Marcos Arcoverde/Estadão
Paulo Gustavo, ator e humorista Marcos Arcoverde/Estadão

Corpo do ator Paulo Gustavo será cremado nesta quinta-feira

Humorista morreu na noite de terça-feira, 4, aos 42 anos, em decorrência de complicações causadas pela covid-19

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2021 | 13h21

RIO - O corpo do ator Paulo Gustavo será cremado em cerimônia restrita à família e amigos próximos nesta quinta-feira, 6. A informação foi confirmada pela assessoria do ator, que acrescentou que o local da cremação não será divulgado a fim de evitar aglomerações em meio à pandemia.

Ainda não há informações sobre o velório de Paulo Gustavo, que morreu na noite de terça-feira, 4, aos 42 anos, em decorrência de complicações causadas pela covid-19. O Theatro Municipal do Rio colocou o local à disposição dos familiares, mas até o início da tarde não havia nenhuma confirmação se de fato ele seria utilizado - mais uma vez, há a preocupação com aglomerações.

Em sua nota, a assessoria do ator diz que agradece "a todos pelas mensagens de carinho e apoio".


 

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Morre o ator Paulo Gustavo, aos 42 anos, vítima da covid-19

Ator, humorista e diretor estava internado desde o dia 13 de março por causa de complicações do novo coronavírus

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2021 | 22h13

Ator, humorista, diretor e roteirista, Paulo Gustavo morreu nesta terça-feira, 4, aos 42 anos em decorrência de complicações da covid-19 . Paulo Gustavo estava internado desde o dia 13 de março, em um hospital no Rio de Janeiro - ele foi intubado menos de 10 dias depois da internação.

O ator, que passou a maior parte do tratamento em estado muito grave, havia apresentado alguma melhora no fim de semana. No domingo, 2, porém, ele teve uma embolia, insuficiência cardíaca e lesões cerebrais devido a uma fístula broncovenosa, uma espécie de abertura entre os pulmões e as veias. 

“Às 21:12h desta terça-feira, 04/05, lamentavelmente o paciente Paulo Gustavo Monteiro faleceu, vítima da covid-19 e suas complicações.  Em todos os momentos de sua internação, tanto o paciente quanto os seus familiares e amigos próximos tiveram condutas irretocáveis, transmitindo confiança na equipe médica e nos demais profissionais que participaram de seu tratamento.  A equipe profissional que participou de seu tratamento está profundamente consternada e solidária ao sofrimento de todos.", diz o o último boletim médico divulgado pelo hospital.

Cerca de duas horas antes, a equipe média havia emitido um outro boletim informando que "o estado de saúde de Paulo Gustavo estava se deteriorando de forma importante" e que embora os sinais vitais do ator ainda existissem, o quadro era irreversível.

 

Trajetória de Paulo Gustavo

Paulo Gustavo Amaral Monteiro de Barros nasceu em Niterói, Rio de Janeiro, em 1978. Ele pertence a uma geração de comediantes que se formaram na Casa de Artes de Laranjeira, a CAL, no Rio, como Fábio Porchat e Marcus Majela, entre outros. Seu primeiro sucesso aconteceu em 2004 quando, na peça Surto, apresentou a personagem que marcaria sua carreira, Dona Hermínia. No ano seguinte, após se formar na CAL, passou a integrar o elenco de Infraturas, mas o grande reconhecimento de público veio em 2006 com o espetáculo Minha Mãe é uma Peça, que rendeu três adaptações para o cinema (2013, 2016 e 2019), que conquistaram enorme bilheteria.

Dona Hermínia surgiu como uma brincadeira, quando ele imitava a própria mãe e os colegas morriam de rir. Trata-se de uma típica dona de casa que, sempre à beira de um ataque de nervos, toma as atitudes mais engraçadas. Além de inspirar a peça, tornou-se um dos personagens fixos do programa de TV 220 Volts, no canal Multishow.

Não foi fácil transpor de uma mídia para outra e ainda preservar o sucesso. A mãe da peça era diferente em relação à que aparece na tela. “Mudamos tudo, a maquiagem, o gestual, até essa coisa de o ex-marido e os filhos aparecerem, o que não se dá nem na peça nem na TV. É outra coisa, realmente”, contou Paulo Gustavo ao Estadão, em 2013.

Paulo Gustavo dizia que devia tudo à mãe, às tias. “Meu avô dizia que, por baixo daqueles vestidos, elas eram todas homens”, comentou, com uma risada escandalosa.

A transformação do teatro para o cinema, aliás, foi uma decisão pessoal. “No filme Divã, eu era ator contratado. Fiquei de bico calado. Fazia o cabeleireiro da personagem de Lília Cabral. Aqui, a personagem é minha, o filme é meu. Palpitei em tudo. O roteiro é do Fil Braz e meu. Mas o André (Pellenz, diretor) sabe tudo de cinema. Essa coisa do ritmo, da edição, tudo o que se refere ao visual, ao cenário, André é fera.”

Voltando à sua trajetória, Paulo Gustavo protagonizou outra peça em 2010, Hiperativo, dirigido por Fernando Caruso - o título descrevia bem sua personalidade. No ano seguinte, assumiu a apresentação do programa 220 Volts e, em junho de 2013, ainda no Multishow, estreou o sitcom Vai que Cola, que também ganhou uma adaptação para o cinema, em 2015.

Mas o estrondoso sucesso de Minha Mãe é uma Peça nas telonas o convenceu a voltar para uma terceira parte - e o público comprovou que não estava cansado da personagem. Na época do lançamento, Paulo Gustavo disse ao Estadão que gostaria de atingir um público maior com Minha Mãe 3. “Não me importo de fazer mais, nem temo a concorrência. Já enfrentamos Star Wars no passado e Frozen. Qual era o Star Wars? Ah, sei lá. Nossos números são grandes, mas deveria haver reserva de mercado para a produção nacional. Os filmes grandes atraem público e as pessoas sabem que vão se divertir com D. Hermínia. Mas há filmes menores que também têm de ter espaço. O público precisa se conscientizar disso, o mercado também.”

Assista ao vídeo:

 

 

Naquela terceira parte, agora dirigida por Susana Garcia, D. Hermínia vai morar sozinha, já que a filha está grávida e o filho vai se casar. Ela também encara a volta do ex-marido (Herson Capri). “Dá para imaginar muitas tramas para manter a D. Hermínia ocupada no ar”, afirmou Gustavo.

Assista ao vídeo:

 

Criado em uma família de classe média no Rio, Paulo Gustavo nunca teve problema com sua sexualidade, desde jovem. Em dezembro de 2015, casou-se com o dermatologista Thales Bretas e, quatro anos depois, nasceram os filhos Romeu e Gael, nascidos de diferentes barrigas de aluguel.

 

 

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Análise: Paulo Gustavo tinha aquele incrível domínio de cena

Ator e humorista, Paulo Gustavo morreu aos 42 anos, vítima da covid-19, nesta terça-feira, 4

Luiz Carlos Merten, Especial para o Estadão

04 de maio de 2021 | 22h22

Houve um momento em que as notícias se tornaram tranquilizadoras. Paulo Gustavo estava estabilizado no hospital, reagindo bem ao tratamento contra o coronavírus. E, depois, a situação complicou-se. Não adiantaram os pedidos de orações de amigos e fãs. Nunca mais Dona Hermínia. Paulo Gustavo morreu nesta terça-feira, 4, aos 42 anos. Astolfo Barroso Pinto, a Rogéria, gostava de se definir como a travesti da família brasileira. Paulo Gustavo poderia dizer o mesmo. Era o gay amado da família brasileira. Conseguiu se tornar uma unanimidade. 

Unanimidade, não. Ainda havia críticos que reagiam mal a suas comédias. Eu mesmo, que o acompanhei desde o primeiro Minha Mãe É Uma Peça, direção de André Pellenz, e o vi galgar a escadaria do sucesso, batendo recordes sucessivos, achei excessivo o final de Minha Mãe É Uma Peça 3. O casamento do filho, o discurso amoroso de Dona Hermínia, os intermináveis agradecimentos à família, as fotos do marido, dos filhos do próprio Paulo, tudo me pareceu um pouco demais. Não acreditava que o filme fosse bater recordes. Superou os 11 milhões de espectadores. Virou a terceira maior bilheteria do cinema brasileiro. 

Havia falado com Paulo na estreia e voltei a falar quando bateu o recorde. Ele estava fora do Brasil, em férias, mas concordou em falar comigo. Fiz meu mea culpa. Ele riu. Disse, o que poderia até parecer arrogante, que sabia. Sabia o quê, Paulo Gustavo? Até onde ir, com certeza. No palco, com Minha Mãe É Uma Peça, na série de filmes, no Vai Que Cola, ele tinha aquele incrível domínio de cena. Trabalhou, na TV e no cinema, com diretores como Pellenz, César Rodrigues e, ultimamente, com Susana Garcia. A irmã de Monica Martelli virou sua alma gêmea. Paulo não poupava elogios ao timing de humor, ao seu olho para detalhes visuais. Continuou estourando na bilheteria com a série de Mônica – Os Homens São de Marte, Minha Vida em Marte

Num debate em Tiradentes, houve réplica e tréplica quando disse que, no futuro, as comédias de Paulo Gustavo iam revelar um Brasil que os críticos se recusavam a encarar, atualmente. Como as chanchadas carnavalescas dos anos 1950 – hoje em dia aqueles filmes revelam não só comportamentos, como atitudes políticas. O Petróleo É Nosso, 60 e tantos anos depois, ajuda a entender a crise de combustíveis de 2021. 

Uma crítica, em Tiradentes, reclamou da voz de Paulo Gustavo como Dona Hermínia. Achava irritante. Era uma ferramenta de ator para criar a personagem. Paulo era um artista, e gay. Ao se travestir, emulando a própria mãe – inspirou-se nela para criar Dona Hermínia –, ele estava menos dando vazão a uma necessidade de afirmação do próprio gênero como estava dando a sua versão do amor de mãe. Dona Hermínia tem qualidades e defeitos. Desdobra-se em Lourdes, Telma e Vitória. Se não fosse o preconceito, que mesmo Paulo sofreu, ele teria ganhado não o prêmio de comédia, mas o de melhor ator da Academia Brasileira de Cinema. 

Antes dele, Ary Fontoura já criara uma mãe incrível em A Guerra dos Rocha, remake de um êxito argentino – Esperando la Carroza –, por José Fernando. Na França, e por um filme muito menos engraçado – e rico em observações –, Guillaume Galienne ganhou um monte de César (melhor filme, diretor, ator, etc) por Eu, Mamãe e os Meninos, no qual era a mamãe. Paulo Gustavo estava aberto a novos desafios. Dizia que não faria um quarto episódio da série com Dona Hermínia. Ela seguiria vivendo como série, na TV. Na pensão de Dona Jô, no Vai Que Cola!, batia aquele bolão com Marcus Majella, Samantha Schmutz e Emiliano D’Ávila. Valdomiro, Ferdinando, Jéssica e Máilcol. Fazia aquele um gay sem papas na língua. E, lá como cá, a casa, a pensão, era o local de tretas memoráveis quando Jéssica e Ferdinando disputavam o corpão de Máilcol. 

Há mais de 50 anos, Carlos Drummond de Andrade escreveu que Leila Diniz libertara as mulheres brasileiras do jugo de uma particular escravidão. Com todo respeito, Paulo Gustavo fez um movimento parecido em relação ao universo gay. Durante a pandemia, abriu suas redes sociais para que a feminista negra Djamila Ribeiro colocasse o Brasil racista, sexista e brutalmente desigual, do ponto de vista social, no espelho. Quem poderia imaginar que Paulo seria uma vítima da pandemia que chegou ao crítico momento atual por descaso e mau planejamento das autoridades que deveriam manejar a crise sanitária. Era jovem, rico. Com certeza não morreu por falta de recursos. É lugar comum, quando morrem as pessoas, dizer que farão falta. Paulo vai fazer, mas agora o que se deve fazer, com tristeza, é refletir sobre os efeitos devastadores da pandemia no Brasil.

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Conheça os filmes interpretados por Paulo Gustavo

Paulo Gustavo, que morreu nesta terça-feira, 4, vítima do coronavírus, participou de grandes sucessos, como 'Minha Mãe É uma Peça'

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

04 de maio de 2021 | 22h27

Paulo Gustavo, que morreu aos 42 anos nesta terça-feira, 4, participou de vários filmes antes de iniciar a sequência de estouros de bilheterias com Minha Mãe é uma Peça, que teve três partes e logo se incluíram entre as maiores arrecadações do cinema brasileiro.

Aos 42 anos de idade, ele foi contaminado pelo novo coronavírus e, no dia 13 de março de 2021, teve de ser internado em um hospital no Rio de Janeiro. A situação se complicou, e o ator teve de ser intubado menos de dez dias depois. Uma série de procedimentos médicos foi realizada para dar mais oxigênio para ele, inclusive a Oxigenação por Membrana Extracorpórea, utilizado para pacientes que têm comprometimentos sérios em relação ao pulmão e o coração.

O Telecine Play disponibilizou, gratuitamente para o público por 30 dias, todos os filmes do ator que estão na plataforma de streaming. 

Conheça os filmes feitos por Paulo Gustavo

 

  • A Guerra dos Rocha (2008)

No longa dirigido por Jorge Fernando, Paulo Gustavo teve uma pequena participação, interpretando o personagem identificado como Funcionário. A comédia foi estrelada por Ary Fontoura, que vive a velhinha Dina Rocha, Diogo Vilela e Giulia Gam, entre outros.

 

  • Xuxa em O Mistério de Feiurinha (2009)

A eterna rainha dos baixinhos é a Cinderela que, ao lado Rapunzel (Angélica), Branca de Neve (Daniele Valente), Chapeuzinho Vermelho (Samantha Schmütz) e Bela (Lavínia Vlasak), está prestes a completar bodas de prata com seus respectivos maridos. No filme dirigido por Tizuka Yamazaki, Paulo Gustavo faz uma participação como Caio Lacaio, assim como Hebe Camargo, que vive a Rainha Mãe. Você pode assistir esse filme na Apple TV.

 

  • ​Divã (2009)

Mercedes (Lília Cabral) é uma mulher casada que, por curiosidade, procura um analista. Aos poucos, descobre facetas que desconhecia. Na comédia dirigida por José Alvarenga Jr., inspirada na obra de Martha Medeiros, Paulo Gustavo interpreta Renée Gama. O filme alcançou uma bilheteria com mais de 1,7 milhão de espectadores. Você pode assistir esse filme na Globoplay.

 

  • Os Mercenários (2010)

Filme internacional, dirigido, escrito e interpretado por Sylvester Stallone, o longa tem elenco estelar (Mickey Rourke, Bruce Willis, Arnold Schwarzenegger) e Paulo Gustavo, no papel identificado como Soldado.

 

  • De Volta ao Divã – O Filme (2011)

Com o sucesso do primeiro longa, era inevitável que logo viesse uma continuação – e Paulo Gustavo continua vivendo o personagem Renée.

  • Minha Mãe É uma Peça – O Filme (2012)

O primeiro grande sucesso de Paulo Gustavo, que o transformou em um dos grandes sucessos de bilheteria no cinema nacional. Trata-se da transposição para a tela da peça em que Gustavo vive Dona Hermínia, mulher de meia idade, divorciada e que, hiperativa, não larga do pé dos filhos Marcelina (Mariana Xavier) e Juliano (Rodrigo Pandolfo). Foi o filme mais assistido nas salas nacionais em 2013, com mais de 4,6 milhões de espectadores. Você pode assistir aqui

 

  • Os Homens São de Marte... E É Pra Lá que Eu Vou (2014)

Comédia escrita e interpretada por Mônica Martelli, que vive Fernanda, que trabalha organizando a cerimônia mais importante do imaginário feminino, o casamento, mas é solteira. Paulo Gustavo é o coprotagonista da história, no papel de Aníbal. Você pode assistir o filme aqui.

 

  • Vai que Cola – O Filme (2015)

Inspirado na série de sucesso da TV, o longa traz Paulo Gustavo como Valdomiro que, depois de ser vítima de um golpe que levou todo seu dinheiro, é obrigado a se mudar para a pensão da Dona Jô (Catarina Abdalla), no Méier, barro de subúrbio do Rio. As situações exageradas do filme foram alvo tanto de críticas como de elogios. O público gostou, pois teve mais de 3 milhões de espectadores no cinema. Você pode assistir aqui.

 

  • Minha Mãe É uma Peça 2 (2015)

Também era inevitável que as histórias de Dona Hermínia ganhassem uma continuação no cinema. Agora rica e famosa, a mãe super protetora é obrigada a encarar a casa vazia, com a saída dos filhos. O público continuou fiel e, apenas no primeiro fim de semana em cartaz, o longa alcançou 1 milhão de espectadores. Atualmente, já computa mais de 9 milhões de pessoas que foram ao cinema. Você pode assistir aqui.

 

  • Minha Vida em Marte (2017)

Outra aposta numa história com personagens conhecidos, que fez sucesso. Fernanda (Monica Martelli) está casada com Tom (Marcos Palmeira), com quem tem uma filha de cinco anos, Joana (Marianna Santos). A relação está desgastada depois de um casamento de vários anos, o que gera atritos constantes. A superação da crise é ajudada por seu sócio Aníbal (Paulo Gustavo). Você pode assistir aqui.

 

  • Minha Mãe É uma Peça 3 (2019)

Ainda fonte inesgotável, a história mostra Dona Hermínia se reorganizando, uma vez que seus filhos estão formando novas famílias. Além de se tornar avó mais uma vez, com o nascimento do filho de Marcelina, ela acompanha o casamento de Juliano. Graças ao público fiel, o longa superou, em seu primeiro fim de semana, dois grandes rivais na bilheteria: Star Wars: A Ascensão Skywalker e Frozen 2. O fechamento dos cinemas em março de 2020, por causa da pandemia do novo coronavírus, interrompeu a arrecadação. Você pode assistir aqui.

 

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Artistas e amigos homenageiam Paulo Gustavo nas redes sociais

De Beyoncé a Caetano Veloso e Mônica Martelli, passando por Lula e Whindersson Nunes: veja quem lamentou a morte de Paulo Gustavo

Brenda Zacharias, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2021 | 23h22
Atualizado 05 de maio de 2021 | 12h27

Artistas, políticos e amigos de Paulo Gustavo prestam homenagens em suas redes sociais ao ator e humorista, que morreu nesta terça-feira, 4, vítima de complicações da covid-19. O criador de personagens como a dona Hermínia, de Minha Mãe é Uma Peça, tinha 42 anos e estava internado havia quase dois meses no Rio de Janeiro.

Nesta quarta-feira, 5, a rainha do pop Beyoncé publicou a foto de Paulo Gustavo em seu site com os dizeres: Paulo Gustavo rest in peace.

A atriz e humorista Tatá Werneck, uma das amigas mais próximas de Paulo Gustavo, passou os últimos dias pedindo orações ao ator em suas redes e publicou uma homenagem quando soube de sua morte. "Aplaudam de pé esse grande homem! Gritem bravo! Façam uma homenagem a ele em suas casas", escreveu. 

 

 

O marido de Paulo Gustavo, Thales Bretas, também publicou uma homenagem ao ator em seu Instagram. "Nossa caminhada tinha tudo pra ser longa! Linda como vinha sendo", disse. Thales afirmou estar vivendo um "turbilhão de sensações" e agradeceu o público pelas "energias positivas e orações". 

 

 

O humorista Marcelo Adnet publicou em seu perfil no Instagram uma foto do ator, com a legenda “Para sempre”.

 

 

A atriz Mônica Martelli compartilhou foto com o ator, a quem chamou de irmão. “Vamos lembrar de você sempre assim. Sorrindo, criando, fazendo o Brasil gargalhar”, escreveu em sua homenagem.

 

 

“O mundo perde um gênio do humor”, escreveu o também ator e humorista Fábio Porchat em publicação.

 

 

O cantor Caetano Veloso, também no Instagram, escreveu que Paulo Gustavo era “a expressão da alegria brasileira”.

 

 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por meio de seu perfil no Twitter, também publicou a sua homenagem ao ator. “Seu talento jamais será esquecido”, diz na mensagem.

 

 

"Não estávamos preparados para você partir assim tão cedo", escreveu o apresentador Luciano Huck.

 

 

O também ator e humorista Whindersson Nunes relembrou a vez em que viu um dos shows de Paulo Gustavo na juventude. “Vc entrou no palco do jeito que eu tinha vontade de entrar no lugares, sendo eu”, escreveu na publicação.

 

A atriz e humorista Dani Calabresa desejou força à família e amigos de Paulo Gustavo. “Tô sentindo um aperto no peito desde que noticiaram que ele foi internado”, escreveu.

 

“Paulo, meu querido, foi a primeira vez que você nos fez chorar”, escreveu o Padre Fábio de Melo em rede social.

 

 

O dramaturgo Walcyr Carrasco também homenageou o ator: “Por aqui lembraremos de você sempre com muita alegria!”.

 

 

“Você espalhou amor e alegria. Era impossível estar ao seu lado e não abrir um largo sorriso”, escreveu o cantor Luan Santana em publicação.

 

 

“Minha gratidão eterna a esse gênio!”, escreveu a atriz Mariana Xavier, que contracenou com Paulo Gustavo na franquia Minha Mãe é Uma Peça.

 

 

Marcus Majella, ator e amigo de Paulo Gustavo, publicou uma coletânea de fotos com o ator. “Nunca vou esquecer você, sua generosidade e seu olhar atento pro mundo, que você lindamente transformava em arte”, diz na mensagem.

 

 

A cantora Daniela Mercury também prestou solidariedade à família do ator. “Você é um ser humano e um artista maravilhoso que a gente ama e admira. É o dono da alegria que também lutou pelos direitos humanos”, escreveu em sua homenagem ao colega.

 

 

O mesmo fez a cantora Preta Gil, que definiu o amigo como um “gênio do humor, da generosidade e da humanidade”.

 

 

Maria Ribeiro, atriz e escritora, publicou uma mensagem enviada ao amigo no ano passado, após assistir o terceiro filme da franquia Minha Mãe É Uma Peça. “Existência revolucionária”, resumiu na homenagem.

 

A apresentadora Eliana prestou solidariedade à família do ator . "Obrigada por alegrar nossos dias com seu talento", escreveu.

 

 

A atriz Leandra Leal ressaltou a mesma característica da obra do ator. “Paulo Gustavo revolucionou através do amor e do riso. (Muito) triste perder alguém tão bom, talentoso, alegre e jovem”, afirmou.

 

 

"Nosso sorriso e nossa graça nunca mais serão os mesmos", escreveu a atriz Fiorella Mattheis, amiga pessoal e colega de elenco do humorista.

 

 

Fátima Bernardes, apresentadora e jornalista, recuperou fotos com o ator e prestou solidariedade à família.

 

 

A apresentadora Angélica também publicou fotos com o ator” “Saudade, saudade, saudade … do abraço, das risadas, das resenhas, do talento”.

 

 

“O Brasil perde um grande artista, uma mãe perde um filho, filhos perdem um pai, um amor se vai…”, escreveu o cantor Zeca Pagodinho em seu perfil no Twitter.

 

 

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De Dona Hermínia à Senhora dos Absurdos: Relembre as personagens marcantes de Paulo Gustavo

Ator e humorista, Paulo Gustavo, que morreu por complicações da covid-19, fez sucesso no teatro, televisão e cinema

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

05 de maio de 2021 | 09h00

Em sua carreira, o ator Paulo Gustavo, que morreu na noite de terça, 4, aos 42 anos, de problemas decorrentes da covid-19, tornou-se conhecido principalmente pelo personagem Dona Hermínia, a elétrica e dominadora dona de casa que surgiu no teatro e logo se tornou um sucesso absoluto no cinema.

Paulo Gustavo, porém, criou outros tipos, igualmente engraçados e sempre trazendo as peculiaridades de seu humor, que conseguia unir ingenuidade com picardia e crítica social.

Veja os principais personagens criados por Paulo Gustavo

  • Dona Hermínia

Inspirada em tias, avós, mas principalmente em Dea Lúcia, sua mãe, a personagem surgiu pela primeira vez em 2004, na peça Surto. O sucesso foi tamanho que instigou Paulo Gustavo a criar o espetáculo Minha Mãe é uma Peça, em 2006, que rendeu ainda três adaptações para o cinema (2013, 2016 e 2019), todas grandes sucessos de bilheteria. Trata-se de uma típica dona de casa que, sempre à beira de um ataque de nervos, toma as atitudes mais engraçadas. Com essa personagem, Paulo Gustavo conseguiu a proeza de um homem interpretar uma mulher ser bem aceito por boa parte da população.

  • Senhora dos Absurdos

Sucesso no programa 220 Volts, do canal Multishow, a personagem ganhou fama justamente por comentários absurdos, que revelam preconceito de raça e sexo. Paulo Gustavo dizia que tinha criado esse tipo para debochar da intolerância e da cultura do ódio. "Meu intuito é fazer rir, mas sabendo que o riso também é um modo de abordar temas controvertidos e incômodos da sociedade", disse, em uma publicação no Facebook, em 2017.

  • Valdomiro Lacerda

Era o protagonista do programa Vai que Cola, do Multishow, que se passa em uma pensão. Seu objetivo é se esconder lá da Polícia Federal, que o procura por conta de uma falcatrua na qual ele se tornou o único culpado. Aqui, novamente, Paulo Gustavo exerce o humor como caminho para crítica social, pois Valdo, como é conhecido, se considera superior em relação aos outros hóspedes, além de menosprezar o Méier, bairro do subúrbio do Rio, e de se lamentar por não morar no Leblon.

  • Anibal

Paulo Gustavo tinha a atriz Mônica Martelli como uma de suas melhores amigas. Juntos, fizeram filmes como Minha Vida em Marte, no qual o ator viveu Anibal, grande apoiador de Fernanda (Mônica), que sofre com problemas no relacionamento. Para consolá-la, Aníbal a leva para Nova York, onde passeiam por lugares icônicos da cidade. O local serviu também para que Paulo Gustavo demonstrasse sua dificuldade em falar em inglês. As filmagens, apesar de divertidas, foram atribuladas pois, realizadas em locações, eram constantemente interrompidas, pois as pessoas reconheciam o ator e gritavam seu nome.

  • Mulher Feia

Outro personagem que surgiu e se popularizou no programa 220 Volts, além de participação no Vai que Cola. Uma vez mais, Paulo Gustavo utiliza o bom humor para fazer mais uma crítica social. Mulher Feia conta histórias que dizem respeito à sua aparência, se lamentando pelos homens que a abandonam. O curioso é que seus relatos, apesar de muitas vezes absurdos, não narrados de uma forma até inocente.

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Beyoncé presta homenagem a Paulo Gustavo, que morreu vítima da covid-19

Paulo Gustavo, que morreu aos 42 anos, teve sua foto publicada no site da cantora

Redação, O Estado de S. Paulo

05 de maio de 2021 | 10h04

A morte do ator e humorista Paulo Gustavo, na noite desta quinta-feira, 4, causou grande comoção entre os brasileiros - mas não só. A cantora americana Beyoncé também prestou homenagem ao astro de Minha Mãe é Uma Peça e de tantos outros sucessos na televisão, teatro e cinema.

A rainha do pop Beyoncé publicou em seu site uma foto do ator com os dizeres: Paulo Gustavo Rest in Peace (Paulo Gustavo Descanse em Paz).

Paulo Gustavo foi internado com coronavírus no dia 13 de março e passou por momentos muito críticos ao longo de todo o tratamento. No último fim de semana, ele apresentou alguma melhora, mas logo teve outras complicações. Paulo Gustavo morreu às 21h12 da terça-feira, 4, e deixa o marido Thales Brêtas e dois filhos.

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Análise: Dona Hermínia, criada por Paulo Gustavo, é um sopro de liberdade num Brasil autoritário

Maior talento cômico do Brasil, Paulo Gustavo, fazendo rir, provavelmente fez mais pelo avanço da causa LGBT do que se militasse de maneira mais agressiva

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S. Paulo

05 de maio de 2021 | 11h34

Com a morte do ator Paulo Gustavo, aos 42 anos, o Brasil perde seu maior talento cômico. Sua trajetória é a de sucessos sucessivos - e surpreendentes. Fiquemos apenas no cinema, e, neste, nos três longas do seu maior êxito, Minha Mãe é uma Peça. O primeiro fez 4,6 milhões de espectadores, o segundo 9,3 milhões e o terceiro 11,6 milhões, tornando-se um dos maiores sucessos de bilheteria do cinema brasileiro em toda a sua história. 

Dona Hermínia é inspirada na mãe de Paulo Gustavo, Déa Lúcia. Mas não é uma cópia. O ator conta que sua mãe reagiu com naturalidade ao saber que o filho era gay. Só tinha medo de que ele sofresse na rua. Mas em casa, garantiu, o afeto seria o mesmo. Já o processo de Dona Hermínia é diferente. Mais trabalhoso, difícil. O cineasta Jorge Furtado o resume com perfeição em sua página no Facebook: “A história é de uma mãe cheia de preconceitos, agressiva, autoritária, que descobre ter um filho gay, fica profundamente chocada com a descoberta, mas tem afeto de sobra para se transformar e aceita o filho. Essa fábula sobre tolerância e amor é a base de Minha Mãe é uma Peça…”

De fato, trata-se de um processo, com curva dramática, ou melhor cômica, destinada a encantar o público, como se comprova pelas gigantescas bilheterias, mesmo em tempos de relativa seca para o cinema nacional. 

O fato é que a personagem revelou-se um achado. Algo, nela, estabeleceu uma ligação durável com o público. Mas quem, de antemão, poderia apostar que aquela senhora desbocada, com bobes no cabelo, gritona, falastrona e mandona, interpretada por um homem, poderia se tornar um ícone da comédia nacional?

Pode-se dizer que um dos trunfos, senão o principal, é a irreverência de Dona Hermínia. Num tempo em que a comédia parece encalacrada por pressões vindas de vários grupos da sociedade, Dona Hermínia é um sopro de liberdade. Dá a impressão de falar o que lhe vem à cabeça, sem ligar para as consequências. Claro, esta é uma ilusão da arte. Textos muito trabalhados precisam dar a impressão de serem totalmente naturais, como se saídos sem censura da boca do personagem. Há arte nisso. Inclusive a arte de esconder o esforço para se chegar ao resultado, produzindo esse efeito de espontaneidade. 

Há também a técnica interpretativa do ator, de fazer a personagem falar bem rápido, quase sem dar tempo ao espectador para se distanciar. Domingos de Oliveira, um mestre dos diálogos, fazia a mesma coisa quando interpretava o que havia escrito. Talvez Paulo Gustavo tenha se inspirado nele. Em todo caso, a “escola” interpretativa é a mesma. 

A forma rápida plasma um conteúdo reconhecidamente progressista. Os filmes de Dona Hermínia fogem do humor racista, homofóbico e misógino, defendido pela “gente de bem” como expressão da liberdade. Dona Hermínia, pelo contrário, pratica um humor libertário, questiona preconceitos e abre a cabeça do público para algo que é diferente dele. Isso é ser libertário. Não buscar o riso com a humilhação alheia, mas contestando o estabelecido e o consagrado pela tradição. Ao abrir caminhos, o cômico se torna liberador. 

O riso, como se sabe, é assunto de primeira relevância, embora não seja levado muito a sério no país. A Academia Brasileira de Cinema teve de criar a categoria “melhor filme de comédia” para que o gênero tivesse vez na premiação anual. As chanchadas cariocas foram consideradas popularescas e de qualidade inferior até serem reabilitadas por gerações críticas posteriores. Até hoje as comédias são esnobadas, independentemente de sua qualidade. No entanto, o gênero cômico remonta à Grécia clássica, Bakhtine teorizou sobre o riso medieval, Freud escreveu um livro inteiro sobre o chiste e Machado de Assis o tinha em alta conta. Machado escreve: “Há pessoas que não sabem, ou não se lembram, de raspar a casca do riso para ver o que há dentro”. Há algo de profundamente liberador no riso. Dizendo muito sobre nós mesmos, sobre nossas fraquezas e preconceitos, produz mais efeito do que se nos atirassem essas verdades à cara. Pela via cômica, a tolerância de Dona Hermínia desconcerta mais os intolerantes que qualquer discurso edificante sobre a convivência entre desiguais. 

Daí que, fazendo rir, provavelmente Paulo Gustavo tenha feito mais pelo avanço da causa LGBT do que se militasse de maneira mais agressiva, como às vezes lhe exigiam. Preferia exercer o soft power que seu talento lhe conferia. Até em sua vida pessoal era exemplo de serenidade, vivendo com marido e filhos num arranjo de “nova família” que costuma escandalizar os conservadores. 

No Brasil autoritário, carola e retrógrado que querem nos impingir, Paulo Gustavo era um ponto fora da curva, só que falava para multidões e era amado pelo País. Morte mais sentida pela covid-19, talvez ajude a abrir os olhos para a dimensão da catástrofe em que estamos mergulhados pela indiferença e irresponsabilidade de quem deveria cuidar do seu povo. Paulo Gustavo fará muita falta, não apenas ao cinema nacional, mas ao País em seu todo. 

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Morte de Paulo Gustavo simboliza o sofrimento de um país inteiro

Sua morte aglutina, de alguma maneira, todas as outras, nos levando, agora sim, a um luto coletivo: todos juntos lamentando a mesma perda

Daniel Martins de Barros, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2021 | 11h58

Muitas vezes me perguntaram se, com tantas perdas Brasil afora, nós estaríamos experimentando um luto coletivo. Sempre achei que não: estamos sim, coletivamente em luto, mas é diferente. Luto coletivo não me parece ser quando muitos de nós lamentamos nossas mortes ao mesmo tempo e sim quando todos compartilham uma dor em comum.

Talvez seja isso que tenha ocorrido com a morte do Paulo Gustavo. Com sua simpatia, ele cativava o País inteiro, basta ver o sucesso absoluto de seus filmes. Sua morte aglutina, de alguma maneira, todas as outras, nos levando, agora sim, a um luto coletivo: todos juntos lamentando a mesma perda. 

Nosso cérebro primata nos impede de subjetivamente sentir o que objetivamente sabemos. Meio milhão de mortes não chega a nos comover – não temos sequer capacidade mental de processar o que isso significa. Mas a morte de uma pessoa, querida, próxima, essa sim é sentida como uma tragédia.

Paulo Gustavo, querido por todos, encarnou então, em sua última atuação pública, o sofrimento de um país inteiro. Despertou a empatia de quem estava anestesiado e trouxe materialidade à morte por covid que, para muitos, era ainda algo abstrato.

Não há fórmulas para lidar com o luto. Mas, além de lamentarmos sua partida, é importante que celebremos toda alegria que ele nos trouxe. É a melhor maneira de honrarmos sua história.

 

 

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