Peter Fisher/The New York Times
Peter Fisher/The New York Times

Conheça alguns dos 3.200 sons secretos de 'Duna': sucrilhos e microfone subaquático na areia

Denis Villeneuve e os engenheiros de som de 'Duna' falam sobre os efeitos sonoros do filme; veja o vídeo

Kyle Buchanan, The New York Times

18 de março de 2022 | 11h08

Duna está nos detalhes, e Denis Villeneuve conhece quase todos eles. O cineasta franco-canadense cresceu obcecado com o romance seminal de ficção científica de Frank Herbert e passou os últimos anos de sua vida adaptando esse livro de 1965 para uma franquia de filmes. A primeira parte saiu em outubro e a segunda começará a ser filmada ainda este ano. Então, se houver algo que você queira saber sobre o funcionamento interno de Duna, Villeneuve é o homem a perguntar.

Mas na semana passada, em Malibu, Califórnia, enquanto se divertia observando uma caixa de cereal azul, Villeneuve admitiu que um detalhe importante lhe havia escapado até agora.

"Estou aprendendo hoje que havia Rice Krispies em Duna", ele disse.

Estávamos em Zuma Beach no tipo de tarde quente de março que os leitores de Nova York certamente prefeririam que eu não mencionasse, e os editores de som de Villeneuve indicados ao Oscar, Mark Mangini e Theo Green, estavam por perto, despejando cereais na areia. Isso não era para provocar nenhuma gaivota; Mangini e Green queriam demonstrar as técnicas de coleta de som que usaram para avivar Arrakis, o planeta deserto onde o herói de Duna Paul Atreides (Timothée Chalamet) descobre seu destino.

“Uma das imagens mais atraentes do filme é quando Paul pisa pela primeira vez no planeta”, disse Mangini. Como a areia de Arrakis é misturada com “especiaria”, uma substância valiosa e alucinógena, os designers de som tiveram que encontrar uma maneira audível de transmitir que havia algo especial sob os pés.

Para me explicar, Mangini pisou com sua bota de trabalho na areia macia que ele havia polvilhado com Rice Krispies. A areia produziu um ruído sutil e sedutor, e Villeneuve abriu um grande sorriso. Apesar de ter ouvido isso muitas vezes na pós-produção, ele não tinha ideia do que os designers de som tinham inventado para capturar aquele som.

“Uma das coisas que eu amo no cinema é o cruzamento entre o tipo de tecnologia da NASA e fita adesiva”, disse Villeneuve. “Usar um microfone super caro para gravar Rice Krispies – isso me emociona profundamente!”

Duna está cheio daqueles ruídos inteligentes e secretos, quase todos derivados da vida real: dos 3.200 sons personalizados criados para o filme, apenas quatro foram feitos exclusivamente com equipamentos eletrônicos e sintetizadores. Green observou que, em muitos filmes de ficção científica e fantasia, há uma tendência a indicar o futurismo usando sons que nunca ouvimos antes.

“Mas Denis achava que este filme deveria parecer tão familiar quanto certas áreas do planeta Terra”, disse Green. “Não estamos colocando você em um filme de ficção científica, estamos colocando você em um documentário sobre pessoas em Arrakis.”

Para esse fim, Green e Mangini fizeram uma expedição inicial ao Vale da Morte para coletar ruídos naturais que poderiam ser usados posteriormente para a paleta sonora do filme. “Quando o público ouve um som acústico, há uma caixa subconsciente que é acionada e diz que isso é real”, disse Mangini. Mas dentro dessa realidade, Mangini não tem medo de forçar um pouco as coisas: enquanto trabalhava em Mad Max: Estrada da Fúria, pelo qual ganhou um Oscar, Mangini misturou os sons de animais morrendo com a batida do veículo mais formidável do filme.

Para outra demonstração sobre Duna, ele começou a enterrar um pequeno pedaço de microfone na areia. “Este é um microfone subaquático, um hidrofone”, explicou Mangini. “É o tipo de coisa que você normalmente jogaria no oceano para gravar uma baleia jubarte, mas encontramos outra maneira de usá-lo.”

Em Duna, os personagens usam um dispositivo chamado thumper para bater ritmicamente na areia e convocar enormes vermes de areia. Para obter esse som, Mangini e Green enterraram seus hidrofones em diferentes profundidades no Vale da Morte, depois usaram uma marreta para bater na areia acima do microfone enterrado.

“Também gravamos acima do solo para obter o som real do impacto”, disse Mangini, demonstrando seu método para mim com algumas pancadas afiadas na areia de Zuma Beach. “Cada um desses hits é o ka-dunk do thumper, como você vê no filme.” /TRADUÇÃO LÍVIA BUELONI GONÇALVES

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