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Criador de ‘O Laboratório de Dexter’ lança ‘Hotel Transilvânia 2’ e quer mais ousadia

Russo Genndy Tartakovsky se divide entre blockbusters e animação autoral

Pedro Antunes

10 Outubro 2015 | 17h00

CANCÚN  - Genndy Tartakovsky tinha 24 anos, nenhuma criança por perto e deveria criar uma nova animação para televisão com o objetivo de se comunicar com um público cuja idade variava de 6 a 11 anos. Surgiu com O Laboratório de Dexter, desenho que ficou no ar entre 1996 a 2003, quatro vezes indicado ao Emmy, adorado por uma geração de crianças que passavam suas tardes em frente ao canal por assinatura Cartoon Network. 

Naquela época, não tinha ideia do que fazer. Não havia nada parecido na tevê para que eu pudesse copiar. Tudo era péssimo”, disse o diretor em um encontro com poucos jornalistas de diferentes partes do mundo para falar do seu novo filme, Hotel Transilvânia 2, já em cartaz no Brasil. Hoje, mais de vinte anos depois, ele pode ser considerado um especialista em andar na corda bamba responsável por dividir conteúdo adulto e infantil – e, ao andar sobre ela, é fácil pender de um lado para o outro de forma rápida, na tentativa de encontrar o equilíbrio. “Então, decidi que iria partir do princípio de gostar ou não. E, se gostar, e for apropriado, talvez as crianças gostem também.” 

Em meia hora de conversa, Tartakovsky se mostrou alguém difícil para se ter debaixo das regras de um grande estúdio como a Sony Pictures, com quem ele lançou os dois filmes da franquia Hotel Transilvânia, ao lado de Adam Sandler, dublador do personagem principal, Drácula, e roteirista. “Pensei em pedir demissão em algumas ocasiões enquanto fazíamos o primeiro filme”, conta ele, sobre o longa lançado em 2012. 

“A grande diferença entre a TV e o cinema é que, no primeiro, você tenta fazer o melhor com o pouco que tem. Já no cinema, é um processo muito maior que envolve muita coisa. É muito sobre política”, ele explicou.

O primeiro filme da franquia conseguiu alcançar US$ 358 milhões e se garantiu como uma trilogia. “Na TV, se você faz um episódio ruim, espera-se melhorar no próximo. No cinema, não. Tudo gira em torno de um único fim de semana. Se não se conectar com o público nesses dias, tudo vai por água abaixo.” 

Nascido em Moscou, Tartakovsky mora nos Estados Unidos desde os 7 anos de idade. E, quando criança, era fissurado pelo personagem Popeye (aquele que come espinafre para derrotar o vilão Brutus e salvar a amada Olívia Palito). O nome do russo estava ligado à nova empreitada da Sony em reapresentar o personagem em uma adaptação moderna. Mas, “por divergências de ideias, eu decidi sair”, contou. “Eu queria manter o espírito do Popeye. Eles queriam deixá-lo mais contemporâneo. Decidi deixar o projeto. Queria fazer do meu jeito.” 

O Hotel Transilvânia, garante o diretor, ganhará uma terceira parte, mas Tartakovsky não participará do terceiro (e último?) segmento da trilogia para trabalhar em um projeto original. “Já dei dois filmes desses ao estúdio”, diz ele. O próximo projeto é atualmente chamado de Can You Imagine? (“Você consegue imaginar?”, em tradução literal). “São dois pais que precisam reencontrar sua juventude para resgatar o filho de um mundo imaginário”, conta. Mesmo com três filhos, Tartakovsky ainda confia mais no seu instinto. “Sabe, meus filhos são educados. Não vão reclamar.” 

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