Confira a novíssima onda de vampiros lights nas telas

Sucesso da série 'Crepúsculo' na TV e 'Lua Nova' no cinema são principais marcos da temporada

Luiz Carlos Merten, de O Estado de S. Paulo,

14 de novembro de 2009 | 01h00

Kristen Stewart e Taylor Lautner, que vieram a São Paulo para o lançamento de Lua Nova. Foto: Divulgação

 

SÃO PAULO - Para isso existem twitter, blogs, e-mails - para estimular a comunicação instantânea. Tão logo descobriram que Kristen Stewart e Taylor Lautner viriam a São Paulo para o lançamento de Lua Nova, os fãs se mobilizaram. Há exatamente dois sábados, havia uma multidão à espera da dupla no aeroporto de Guarulhos. A saída discreta, armada em conjunto com a Polícia Federal, malogrou devido a um incidente na imigração - Kristen teria se exasperado com o agente que lhe fazia muitas perguntas. Os dois atores saíram do aeroporto no meio dos fãs, houve tumulto, o carro foi cercado. No domingo, os fãs amanheceram diante do hotel da Marginal que acolhia a dupla - muitos nem dormiram e passaram a noite em vigília.

 

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Tamanha adoração é rara entre fãs de cinema e muito mais característica do culto que acompanha os astros e estrelas da música pop. Kristen Stewart, afinal, não é nenhuma Madonna - que, por sinal, esteve rapidamente na cidade durante a semana, despertando mais furor na mídia que no público - e Taylor... Quem? Se você não sabe está por fora. É verdade que o tumulto teria sido muito maior se, com eles, estivesse Robert Pattinson, que faz Edward, o vampiro da série Crepúsculo, criada pela escritora Stephenie Meyer. O frenesi daquele final de semana na cidade foi a prova de quanto a franquia mobiliza os jovens no País. E não é só aqui. O fenômeno é mundial.

 

Crepúsculo, o primeiro filme da série dos vampiros românticos, chega hoje à TV paga, no Telecine Premium, às 22 horas. Lua Nova estreia na próxima sexta-feira em cinemas de todo o País. Será um megalançamento - mais de 400 cópias. A brasileira Roberta Augusto acompanhava Kristen e Lautner, que trouxeram seguranças próprios desde os EUA. Formada em Marketing, ela desembarcou em Los Angeles para fazer um curso de negócios no cinema. Arranjou um estágio na empresa produtora Summit, virou bambambã lá dentro. Roberta vem acompanhando o processo criativo da série - o terceiro filme, Eclipse, acabara de ser filmado e, a essa altura, já começou a ser montado. Para Roberta, foi um golpe de sorte que a Warner tenha desistido da saga Crepúsculo, permitindo que a Summit se apropriasse dessa verdadeira mina de ouro. Crepúsculo, o primeiro filme, fez quase 3 milhões de espectadores no País, mas a franquia ainda não havia estourado. Em qualquer Bloomingdale’s de shopping nos EUA você encontra atualmente seções inteiras de produtos franqueados com a marca. No Brasil, são os álbuns, à venda em bancas que atraem os tietes. Roberta revela a expectativa da Summit - e da Paris, que distribui o filme no Brasil. Lua Nova pode chegar aos 7,5 milhões de espectadores. Tudo isso?

 

Quem já leu Lua Nova, o segundo livro da saga Crepúsculo, sabe que nas últimas páginas do livro Edward e Bella, que formam o casal protagonista, discutem por que ela está lendo O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Bronte. O livro é um dos clássicos da literatura inglesa, mas Edward contesta que o casal de amantes, Heathcliff e Catherine, seja colocado no mesmo plano de Romeu e Julieta e Elizabeth e Darcy (de Orgulho e Preconceito), como representações do romantismo. Edward contesta Bella, dizendo que a história de O Morro dos Ventos Uivantes é de ódio, não é amor.

 

O leitor jovem pode nem prestar muita atenção no que Edward e Bella dizem, mas quem está falando ali, na naquele momento, não é só o rapaz, mas a própria escritora Stephenie Meyer. Formada em literatura inglesa, ela põe ali um toque pessoal e quem sabe uma pitada de polêmica, ou então está só querendo provar, para si mesma e para os outros, que sabe das coisas. Stephenie é hoje uma das 100 personalidades mais influentes do mundo, e isso só por causa da saga Crepúsculo. Já virou lenda urbana a história sobre como ela teve um pesadelo, acordou, foi correndo para seu computador e começou a esboçar a história da garota de classe média que se sente atraída por seu colega, e ele é um vampiro.

 

Vampiros de classe média, um tanto assépticos?  Mas a verdade é que toda essa devoção do público exige investimento. O primeiro livro, e até o filme, podem ter sido espontaneamente descobertos pelo público. Agora, já tem marketing pesado em cima. Roberta Augusto, da empresa Summit, estima que Lua Nova poderá mais do que duplicar o público de Crepúsculo nos cinemas brasileiros, atingindo 7,5 milhões de espectadores. O investimento está sendo pesado para garantir que isso ocorra e a TV tem sido aliada, não só a rede Telecine. A Globo fez um concurso, O Desafio do Vampiro, cujo desfecho teve pico de audiência dentro do Fantástico, dia 1º. O sucesso se reflete na venda antecipada, que atingiu 95 mil ingressos na rede Cinemark, bem mais do que o fenômeno Harry Potter. Lautner é mero coadjuvante em Crepúsculo, hoje à noite, na TV paga. Em Lua Nova, Pattinson é herói que quase não se vê. Lautner - o lobisomem - cresce em cena. O próprio ator passou por uma transformação.

 

Ele conta que quase foi demitido da produção, mas conseguiu convencer o diretor Chris Weitz que poderia ganhar massa física, e rapidamente. Os garotos, na fase pré-lobisomens, passam pelo filme com barrigas tanquinhos e bíceps desenvolvidos, quase sempre sem camisa. Em tempos de Mix Brasil, a produção não se arrisca a desperdiçar o potencial de atração para um público, digamos, alternativo. Lautner, apesar do físico sarado, é meio garotão. Kristen é mais reflexiva. Um pouco para o companheiro de elenco, um pouco para o repórter, ela comenta a agitação na frente do hotel, a correria dos fãs.

 

"Temos a sorte de estar aqui, e tudo isso é maravilhoso, mas a série é maior que nós e outros atores poderiam estar provocando a mesma reação. O público não está aqui porque eu sou Bella e Taylor (Lautner) é Jacob. Talvez Robert (Pattinson) seja o mais carismático de nós todos, mas até ele acha maluco que tenha ido dormir um dia anônimo e acordado uma celebridade por causa de um vampiro que interpreta num filme de Hollywood." O repórter tenta puxar o assunto para a iconografia tradicional do gênero. Vampiros são sensuais, voam, o ato de sugar o sangue e a vida eterna mexem com fantasias profundas. Bella responde - "Isso pode valer para os velhos vampiros. Nada disso é relevante aqui. O que Stephenie (Meyer) reinventou, o que nós estamos reinventando aqui é Romeu e Julieta. Vá lá fora e pergunte para aquelas garotas. Todas gostariam que Robert (Pattinson) aparecesse e as beijasse, com todo o risco que isso implica. Só isso." O romance, portanto, predomina sobre a perversão. O sucesso da série é um sinal dos tempos.

 

Crepúsculo (Twilight, EUA/2008, 120 min.) Romance. Dir. Catherine Hardwicke. Hoje, no Telecine

Lua Nova (The Twilight Saga: New Moon, EUA/2009, 130 min.) - Aventura. Dir. Chris Weitz True Blood. HBO

Vampire Diaries, de L.J. Smith. Warner. Quintas, 21 h

 

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