Melissa Munroe/Karmapro Prods/IMDB
Melissa Munroe/Karmapro Prods/IMDB

Como 'Star Wars' extraiu o máximo de lixo espacial

Cenógrafo Roger Christian, vencedor do Oscar e criador dos sabre de luz, R2-D2 e da Millenium Falcon, usou sucata na montagem dos objetos

Brian Truitt, USA TODAY

20 de abril de 2015 | 11h15

Quando pousou os olhos pela primeira vez na Millenium Falcon, no filme original de Guerra nas Estrelas (Star Wars) Luke Skywalker não pôde se impedir de murmurar, “Que tranqueira!” Ele não estava brincando.

Partes de avião e outras peças de metal de ferro-velho foram usadas para criar o cargueiro cósmico de Han Solo, uma das muitas cenográficas icônicas impulsionadas pela criatividade de baixo orçamento de Roger Christian. O cenógrafo ganhou um Oscar por seu trabalho de criar o primeiro sabre de luz, desenhar R2-D2 e fazer artesanalmente as armas distintivas da trilogia de ficção científica original de George Lucas.

Christian revisita seu tempo numa galáxia muito distante com o diretor Joe Johnston – como técnico de efeitos especiais na primeira produção de 1977 – num bônus especial como parte do The Star Wars Digital Movie Collection, que traz os seis filmes para HD digital pela primeira vez a partir de sexta-feira nos EUA.

“Este é o meu mundo, eu o amo”, diz Christian, de 71 anos, que relata boa parte de seus trabalhos mais famosos em Guerra nas Estrelas e no clássico Alien, o Oitavo Passageiro de Ridley Scott no livro Cinema Alchmist a sair em breve nos EUA. “Tenho uma excelente memória, graças a Deus. Eu me mantive saudável e ela está intacta.” Guerra nas Estrelas atingiu quatro gerações, mas era difícil para Christian pensar que ele se tornaria um clássico em meados dos anos 70 quando ele Lucas e outros se enfurnaram em Londres por quatro meses tentando imaginar como fariam o filme.

Quando decompôs o roteiro, Christian percebeu que não teria recursos para montar os cenários ou fazer armas – um problema, em particular quando se pensa que ele precisava de algo especial com o Millenium Falcon, o veículo no qual Han Solo (Harrison Ford) transporta o jovem Luke (Mark Hamill) e o mestre Jedi Obi-Wan Kenobi (Alec Guinness) à Estrela da Morte Imperial para salvar a princesa Leia (Carrie Fischer).

Christian concordou com Lucas que este mundo no espaço sideral e sua nave deviam parecer reais e gastos, por isso o cenógrafo sugeriu que ele usasse sucata para polvilhar as paredes do Falcon.

“Qualquer outro diretor teria simplesmente me demitido na hora e dito, ´Você ficou maluco`”, diz Christian. “Eu me lembro de Meredith, a mulher (do produtor) Gary Kurtz, ter vindo ao estúdio quando nós estávamos tentando fazer o protótipo de um “speeder” (o veículo voador) com rodas de carrinho de mão e pedaços de poliestireno velho, e R2D2 era uma coisinha de madeira com um laptop na cabeça, ela olhou e disse.

“Uau, isto certamente não é Hollywood, não é mesmo?” O interior do Falcon foi construído em grande parte com sobras que Christian conseguiu encontrar – ele usou assentos de um velho avião de caça para a cabine, e a criação da mesa de xadrez onde C-3PO joga xadrez com Chewbacca e outros aspectos da nave lhe tomaram “boas seis a oito semanas” trazendo mais e mais peças de aviões e desmontando-as, ele se lembra. “Olhando para as paredes, parece um pouco um submarino espacial.” Han Solo precisava de uma arma que batesse com a visão que Lucas fazia dele como um cowboy do espaço. Christian transformou velhas submetralhadoras genuínas em armas lançadora de raios, mas para a arma preferida dos rebeldes, ele usou um revolver Mauser, encontrou uma mira telescópica e mudou o cano colando um silenciador de outra arma na ponta.

Christian lembra-se de Ford a brandindo como um pistoleiro no pátio dos Estúdios EMI de Londres quando provava seu traje pela primeira vez.

“Ele a adorou.” Diretor de segunda unidade em A Vingança de Jedi de 1982 e do “capítulo anterior” (prequel) de 1999, Guerra nas Estrelas: Episódio I - A Ameaça Fantasma, Christian ficou entusiasmado ao ver o Millenium Falcon crescer na tela novamente no primeiro teaser de Guerra nas Estrelas: o Despertar da Força, previsto para dezembro nos EUA.

“Obviamente agora eles podem fazer muito mais do que podia ser feito nos dias em que era inovação, stop motion, e tentar fazer as coisas funcionarem”, diz ele.

Christian tem uma queixa: ele achou que havia alguma coisa faltando no décor do Falcon e sugeriu pendurarem alguns dados na cabine como nos carros “envenenados” de Loucuras de Verão de Lucas para dar boa sorte.

O diretor pegou um par de dados cromados que foram usados em uma cena, mas o diretor de fotografia Gilbert Taylor os proibiu no restante da tomada porque eles ficavam atravessando seu caminho.

“Eles sumiram”, diz Christian. “Mas acho que a sorte funcionou.”

TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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