Criação da Ancinav é discutida do Senado

A líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC) afirmou hoje que o anteprojeto que institui a Agência Nacional de Cinema e Audiovisual (Ancinav) deve ser parte de uma mobilização, no Brasil, para assegurar a defesa da produção nacional de cinema e audiovisual. "Estamos falando de domínio econômico e cultural e da soberania da nossa produção cultural e, por isso, a discussão é equivalente ao debate sobre a questão do petróleo", disse a senadora, em discurso da tribuna do Senado.A líder citou o cineasta Nelson Pereira dos Santos ao alertar que, nas próximas décadas, as maiores indústrias do mundo estarão ligadas à cultura e à comunicação. "A indústria da produção audiovisual é a segunda maior dos Estados Unidos, depois da indústria bélica, e o país que não desenvolver a sua produção audiovisual estará fadado à importação", sustentou.O objetivo do projeto, afirmou a senadora, é abrir o espaço na mídia audiovisual para a produção nacional. "Na TV, 90% é dosfilmes são americanos e apenas 1% das nossas cidades mostram a produção nacional nas salas de cinema", apontou. "Precisamos estabelecer percentuais obrigatórios de apresentações do filme brasileiro".Ideli lembrou que, depois da criação do Nafta, o acordo de livre comércio da América do Norte, o México reduziu sua produçãode 100 filmes por ano para apenas 17. "O México perdeu espaço para o filme americano", afirmou.Ao concluir, a senadora citou uma conversa entre o presidente George W. Bush e o ex-presidente da Motion Pictures Association of America (MPAA), Jack Valenti, ocorrida este ano, na cerimônia de transmissão de cargo deste a seu sucessor. Segundo ela, depois que Bush elogiou a ocupação de 85% das salas de cinema em todo o mundo com o filme americano, oexecutivo teria dito que não era suficiente. "É pouco; eu quero 100%", teria respondido Valenti. "Por isso mesmo, o debate ésobre a defesa da produção nacional", sentenciou.A campanha não empolgou a oposição. O senador Heráclito Fortes (PFL-PI) garantiu que a oposição vai mobilizar-se paraimpedir que o anteprojeto seja aprovado como está. "O que espanta é que o texto saiu do próprio governo, e isso traz indignaçãoprincipalmente dos setores da sociedade brasileira que combateram a censura", disse. Para Fortes, o texto peca pelo dirigismocultural e, a seu ver, existem outras formas de ajudar a produção nacional.O senador Rodolpho Tourinho (PFL-BA) pediu ao ministro da Cultura, Gilberto Gil, que reveja o texto. "Por mais que conteste,apelo ao ministro que para que reflita sobre um texto que tem a marca do intervencionismo cultural", disse. Tourinho afirmou queo projeto tornará a cultura mais elitista, ao aumentar a carga tributária. "Hoje, assistir a um filme é um divertimento para poucos,e o governo tornará esses preços ainda mais elevados", criticou.

Agencia Estado,

18 de agosto de 2004 | 19h01

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