música também se manifestam na capa e no encarte do CD, inspirados no clássico Bye Bye Brasil, de Cacá Diegues e nas tintas do cinema novo de Glauber Rocha. Alê e Luciana chegaram a fazer vídeos para exibir durante o show, mas desta vez não vai ser possível mostrar aqui. Os dois se apresentam no Sesc acompanhados de René Parisi (guitarra), Gerson da Conceição (baixo), Marco Stoppa (trumpete) e Michele Abou (bateria).

 

Além das canções de Cine Tropical - como Eu Vi Maré Encher, A Revanche, São Luís-Havana - eles tocam clássicos de outros autores que têm a ver com sua formação sonora, como Divino, Maravilhoso (Caetano Veloso/Gilberto Gil), Você Não Serve pra Mim (Roberto Carlos/Erasmo Carlos) e o bolerão Quizás, Quizás, Quizás (Oswaldo Farrés), citado no CD.

 

 

Criolina

Quando: Sábado, 26, 21 horas.

Onde: Teatro do Sesc Pompeia. Rua Clélia, 93, tel. 3871-7700. Quanto: R$ 4, R$ 8 e R$ 16.

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