Marcio Fernandes/Estadão
Marcio Fernandes/Estadão

Conhecido pelos papéis cômicos, Marcos Veras faz personagem denso no cinema

Ator protagoniza o filme 'O Filho Eterno'

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

04 Dezembro 2016 | 04h00

O humor não é a única faceta que define o trabalho de Marcos Veras. Seu timing para a comédia, claro, fez com que ele ganhasse popularidade no extinto humorístico Zorra Total e chamasse atenção quando aparecia diariamente no programa Encontro com Fátima Bernardes. Mas Veras tem outros recursos de atuação, o que o torna um ator que pode fazer qualquer papel, do cômico ao dramático. E, cada vez mais, ele tem exercitado essas nuances de interpretação. Se antes os sinais para esse novo direcionamento de sua carreira eram mais sutis, como na novela Babilônia, em que vivia o chef Norberto, e no monólogo Acorda Pra Cuspir, texto provocador de Eric Bogosian - que volta a São Paulo em janeiro, em temporada no Teatro Nair Bello -, agora fica evidente no filme O Filho Eterno, baseado no premiado romance de Cristóvão Tezza, que acaba de entrar em cartaz.

Em seu primeiro protagonista dramático no cinema, Veras interpreta o escritor Roberto, casado com Cláudia (Débora Falabella) e que descobre que o filho tem síndrome de Down. Junto com a notícia, vêm as dúvidas, os receios - e uma nova forma de ver o mundo. “O Roberto é um escritor ainda não publicado. Então, por trás disso, há uma frustração profissional também, acompanhada de uma imaturidade, de alguns conflitos emocionais e profissionais. Ele joga todas as expectativas de mudança de vida no filho”, observa Veras, em entrevista ao Estado. “Esse filho vem com síndrome de Down. E aí é como se todos os planos que ele tinha na cabeça fossem por água abaixo. Ele não aceita aquilo, é um choque.”

Mesmo sendo conhecido justamente pelo viés do humor, Veras recebeu o convite para o papel, ele conta. Sobrinha de Paulo Machline, diretor do O Filho Eterno, Giovanna Machline dirigiu Veras em Babilônia e, como participou também do processo de seleção do elenco, ela sugeriu o nome do ator. “Ela foi uma das que primeiro falou do meu nome para o Paulo. Ele, inicialmente, achou ousado, mas depois veio me falar que escolheu meu nome porque ele me considera um ator solar, não queria trazer um ator mais denso. Achou que eu poderia trazer leveza para esse personagem tão conflituoso”, afirma o ator carioca, de 36 anos - e de 16 de carreira. 

“Foi uma junção de vontades de ambas as partes. Eu já vinha jogando para o universo que queria fazer coisas diferentes, e venho fazendo, sem abandonar a comédia, porque é algo que amo fazer. Tenho o maior orgulho de ser comediante, mas, antes de ser comediante, eu sou ator. O Acorda Pra Cuspir é uma peça que também faz parte dessa minha mudança, desse movimento. Acho que é natural o público te colocar no lugar do comediante. É legítimo, é natural, porque você vem fazendo isso. Acho comédia muito difícil e sublime, e continuarei fazendo”, completa ele.


Sucesso. Marcos Veras iniciou a carreira no teatro e, em meio aos espetáculos infantis que fazia, foi parar num teste para ator na Rádio Tupi. Lá ficou por 10 anos. “Na rádio, talvez eu tenha começado minha relação mais forte com o humor. Criei personagens de humor, escrevi humor.” Em 2008, estreou seu stand up Falando a Veras, que está no seu repertório até hoje. “Foi um divisor de águas para mim, porque me colocou no mercado de comédia. É meu e posso voltar com ele a qualquer momento.” Ele lembra ainda da entrevista que deu no Programa do Jô nessa época - e que repercutiu muito bem. Em 2010, foi entrevistado novamente pelo apresentador. Os dois se tornaram amigos. Em 2011, Jô Soares convidou Veras para fazer a peça Atreva-se. Na comédia, dirigida por Jô, o ator contracenava com a mulher, a atriz e comediante Júlia Rabello. “O Jô tem uma importância muito grande na minha carreira. Ficamos dois anos em cartaz, foi um sucesso.”

Quando estreou a peça, Veras já fazia parte do elenco do Zorra Total, na Globo, onde entrou em 2009 e se revezou em vários personagens - incluindo imitações hilárias de Luan Santana e Caetano Veloso. E o que o levou até o Zorra? “Acho que foi tudo ao mesmo tempo. O produtor de elenco do Zorra já conhecia meu trabalho no teatro. Acho que Falando a Veras reforçou algo de humor que ele estava precisando para o programa. Estreei fazendo o filho do Agildo Ribeiro. Eu fazia um mafioso gay italiano, foi muito divertido”, diz Veras. “Fiquei no Zorra por 3 anos. Tive necessidade de sair, para fazer outras coisas.”

Veras concorda que o Zorra deu um impulso importante na carreira, mas acha que o programa Encontro com Fátima Bernardes lhe trouxe “uma popularidade maior”. Antes conhecido como o ator do Zorra, passou a ser reconhecido como Marcos Veras. “Fiz de tudo: apresentei, escrevi, fiz reportagem, cobri férias da Fátima. Foi uma experiência incrível. Fiquei 3 anos. Minha saída foi em comum acordo.” Depois, vieram Babilônia, mais teatro, papéis no cinema. Em 2017, ele poderá ser visto em dois longas. Está também escalado para a próxima novela das 7, Pega Ladrão, em que viverá um investigador de polícia ligado à trama principal. “Toda a minha carreira foi construída tijolo por tijolo. Tenho muito orgulho.”

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