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Joaquin Phoenix Warner

Joaquin Phoenix Warner

‘Coringa’ é vivido em toda a sua maldade por Joaquin Phoenix

Recriado por vários atores, personagem clássico dos quadrinhos e do cinema volta às telonas em filme dirigido por Todd Phillips e com participação de Robert De Niro

Mariane Morisawa , Especial para O Estado de S. Paulo

Atualizado

Joaquin Phoenix Warner

VENEZA — A seleção de Coringa, de Todd Phillips, para a competição do 76.º Festival de Veneza era um indício de que não se tratava de um filme baseado no universo dos quadrinhos como tantos outros que vêm inundando as salas de cinema. E, de fato, o longa prescinde de grandes cenas de ação e efeitos especiais épicos para se inspirar mais nos dramas de Martin Scorsese dos anos 1970 e 1980. Mas foi com certa surpresa que o Leão de Ouro foi recebido. 

Com estreia prevista para 3 de outubro no Brasil, Coringa abriu a venda antecipada de ingressos na quinta, 19.

No Festival de Veneza, a presidente do júri, Lucrecia Martel, elogiou os riscos que a produção correu e a reflexão que faz dos anti-heróis como vítimas do sistema. Mas Coringa não seria o que é, um filme com capacidade de sacudir Hollywood na direção de mais ousadia, sem a interpretação de Joaquin Phoenix, que não se baseou em nenhuma das versões anteriores – de Cesar Romero, Jack Nicholson ou Heath Ledger e muito menos a de Jared Leto. 

“Sou pouco conectado à indústria do entretenimento”, disse o ator em entrevista exclusiva ao Estado, em Veneza. E jurou não ter ideia da quantidade de fãs que a história tinha. “Começaram a me perguntar da pressão dois dias antes do início das filmagens, e eu disse: ‘Não me digam isso agora!’”, contou. “Era tarde demais, mas no começo eu estava na ignorância completa. Ainda bem.” 

Phoenix ama uma reação forte aos filmes que faz. “Seja qual for”, contou. “A indiferença é que me incomoda.” Mas em relação à preparação de seus personagens, garantiu que não leva em conta a opinião de ninguém. “É uma exploração e uma experiência pessoais. Faço só para mim.” 

Mas quem é este Coringa? Arthur Fleck é um comediante frustrado que trabalha como homem-placa, vestido de palhaço. Mora com a mãe, que insistia que seu destino era ser feliz e fazer os outros rirem, e depende de remédios para seus problemas de saúde mental – ele tem uma condição que faz com que ria descontroladamente. Sendo pobre e esquisito, Arthur é invisível para a sociedade. Quando alguém o enxerga, é em geral para humilhá-lo. Só que, um dia, ele se vê com o poder nas mãos. 

Este Coringa não tem o jeito brincalhão de Romero, nem é transformado em vilão depois de cair num tanque de substâncias químicas como no caso de Nicholson. Não tem um desejo de ver o circo pegar fogo como o Coringa de Ledger, nem sabe-se lá o que Jared Leto estava fazendo. Arthur às vezes inspira pena. “Gosto que o filme peça ao espectador que pelo menos tenha empatia por alguém que é o vilão e que faz coisas horrendas. Às vezes, rotulamos uma pessoa como má, como se fôssemos incapazes dos mesmos atos.” 

Leia a seguir outros trechos da entrevista:

Você falou de divisão, e as sociedades mundiais parecem muito divididas. Acha que falta vontade de ouvir opiniões contrárias às nossas? 

Sim, claro. Não há muito debate saudável. Eu me lembro dos programas de notícia de antigamente. Hoje, eles são uma competição de quem grita mais alto. Há questões difíceis que precisamos discutir. Mas, se ficarmos gritando uns com os outros, não vai ter solução. Ficamos viciados nisso, dá mais audiência, mas isso está saindo caro. 

Mas mesmo no caso de pessoas que são detestáveis ou simplesmente fazem coisas horríveis?  

É um desafio. O Coringa é uma pessoa complexa. Mas há momentos em que se pode simpatizar com ele, ou pelo menos ter alguma empatia. Mas não se engane: ele é um vilão. Eu o interpretei como um vilão. O Coringa é a própria definição do narcisismo, que é a expectativa de que seus sentimentos devem ser validados pelos outros e que todos precisam prestar atenção porque ele é a pessoa mais importante do mundo. Agora, ele não é político. Só quer adoração. O narcisismo é muito perigoso. 

Como consegue manter-se atento às dores dos outros? 

Não quero parecer estar me vangloriando, mas sempre fui muito sensível. Quando leio um jornal, não estou só absorvendo informação, mas vivenciando a vida de alguém e isso me afeta profundamente. Acho que é de mim, nasci assim.

Veja aqui o trailer oficial do novo Coringa:

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'Coringa' provoca diversas interpretações e debates antes da estreia

Para alguns, filme passa o pano para os 'incels', os homens, em geral brancos e de classe média, que exigem atenção do mundo e das mulheres

Mariane Morisawa, Especial para O Estado de S. Paulo

21 de setembro de 2019 | 16h00

VENEZA — Um dia depois da sessão de gala do Festival de Veneza – e antes, portanto, do Leão de Ouro –, o diretor norte-americano Todd Phillips se disse aliviado, mas ainda ansioso. “Quando se faz uma produção chamada Coringa, há sempre um nível enorme de expectativa”, afirmou. “Mesmo que tenhamos deixado claro que não era um filme de quadrinhos. De jeito nenhum queríamos enganar as pessoas e levar a pensar que era um longa de ação e que o Batman ia aparecer”, completou. Batman de fato não aparece, mas a família Wayne, sim. “Quisemos brincar com o cânone, por exemplo, apresentando Bruce Wayne ainda criança e seu pai, Thomas.” 

É impossível assistir a Coringa sem fazer um paralelo com os dias de hoje. “É um filme humanista, e acho que precisamos de mais desses. Então, se você assiste e vê como um espelho do que está havendo no mundo, certamente nos Estados Unidos e provavelmente no Brasil, não acho ruim”, disse o diretor, mais conhecido pela franquia de comédias Se Beber, Não Case! 

Phillips se disse empolgado com as diversas interpretações do longa-metragem. “Um amigo, por exemplo, achou que o Coringa era o Trump”, contou. “Quero deixar claro que não estou afirmando isso. Eu e o Joaquin (Phoenix) temos certa dificuldade de falar do que o filme trata. Há muitos modos de ver Coringa. E para mim isso é legal, embora seja frustrante para algumas pessoas. É o que tentamos fazer”, falou, referindo-se a poder abrir diversos temas de discussão. 

E eles são muitos, da pressão pela felicidade constante ao abismo entre ricos e pobres, da invisibilidade de tantos que não se encaixam nos moldes à doença mental sem que haja tratamento adequado, e a busca pela fama e pela adoração. 

Antes mesmo de sair de Veneza, o filme, que tem chances de emplacar algumas indicações para o Oscar, foi debatido. Para alguns, Coringa passa o pano para os “incels”, os homens, em geral brancos e de classe média, que exigem atenção do mundo e das mulheres e, se não conseguem, promovem tiroteios em massa. Se o Coringa virar um herói de pessoas assim, não seria a primeira vez. “É uma terrível má interpretação do filme”, explicou Phillips. “Mas pode acontecer e não há como controlar.” 

Elogiado astro do primeiro filme sobre o arqui-inimigo do Batman, Joaquin Phoenix tentar entender a cabeça de pessoas como Arthur Fleck, o comediante perturbado e fracassado que depois se torna o macabro Coringa. “Não deveríamos fazer isso, compreender gente que não compartilha nossos valores e opiniões?”, questionou o ator que foi muito aplaudido após a exibição de Coringa no Festival de Veneza, além de ser unanimemente elogiado pela crítica.

“Quero que as pessoas tenham uma reação visceral, mas certamente não posso ditar como as pessoas vão assistir a um filme”, revelou o astro que emagreceu 23 quilos para viver o personagem sombrio. Como ele afirmou, as discussões são importantes. E reiterou: “O Coringa é um vilão”. 

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'Coringa' joga fora o manual dos filmes de quadrinhos

Filme de Todd Phillips exibido no Festival de Veneza traz Joaquin Phoenix em estado de graça num estudo de personagem e história de origem do vilão da DC

Mariane Morisawa, Especial para O Estado de S. Paulo

31 de agosto de 2019 | 12h18

VENEZA – Coringa não é um filme de super-herói como os outros – e não apenas por tratar de um vilão da DC. O longa-metragem de Todd Phillips prescinde das cenas de ação espetaculares, das lutas sem fim, das explosões e dos prédios derrubados, com milhares de vítimas civis invisíveis. Para quem tinha alguma dúvida, faz todo o sentido o filme estar na competição do 76.º Festival de Veneza, onde foi exibido na manhã deste sábado, 31, tratando de temas relevantes como identidade, empatia, saúde mental e do abismo entre quem tem muito e quem não tem nada. Indicações ao Oscar também não devem faltar. 

A história evita a repetição das várias aparições cinematográficas recentes do personagem, de Heath Ledger em Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008) a Jared Leto em Esquadrão Suicida (2016), contando a transformação gradual de Arthur Fleck (Joaquin Phoenix, candidatíssimo à Coppa Volpi de melhor ator e ao Oscar na categoria) em Coringa. É um estudo de personagem e um drama realista na linha de clássicos dos anos 1970 e 1980 como Serpico, Taxi Driver e Rede de Intrigas, o que pode abrir uma nova via para os filmes baseados em quadrinhos da DC e da Marvel.

“Não entendo nada de competição com a Marvel”, disse Phillips na coletiva após a exibição. “Mas, quando concebemos a ideia, queríamos uma abordagem diferente. Não sei se vai ser uma inspiração para outros, até porque os filmes de quadrinhos parecem estar indo bem. Foi duro de convencer a DC e o estúdio a fazer. Mas agradeço à Warner por ter feito uma aposta tão ousada.”

Coringa, que estreia no Brasil em 3 de outubro, se passa, justamente, na Gotham, ou seja, Nova York, dos aos 1980, quando a cidade enfrentava problemas de violência, pobreza e lixo nas ruas, além de cortes nos programas sociais. Arthur divulga uma loja vestido de palhaço, quando um grupo de garotos lhe toma a placa e dá uma surra. Não vai ser a primeira vez que ele será visto no chão. Arthur sofre de problemas de saúde mental, entre eles uma condição que o faz rir descontroladamente – especialmente quando, na verdade, quer chorar. Mas é carinhoso com a mãe, Penny (Frances Conroy), que vive no passado esperando o reconhecimento de um poderoso na cidade. 

O maior sonho de Arthur é ser comediante de stand-up e fazer os outros rirem, de preferência participando do programa de Murray Franklin (Robert De Niro). “Minha mãe sempre me diz para sorrir e fazer uma cara feliz”, ele diz. A violência existe, mas é pontual e causa impacto quando acontece. “Meu desejo é que fosse tudo em fogo brando”, disse o diretor. "John Wick tem muito mais violência. Como tentamos fazer de maneira realista, quando ela ocorre, é um soco no estômago.” 

Phoenix afirmou ter evitado encaixar o personagem numa personalidade específica. “Não queria defini-lo. Muitas vezes explorei suas motivações e terminei recuando. Queria que ele tivesse mistérios.” Mesmo depois de assistir, Coringa é um personagem inclassificável. Mas, para o ator, cuja imagem pública é de um homem angustiado, a atração de Arthur era sua luz. “Sua luta para encontrar a felicidade, a conexão, o calor humano, o amor.” Para Phillips, este Coringa não quer ver o mundo arder. “Ele está procurando sua identidade e quer ser adulado, trazer alegria ao mundo. Vira líder por engano.” 

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Análise: Coringa é o louco maquiado que sempre rouba a cena

No início, era um psicopata, verdadeiro gênio do crime; passou por bandido bobo e atrapalhado e nas suas últimas encarnações assumiu faces ambíguas

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

21 de setembro de 2019 | 16h00

Personagem fictício criado por Jerry Robinson, Bill Finger e Bob Kane na DC Comics, o Coringa, ou The Joker, apareceu pela primeira na revista do Batman # 1, de abril de 1940. Rapidamente, tornou-se um dos vilões preferidos do público. No início, era um psicopata, verdadeiro gênio do crime, que utilizava sua habilidade em engenharia química para produzir misturas letais. Mau, muito mau, e aquele sorriso esculpido no rosto fez dele o pesadelo de muitas crianças.

No fim da década de 1950, por pressão do Comics Code Authority – o código de censura dos quadrinhos –, converteu-se num bandido bobo e atrapalhado, e como tal foi retratado por Cesar Romero na TV e no cinema, e no Batman de Leslie H. Martinson, com Adam West como o herói mascarado.

Aquele era um Homem-Morcego inocente e o diretor incorporava o humor camp da TV e dos quadrinhos, com direito a balões com as expressões características do herói e seus vilões (além do Coringa, também o Charada, o Pinguim e a Mulher-Gato).

Algo muito diferente se passou em 1989, quando Tim Burton fez seu Batman para adultos e que arrebentou na bilheteria. Michael Keaton vestia a armadura, mas o grande personagem era o vilão, Jack Nicholson como o Coringa, embora ambos, na verdade, fossem as duas faces da mesma moeda, dois malucos que perderam todo juízo, têm problemas com as mulheres, os pais e a cidade, e ameaçam destruir o mundo todo.

A grande sacada de Burton, e nisso ele fez história, foi não estabelecer fronteiras muito nítidas. Um louco de máscara e capa, outro maquiado, ou será que se pode confiar, como herói, num sujeito que se pendura em telhados e anda com aquela fantasia, bancando o justiceiro, na calada da noite?

Batman surgiu otimista, virou dark durante a Guerra do Vietnã. Comparativamente, o Coringa de Heath Ledger, no filme de Christopher Nolan – O Cavaleiro das Trevas – que lhe valeu, postumamente, o Oscar de melhor ator coadjuvante, em 2008, é mais insano (de volta às origens?) e o de Jared Leto, em Esquadrão Suicida, de 2016, é mais palhaço sem ser deixar de ser neurótico.

Justamente, o Coringa de Jared. Nove entre dez críticos (onze entre dez?) amam falar mal dele, mas se Jared já não tivesse recebido o Oscar (por Clube de Compras Dallas, de 2014) sua interpretação talvez tivesse sido melhor entendida, e apreciada. É magnífico.

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Por que 'Coringa' será diferente de outros filmes de super-herói?

Longa estrelado por Joaquin Phoenix e dirigido por Todd Phillips tem inspirações de Martin Scorsese, Charles Chaplin e Alan Moore, e promete uma experiência diferente no cinema de super-heróis

André Cáceres, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2019 | 07h34

No dia 3 de outubro, estreia nos cinemas brasileiros o filme Coringa, que conta a origem do mais conhecido personagem da galeria de vilões do Batman. Filmes baseados em histórias em quadrinhos de super-heróis têm obtido grande sucesso de público nos últimos anos, mas raramente repetem o bom desempenho com a crítica. Por que Coringa promete surpreender?

A influência de grandes cineastas é um dos pontos que podem explicar como Coringa é um filme diferente de outras adaptações dos quadrinhos. Dirigido por Todd Phillips, que rodou a comédia Se Beber Não Case (2009) e o filme Cães de Guerra (2016), Coringa vem sendo cotado até mesmo para indicações ao Oscar 2020. No entanto, antes da confirmação de quem dirigiria o longa, em 2017, os rumores eram de que cineasta Martin Scorsese assumiria a tarefa. 

O diretor de Taxi Driver, Os Bons Companheiros e A Última Tentação de Cristo acabou não ficando com essa missão, mas Todd Phillips vem fazendo claras referências a outro filme de Scorsese com os trailers e imagens divulgados até então: O Rei da Comédia, de 1982. Ambos os enredos falam sobre comediantes de standup submetidos à pressão do fracasso, que decidem cometer um ato de insanidade. O protagonista do filme de Scorsese, Robert De Niro, estará também no elenco do filme de Phillips.

Outro diretor lendário que foi referenciado no material de divulgação do filme já revelado é Charles Chaplin. Um cartaz de Tempos Modernos e a trilha sonora de Luzes da Ribalta aparecem no primeiro trailer — vale lembrar que Luzes da Ribalta fala sobre um palhaço que perde a fama e entra em declínio.

Coringa é inspirado livremente no quadrinho A Piada Mortal, de 1988, escrito por Alan Moore e com arte de Brian Bolland. A obra foi a primeira a oferecer a origem do Coringa, até então um mistério na DC Comics. Ele era um engenheiro que abandonou a carreira para se tornar um comediante de standup frustrado. Para sustentar sua mulher grávida, ele acaba envolvido em um roubo na fábrica em que trabalhava, mas o golpe dá terrivelmente errado, sua mulher morre e ele enlouquece em uma espiral de decadência. 

Relembre a adaptação em animação de A Piada Mortal com o trailer abaixo:

O personagem apareceu pela primeira vez nos quadrinhos em abril de 1940, na primeira edição solo do Batman. Criado por Bob Kane, Bill Finger e Jerry Robinson, ele surgiu como um sujeito mais caricato no início, mas à medida que outros roteiristas e quadrinistas foram dando novos traços à sua personalidade, o Coringa se tornou mais soturno. 

A mística do personagem é outro motivo pelo qual o filme de Todd Phillips pode surpreender. O Coringa já foi interpretado por alguns dos maiores atores da história do cinema, como Jack Nicholson, que viveu o personagem na adaptação de 1989 por Tim Burton, e Heath Ledger, que marcou uma geração de fãs ao se entregar ao papel em O Cavaleiro das Trevas, de 2008, de Christopher Nolan

Relembre O Cavaleiro das Trevas com o trailer abaixo:

Outros atores não agradaram tanto ou tiveram desempenhos menos aclamados na pele do palhaço, como Cesar Romero, que deu vida a um Coringa muito mais bem-humorado e infantil na série de TV do Batman nos anos 1960, e Jared Leto, que participou de Esquadrão Suicida (2016) como um Coringa obssessivo e cheio de tatuagens. O que leva tantos astros a se debruçar sobre um personagem que é considerado maldito?

O Coringa tem essa fama, entre outros motivos, pelo seu retrospecto com os atores que o interpretaram. Heath Ledger e Jared Leto, ambos adeptos do método Staniskavski, que prega a imersão absoluta na mente do personagem para conseguir uma atuação mais verossímil, apresentaram comportamentos estranhos durante e depois das gravações. 

Ledger chegou a se trancar em um quarto de hotel e afirmou ao New York Times em 2007 que estava dormindo duas horas por noite. Ele morreu pouco depois das filmagens de O Cavaleiro das Trevas, mas sua atuação rendeu-lhe o Oscar póstumo de Melhor Ator Coadjuvante. Na época, sua entrega ao papel foi apontada como um possível motivo que teria desencadeado as crises que culminaram em sua morte por uma overdose de medicamentos. Esses boatos foram desmentidos por sua irmã Kate Ledger em 2017, na estreia do documentário I Am Heath Ledger, sobre sua carreira.

Já Jared Leto enviou presentes macabros como um porco morto e projéteis a seus companheiros de set durante as filmagens de Esquadrão Suicida. Joaquin Phoenix, também adepto do método Stanislavski, afirmou em uma entrevista recente à revista italiana Il Venerdì que assistiu a vídeos de portadores de risada patológica para se inspirar a criar a gargalhada do Coringa no novo filme.

Diferente de outros filmes inspirados no universo dos super-heróis, o longa de Todd Phillips não prima pelas cenas de ação ou pela megalomania. Assim como Logan, dirigido por James Mangold em 2017, Coringa preza por uma atmosfera mais densa e um drama psicológico, aproveitando o rico material produzido em quase oito décadas nos quadrinhos. 

Isso explica por que o filme será exibido no Festival de Cinema de Veneza, estará na programação do prestigioso Festival de Toronto e já tem boas cotações para o Oscar 2020. As altas expectativas poderão ser recompensadas ou frustradas apenas em outubro, quando os espectadores acompanharem a nova encarnação do Coringa nos cinemas.

Confira o trailer final de Coringa:

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Enquete: O melhor ator de Coringa para a TV e cinema

De quem foi a melhor interpretação para o inimigo do Batman? Ajuda a escolher

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2019 | 11h44

A chegada do novo Coringa, dessa vez estrelado por Joaquin Phoenix, promete mudar a maneira de se contar a história do grande vilão da DC. Durante o Festival de Veneza, o público testemunhou que não se trata de um filme de super-herói, como os outros.

O grande vilão e inimigo do Batman ganhou inspirações de Martin Scorsese, Charles Chaplin e Alan Moore no filme de Todd Phillips. Mas o papel de Phoenix não foi o primeiro a despertar atenção do público. Antes dele, outros atores também encarnaram a loucura do Coringa em produções para o cinema e televisão.

Relembre as produções e escolha seu Coringa favorito.

 

Cesar Romero

O primero Coringa foi de Cesar Romero, no seriado dos anos 1960, de Adam West. Sua versão era a de um palhaço mais infantil. Conta-se que o ator recusava-se a retirar o bigode e a maquiagem do Coringa era feita por cima.

 

Jack Nicholson 

O ator foi o primeiro Coringa para os cinemas. No filme de Tim Burton, Nicholson interpretou um grande mafioso e seu sorriso permanente serviria de referência para os próximas produções.

 
 

Heath Ledger 

Quando o ator de Brokeback Montain foi anunciado no papel do vilão, a reação do público não foi das melhores. Além da crítica ao visual desse Coringa, nada durou muito quando Ledger mostrou seu trabalho. O resultado foi um enxurrada de prêmios, inclusive póstumos, já que o ator morreu aos 28 anos, em 2008. 

 

Cameron Monaghan

A série Gotham estreou com o objetivo de apresentar os inúmeros vilões da cidade de Batman. Ao longos dos episódio, o ator que interpretou Jerome Valeska demonstrou que não era preciso ter o cabelo verde e a pele branca para encanar a loucura do vilão. 

Jared Leto

Muita gente apostou tudo na interpretação do vocalista da banda 30 Seconds To Mars. Seu Coringa para o Esquadrão Suicida foi bastante criticado. Com o anúncio da continuação da franquia, ficou confirmado que o ator não está escalado para o papel.

 
 

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