Comunidade árabe-francesa conduz 'O Segredo do Grão'

Slimage Beiji é um desempregado de 60 anos que precisa do apoio familiar para montar um restaurante

REUTERS

08 de julho de 2010 | 13h04

O premiado drama O Segredo do Grão, do tunisiano Abdellatif Kechiche, é um bem-acabado retrato da identidade complexa dos franceses de origem árabe. O filme, que estréia em São Paulo e Rio de Janeiro na sexta-feira, 11, foi vencedor de quatro prêmios César (melhor filme francês, diretor, roteiro e atriz estreante), além do prêmio especial do júri no Festival de Veneza de 2007.  Veja também:Trailer de O Segredo do Grão O protagonista é Slimane (Habib Boufares), um veterano reparador de barcos no porto de Sète, entre Marselha e a fronteira espanhola. Aos 60 anos, ele acaba de ter reduzida compulsoriamente sua jornada de trabalho, o que significa não só redução dos rendimentos como a iminência da demissão.  Slimane bem que gostaria de se aposentar, mas não há a menor possibilidade. Depende dos ganhos de seu trabalho para levar a vida, ao lado da segunda mulher, Latifa (Katika Karaoui), e sua enteada, Rym (Hafsia Herzi, premiada com o César).  Junto com Rym, ele desenvolve então um novo projeto de vida - pedir a aposentadoria e, com a indenização, abrir um restaurante cujo prato principal será o famoso cuscuz marroquino. A realização deste sonho requer algumas negociações. Para abrir o restaurante, Slimane quer contar com o apoio de ninguém menos do que sua ex-mulher, Souad (Bouraouïa Marzouk), cozinheira de mão cheia que domina os segredos de um famoso cuscuz. A situação magoa Latifa, que preferia que Slimane usasse a indenização para reformar seu hotel e assumir oficialmente a relação amorosa entre os dois. O sonho do restaurante abre uma delicada disputa entre todos os familiares de Slimane. Seus cinco filhos com Souad dividem-se no apoio ao projeto do pai. Um deles, Hamid (Abdelhamid Aktouche), acha que ele deveria simplesmente voltar para a terra de seus pais, no norte da África. O pai aborrece-se com estas disputas, porque também depende do apoio dos filhos para uma outra parte do projeto - a reforma de um velho barco, que servirá como sede do restaurante. Ocupa um lugar especial na trama a enteada Rym, que vê no restaurante uma possibilidade de sua própria afirmação. Em primeiro lugar, como filha de Slimane - o que ela não é na realidade, mas gostaria de ser. Afinal, ele é a única figura paterna efetiva de sua vida. Apoiá-lo quando seus próprios filhos o criticam é, para ela, oportunidade única de consolidar esta ligação. Fora isso, o restaurante é uma oportunidade para sua própria emancipação, sua entrada na vida adulta. A mocinha tem um solo maravilhoso na parte final, quando executa um número de dança do ventre para permitir que seu pai adotivo ganhe tempo para resolver uma séria crise. Longa e sensual, a sequência, intercalada por uma busca frenética de Slimane pelas ruas da cidade, prolonga as emoções delicadas deste filme. (Neusa Barbosa, do Cineweb)

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