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Cena do filme 'Batman', de Matt Reeves, com Robert Pattinson Warner Bros.

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Consumido por vingança, Batman não está preparado para saber dos pecados do pai

Para o diretor do novo filme sobre o Homem-Morcego, Matt Reeves, uma frase é essencial: a verdade será desmascarada; veja o trailer

Imagem Luiz Carlos Merten

Luiz Carlos Merten , Especial para o Estadão

Atualizado

Cena do filme 'Batman', de Matt Reeves, com Robert Pattinson Warner Bros.

Logo no começo do novo Batman, o Homem-Morcego entra meio como penetra no cenário de um crime. O prefeito de Gotham City, candidato à reeleição, é assassinado. Seu filho, um garoto, é quem encontra o corpo. Há uma troca de olhares entre Batman e ele. O que vem, para o herói da DC, é o próprio passado, a morte brutal de seus pais, quando ele também era menino. Bruce Wayne, o alter ego do Homem-Morcego, vive preso àquele momento. O fantasma do pai o atormenta. Tornou-se vigilante em defesa da cidade, mas confessa aqui que o medo que sentiu na infância nunca o abandonou totalmente.

Na ficção de Matt Reeves - diretor de Cloverfield: Monstro e dois Planeta dos Macacos -, a onda de crimes em Gotham City se liga à corrupção da política e da polícia. Batman enfrenta o Charada, que o envolve em seus enigmas. Alfred, o mordomo, o ajuda a decifrar as charadas. Elas levam a um plano sinistro para destruir Gotham City. Vingança, renovação. São palavras-chave em Batman. Logo após a troca de olhares do início e após mais de duas horas de ação frenética - o excesso dá o tom da mise-en-scène: sombras, chuva intermitente -, Batman abre os braços para acolher o filho do ex-prefeito. É como se ele se reconciliasse consigo mesmo. No processo, ganha uma aliada, Zoe Kravitz. Um beijo mostra que poderiam ser algo mais.

 

A verdade será desmascarada

Reeves já disse que seu interesse por Batman remete a Adam West, que interpretou o papel no ano de seu nascimento, 1966. O Batman de Adam West é considerado camp, mas, para Reeves, é maneiro. Ele ainda o vê com seus olhos de menino. Houve muitos mascarados depois daquele. Na chamada para o de Reeves, uma frase é essencial. A verdade será desmascarada. Na sucessão de máscaras que caem, os vilões são revelados até o último deles. Como no Coringa de Todd Phillips, esse Charada definitivo será a expressão de uma revolta coletiva. Todo mundo armado. Bangue-bangue. Não é assim que se constrói uma democracia. 

O grande trauma para o qual Batman não está preparado é a revelação dos pecados de seu pai. Zoë também enfrenta os pecados do pai dela. Reeves já disse que quis fazer um Batman bem pessoal. Seu Homem-Morcego remete ao tormento do Cesar de Planeta dos Macacos. Num determinado momento, quando acolhe o menino, parece que ele vai realizar sua vocação de herói, liderando com a tocha a promessa da verdadeira renovação. 

Poderia ser o fim, mas Batman ainda tem mais dois ou três desfechos que, se não enfraquecem, tornam redundante o que Reeves está querendo dizer sobre o herói, e o estado do mundo. Robert Pattinson já provou que é ator de verdade. Faz, como diriam os americanos, um Batman ‘terrific’. 

 

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A evolução de Batman, de personagem cômico a sombrio em oito décadas

Novo filme protagonizado por Robert Pattinson estreia nesta quinta, 3; veja o trailer

Matheus Mans , O Estado de S.Paulo

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Cena do filme 'Batman', de Matt Reeves, com Robert Pattinson Warner Bros

Mais de 80 anos separam a Detective Comics #27, primeiro quadrinho do Homem-Morcego, da estreia do filme Batman, a mais recente produção do herói protagonizada por Robert Pattinson, nesta quinta, 3, nos cinemas - diversas salas já terão pré-estreias nesta terça, 1.º. E o personagem não poderia ter mudado mais. Ao longo dessas oito décadas, o herói apresentou diversas facetas nas HQs, buscando encontrar uma identidade definitiva e, principalmente, se adequar ao que a sociedade estava querendo, pensando e consumindo. 

A base do personagem, é claro, sempre segue um caminho bem similar: Bruce Wayne é um garoto órfão com sede de vingança. Mais do que se rebelar contra o algoz de seus pais, o rapaz quer se vingar daquela cidade que o brutaliza e o joga à margem. Quando fica adulto, e milionário, começa a encontrar possibilidades de se vingar por meio de embates travados contra figuras como o Coringa, Pinguim, Duas Caras, Senhor Frio, Charada e Ra’s al Ghul.

As leituras dessa história, porém, são bem distintas. “(Nos quadrinhos), começou como lenda urbana e vingador impiedoso, passando depois para um divertido cavaleiro mascarado e um detetive com rígido código moral. Mais adiante, sofreu por amor, lutou contra perdas de entes queridos e crises existenciais, se mostrou paizão de muitos e testou a sua eterna missão de todo jeito”, diz Sílvio Ribas, jornalista e autor do Dicionário do Morcego. “O curioso é que todas essas faces e fases são respeitadas e igualmente válidas.”

Os traços dos quadrinistas que davam vida para o Homem-Morcego nas páginas da DC Comics também se transformaram. Ao comparar com o Batman dos anos 1940 com revistas mais atuais, percebem-se traços mais rebuscados e uma busca constante por um tom cada vez mais sombrio. “O personagem teve a chance de amadurecer em suas histórias e em seus conceitos junto com a sua base de fãs”, comenta o quadrinista brasileiro Ivan Reis, conhecido por desenhar fases aclamadas das HQs de Aquaman e Lanterna Verde.

Sombras

O cinema e a televisão, enquanto isso, acompanharam a movimentação. A série do personagem, nos anos 1960, tinha um ar mais cômico e até detetivesco, com Adam West, Burt Ward e Cesar Romero fazendo tipos mais caricatos. Depois, Tim Burton assumiu os filmes do personagem, já perto dos anos 1990, com uma abordagem gótica. Ou seja: sombria, mas ainda um pouco bizarra, estranha e cômica. Quando Joel Schumacher assumiu a batuta, porém, tentou jogar mais humor na história. Foi um absoluto fiasco de público e crítica.

As sombras só chegaram com força em 2005, novamente acompanhando uma movimentação dos quadrinhos, quando Christopher Nolan deu uma visão pessimista na trilogia que dirigiu. Além das sombras, uma certa dose de violência chegou em Batman vs Superman, uma das visões mais brutais do personagem. Agora, com o manto nas costas de Robert Pattinson, a trama deve colocar esse sombrio no coração e na mente do herói. 

Rebeca Cambaúva Leite, autora do livro Batman: O Bruce Wayne de Tim Burton e Christopher Nolan, acredita que dificilmente esse tom irá mudar. “Não acredito que seja uma fase. Vejo que a faceta sombria do Morcego veio para ficar. Esses movimentos de adaptação estão igualmente ligados à necessidade de adaptação do próprio personagem em atender as demandas de uma nova sociedade”, diz. “A cultura pop está em constante evolução. Afinal, só pode ser considerada ‘cultura’ a partir do momento em que ela acompanha os hábitos e tendências daquela sociedade. Batman, por sua vez, fez o mesmo movimento e se adaptou de acordo com as novas demandas históricas e sociais.”

Além disso, pensando na recepção do público, o sucesso de filmes e séries sempre foi maior em produções mais sombrias. Batman: O Cavaleiro das Trevas, produção sempre lembrada pela presença premiada de Heath Ledger como o vilão Coringa, tem uma nota 9 no agregador e banco de dados IMDb.

“O Batman, assim como o universo em geral de histórias em quadrinhos, tende a retratar o período em que vivemos, as dúvidas e angústias de uma geração. Essa visão mais séria e sombria retrata muito bem um momento atual onde se militariza a estética e se busca um mundo de história mais realista. Batman já foi retratado como sombrio em outros filmes, porém com uma abordagem mais fantasiosa”, relembra o quadrinista Ivan Reis, em entrevista ao Estadão.

Além de Bruce

Além disso, para entender melhor essas transformações, vale a pena também analisar Gotham, a cidade do Homem-Morcego. Afinal, ela serve como uma base para que os roteiristas, seja nos quadrinhos ou nas telas, façam o desenvolvimento completo do herói. “Gotham é uma personagem poderosíssima. Para contemplar aquela nova atmosfera de sombra, morte e vingança acerca de Batman, seria necessário que o espectador compreenda aquela cidade adoecida, contaminada e gritando por socorro”, continua Rebeca. “A proposta ficou tão redonda que funcionou como um divisor de águas na história da personagem e de suas bases fundamentais.”

Curiosamente, apesar de tantas transformações e tantos traços adotados, Batman continua sendo um ícone para muitos e um dos personagens mais amados, adaptados e influenciáveis em toda a cultura pop. Por quê? André Azenha, jornalista e organizador do evento brasileiro Batman Day, arrisca. “Ele não tem superpoderes e mesmo assim decide lutar por justiça”, comenta Azenha. “Ele é milionário, e pouca gente poderia se identificar neste sentido, mas muita gente gostaria de ser milionária e poder imaginar o que poderia fazer com tanto dinheiro e por que não fazer justiça, tentar fazer o mundo melhor?” 

Personagens do novo 'Batman', com Robert Pattinson:

 

 

 

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Robert Pattinson vive sonho de infância com 'The Batman'

O ator disse que passou a 'infância inteira' vestido de Batman e agora vive o personagem em novo filme

Sarah Mills, Reuters

24 de fevereiro de 2022 | 07h42

Robert Pattinson costumava se vestir de Batman em sua "infância inteira". Agora, o ator britânico está prestes a estrear sua versão do personagem no mais recente filme sobre o super-herói.

"Isso é bizarro para mim", afirmou Pattinson, de 35 anos, no tapete vermelho para uma exibição em Londres de The Batman, nesta quarta-feira, 23. "Eu ficaria tão curioso para saber o que meu eu de infância pensaria sobre isso." A estreia de The Batman no Brasil será no dia 3 de março.

Pattinson, que alcançou fama mundial com os filmes Crepúsculo, segue os passos de Adam West, Val Kilmer, Michael Keaton, Christian Bale e, mais recentemente, Ben Affleck, entre outros, ao interpretar Bruce Wayne/Batman.

“O legado dos atores que interpretaram (Batman), todos eles foram partes tão importantes da minha vida e do meu interesse por filmes e o motivo de querer ser ator em primeiro lugar”, disse Pattinson.

"É simplesmente incrível fazer parte do mesmo círculo", disse ele, observando que atuar com uma máscara foi "surpreendentemente difícil". "Eu cresci com Adam West (interpretando Batman). Eu acho que minha fantasia quando eu era criança era uma de Adam West."

No novo filme, Batman investiga a corrupção em Gotham após os assassinatos de várias figuras importantes pelo sádico serial killer Charada.

"Existem ótimos filmes do Batman e é um personagem que todo mundo adora... então, para mim, você não o aborda sem uma forte dose de terror", disse o diretor Matt Reeves.

"De certa forma, é um filme de terror psicológico, é um thriller, é um filme de serial killer e também é uma espécie de grande história de amor."

O elenco também inclui Colin Farrell, Andy Serkis e Paul Dano. Zoë Kravitz interpreta Selina Kyle/Mulher-Gato.

 

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‘The Batman’: Robert Pattinson recebeu conselho inusitado de Christian Bale

O antigo intérprete do Batman deu conselhos a Pattinson sobre o traje do Homem-Morcego

Rafael Nascimento, ESPECIAL PARA O ESTADÃO

22 de fevereiro de 2022 | 19h45

O ator Robert Pattinson, recebeu conselhos de Christian Bale sobre o traje do Batman no novo filme do personagem protagonizado por Pattinson. Em entrevista ao programa Jimmy Kimmel Live!, o artista revelou que os atores se encontraram em um banheiro e Bale deu uma dica inusitada ao novo Homem-Morcego.

Christian relatou ao colega que o traje de Batman nos filmes dirigidos por Christopher Nolan não era removível facilmente, o que demandava ajuda de outras pessoas para que o ator pudesse ir ao banheiro. 

"Estava com um pouco de medo de perguntar qualquer coisa, mas esbarrei em Christian Bale, fiquei ao lado dele em um mictório, e isso o inspirou a dizer: 'Antes de tudo, você precisa descobrir uma maneira de fazer xixi com o traje,'" disse Pattinson.

O conselho fez com que o novo Batman pedisse algumas mudanças no figurino do personagem, principalmente para facilitar as idas ao banheiro: "Quando entrei no departamento de figurino, pensei: 'Preciso de um remendo. Preciso de uma aba nas costas. Fácil acesso. Velcro. Faria xixi sentado.'"

The Batman é dirigido por Matt Reeves e estrelado por Robert Pattinson no papel de Bruce Wayne. A estreia do longa-metragem está prevista para 3 de março de 2022.

O elenco conta ainda com Zöe Kravitz como Mulher-Gato, Paul Dano como Charada, Colin Farrell no papel do Pinguim, Jeffrey Wright como Jim Gordon, Andy Serkis como Alfred Pennyworth, Barry Keoghan como Stanley Merkel e outros.

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