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'Corpos Celestes' é romance com toques de astronomia

Filme conta a jornada do astrônomo Francisco, que tenta entender a si mesmo

Reuters

10 de março de 2011 | 09h38

Corpos Celestes é uma espécie de óvni no cinema brasileiro - e isso é um elogio. Numa época em que a mesmice destinada ao consumo em massa tende a imperar, o filme dirigido por Fernando Severo e Marcos Jorge (Estômago) tenta fazer algo diferente, ser criativo. Se consegue sempre, é outra questão.

Roteirizado pelos diretores em parceria com Carlos Eduardo Magalhães e Mário Lopes, Corpos Celestes parte de dois argumentos para curtas de Jorge, cujo filme anteriormente lançado, Estômago, conquistou um merecido status de cult com seu humor negro e atores talentosos. Aqui, porém, trabalhando com seu parceiro e amigo Severo, o diretor vai por outra vertente: um filme intimista de tons existencialistas, que transita do drama à fantasia.

Ao centro estão dois momentos da vida de Francisco - interpretado pelo estreante Rodrigo Cornelsen, na infância; e Dalton Vigh, quando adulto. A frase "a criança é o pai do homem", tornada célebre por Machado de Assis, serve perfeitamente neste caso, uma vez que, na segunda parte, com o personagem já crescido, reverberam momentos e ações de sua infância. Foi nessa fase que ele entrou em contato com a astronomia, ao conhecer um norte-americano que morava na sua cidadezinha, interpretado por Antar Rohit.

Os corpos celestes do título funcionam tanto como metáforas, quanto como símbolos. Há a imensidão do céu, a grandeza da vida, a distância entre as estrelas e planetas, o abismo emocional entre Francisco e sua família, a ausência de amigos.

O filme, no entanto, nunca carrega as tintas, não colocando excessiva ênfase em suas metáforas. Ao contrário, a trama vai se abrindo de forma sutil. Embora nem sempre tudo funcione a contento, o lirismo da primeira parte - que parece dialogar diretamente com o antigo cinema italiano - é redentor. Assim como o visual, repleto de efeitos especiais que nunca parecem exagerados ou artificiais.

Na segunda parte, quando Francisco mora na cidade grande e é um astrônomo conceituado, fica em evidência o distanciamento emocional do personagem. Ele praticamente não tem amigos, trabalha muito e fala pouco. Essa situação apenas muda quando está com sua amada, Diana (Carolina Holanda), uma prostituta de bom coração, como é comum quando a profissão é retratada no cinema.

A jornada de Francisco vai no sentido de tentar entender a si mesmo, seu lugar no mundo e aceitar aquilo que a vida lhe oferece. Essa tarefa, no entanto, se mostra mais difícil do que desvendar os mistérios do céu, das constelações e das galáxias. Uma coisa, porém, é certa: nada é definitivo, tanto na imensidão do universo, quanto na vida. Afinal, até Plutão foi rebaixado à condição de ser apenas uma estrela, enquanto por muito tempo foi um planeta. (Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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