Markus Schreiber/AP
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Israelense Nadav Lapid vence Urso de Ouro em Berlim; veja vencedores

Júri liderado pela atriz francesa Juliette Binoche distribui as estatuetas

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2019 | 17h37

BERLIM/ENVIADO ESPECIAL - Na entrevista que deu ao Estado, a presidente do júri, atriz Juliette Binoche, disse que não se via premiando um filme dirigido por mulher somente para seguir a agenda feminista em voga na indústria, com sucessivos movimentos de afirmação feminina. Para o gosto pessoal do repórter, que torcia por dois filmes – Ondog, do chinês (mongol) Wang Quanan, e God Exists, Her Name is Petrunya, de Teona Strugar Mitvast -, as escolhas não poderiam ter sido mais discutíveis, quando não desastrosas.

O prêmio à melhor contribuição artística para a fotografia de Out Stealing Horses, de Hans Petter Moland, destacou, a despeito das belas paisagens, um dos piores filmes do evento. O de direção para a alemã Angela Schanelec, anunciado pelo chileno Sebastián Lelio – de Uma Mulher Fantástica -, premiou um filme esquisito, I Was at Home, But, mas que não se pode dizer que seja ruim. Os prêmios de interpretação para o casal chinês de So Long, My Son, de Wang Xiaoshuai – Yong Mei e Wang Jingchun -, podem ter sido excessivos, mas o filme é forte e não podederia ser ignorado. O júri premiou o roteiro de La Paranza dei Bambini, de Claudio Giovannesi, coescrito, entre outros, pelo autor do livro, o italiano Roberto Saviano.

Finalmente, o Urso de Ouro de melhor filme foi para Synonymes, de Nadav Lapid, que, na véspera – sexta, 15 – já recebera o prêmio da crítica. Muito se discutirá essa escolha, mas o diretor fez um filme parcialmente biográfico sobre um jovem israelense que foge para Paris para se distanciar de suas origens. Navad disse que seu filme expõe Israel no governo direitista de Benjamin Netanyahu. Só isso já incita a gostar de Synonymes.

Confira a lista completa de vencedores:

Urso de ouro - melhor filme: Synonymes, de Nadav Lapid.

Prêmio do júri: By the Grace of God, de François Ozon.

Prêmio Alfred Bauer: System Crasher, de Nora Fingscheid.

Melhor diretor: Angela Schanelec (I Was at Home, But).

Melhor atriz: Yong Mei, em So Long, My Son, de Wang Xiaoshuai.

Melhor ator: Wang Jingchun, em So Long, My Son, de Wang Xiaoshuai.

Melhor roteiro: Maurizio Braucci, Claudio Giovannesi e Roberto Saviano, por

Piranhas, de Claudio Giovannesi.

Contribuição artística: Rasmus Videbæk, pela fotografia de Out Stealing Horses, de Hans Petter Moland.

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