Conflito no Oriente Médio é tema de documentário de Oliver Stone

Em fevereiro, durante o Festival de Berlim, quando conversou com a reportagem do Estado a propósito de seu documentário sobre Fidel Castro - Comandante! -, Oliver Stone já havia anunciado que, em maio, iria ao ar, pela HBO, outro documentário que fez no ano passado. Stone errou a data. Persona non Grata foi ao ar pela HBO americana na quinta-feira. Dura 67 minutos. O dia pode ter sido errado em relação ao que anunciara o diretor, mas não poderia ter sido mais certo, em termos de timing. Na capa do The New York Times, o presidente George W. Bush promovia o aperto de mãos entre o primeiro-ministro israelense Ariel Sharon e o primeiro-ministro palestino Mahmoudc Abbas e a manchete do jornal anunciava que Israel e os palestinos haviam concordado em dar o primeiro passo em direção à paz no Oriente Médio.É o tema do documentário de Stone. Munido de várias câmeras, ele foi ao Oriente Médio em março do ano passado, para entrevistar os líderes políticos mais importantes da região e tentar entender o nó górdio em que se transformou essa região sempre conflituada da Terra. Com sua fama de polemista profissional e filmes políticos como JFK - A Pergunta Que não Quer Calar e Nixon no currículo, além de outros, não menos políticos, sobre a Guerra do Vietnã (Platoon e Nascido em 4 de Julho), Stone desembarcou no Oriente Médio com as portas já abertas, à sua espera. Bem, algumas portas não se abriram: justamente a de Yasser Arafat, o lendário dirigente da OLP, a Organização para a Libertação da Palestina.Stone ficou seis dias no Oriente Médio. No sétimo, como Deus, descansou. A comparação talvez não seja exagerada. Persona non Grata é menos um documentário sobre a situação do Oriente Médio que um documentário sobre Oliver Stone tentando fazer um documentário sobre o Oriente Médio. Ele é o protagonista de seu filme, não importa quem esteja entrevistando. Só não foi assim em Comandante! porque, em matéria de showman, Stone é principiante perto de Fidel.Como Michael Moore em seu melhor documentário, Roger and Me - em que ele passa o tempo todo correndo atrás do executivo da General Motors, tentando ouvir suas explicações sobre o fechamento de uma fábrica que vai deixar 30 mil pessoas desempregadas -, Stone também corre agora atrás de Arafat, ouvindo as recusas de seus assessores e, pelo menos uma vez, do lendário político. Como todo filme do diretor, Persona non Grata é um exercício de linguagem, um show de edição misturando entrevistas e novas imagens de explosões, tanques e ambulâncias. Você poderá não saber muito mais do que já sabe sobre o Oriente Médio, mas saberá o quanto é difícil, mesmo para Oliver Stone, fazer um filme sobre o assunto.

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