Denise Andrade/Estadão
Denise Andrade/Estadão

Criador do É Tudo Verdade prevê aumento de inscrições após parceria com o Oscar

Nova parceria do festival com a Academia permite pré-indicar vencedores da edição de 2018, incluindo ‘Auto de Resistência’

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

29 Junho 2018 | 11h23

Amir Labaki está exultante. Há três anos, em 2015, o Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade tornou-se parceiro da Academia de Hollywood na indicação de filmes para concorrer na categoria de curta-metragem. Em todo o mundo, a Academia seleciona essas parcerias – os Qualifying Festivals – para ajudar na seleção. A novidade é que outra mudança de regras fez crescer a importância do É Tudo Verdade no Oscar.

O festival de Amir Labaki agora vai pré-indicar também os documentários de longa metragem. Dois de longa, e dois de curta. Em todo o mundo, são 28 festivais associados, alguns com o direito de indicar apenas um título. O É Tudo Verdade indica quatro, e já a partir deste ano.

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Isso significa que estão pré-indicados para o próximo Oscar os filmes que venceram as competições do festival internacional de documentários em abril. Na categoria longas, Auto de Resistência, de Lula Carvalho e Natasha Neri, venceu a competição nacional, e o dinamarquês O Distante Latido dos Cães, de Simon Lereng Wilmont. Ambos estão pré-selecionados, e é importante destacar que Auto de Resistência estreou nesta quinta, 28. Com o selo da Academia, é muito provável que mais público se sinta tentado a conferir o filme que desmonta a tese da legítima defesa de muitos crimes cometidos pela Polícia Militar do Rio. Muitos desses casos, sustenta o filme, são assassinatos puro e simples.

Alice, de Tila Chitunda, e Ressonâncias, de Nicolas Khoury, foram os vencedores de melhor curta, respectivamente, brasileiro e internacional, e também estão pré-indicados. Em sucessivas entrevistas e manifestações durante o festival, Amir Labaki declarou que nunca teve tanta dificuldade para levantar o patrocínio do evento. A crise atingiu em cheio o É Tudo Verdade, mas não a sua qualidade. “Tivemos aumento do número de inscritos e muito mais mídia. A imprensa foi unânime nos elogios à seleção.”

Labaki espera agora que essa nova parceria com o Oscar estimule os investidores para patrocinar o É Tudo Verdade do ano que vem. Ele estima que o fato de ser um ‘qualifying festival’ vai aumentar o número de inscrições. “Mais trabalho dá para prever que teremos, com certeza.”

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