Lauren Fleishman/The New York Times
Lauren Fleishman/The New York Times

Como Ian McEwan, escritor, se tornou consultor de cinema

O britânico participou de todo o projeto e da realização do longa 'On Chesil Beach', que acaba de estrear nos EUA

Stuart Emmrich, THE NEW YORK TIMES

18 Maio 2018 | 21h55

Em 2016, Ian McEwan se viu num local bastante improvável: num vilarejo à beira-mar no sul da Inglaterra, participando de ensaios com o diretor de um filme e dois jovens atores.

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O local era Dorset County, o diretor era Dominic Cooke, os atores eram Saoirse Ronan e Billy Howle e o filme era On Chesil Beach, baseado num romance de McEwan, Na Praia, publicado em 2007, que escreveu também o roteiro do filme. (O filme, que estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto, foi lançado na sexta-feira, 18, nos Estados Unidos.) 

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McEwan, de 69 anos, já teve trabalhos seus adaptados para a tela. Cinco romances escritos por ele foram levados ao cinema, como The Comfort of Strangers (Uma Estranha Passagem em Veneza) e Atonement (Desejo e Reparação), e ele mesmo fez o roteiro no caso de um deles The Innocent (O Inocente) como também escreveu roteiros de obras de outros escritores, incluindo The Good Son (O Anjo Malvado) baseado no romance de Todd Strasser) e Sour Sweet (Timothy Mo).

“Os filmes, por convenção, são a manifestação de um diretor”, disse ele em entrevista. “Quem escreve roteiros com frequência se encontra numa situação incômoda no processo. Você pode criar todo o material - cenas, personagens, a trama e todo o resto - mas fica numa posição inferior na ordem hierárquica quando as filmagens começam. Ninguém o quer por perto.”

Mas, desta vez, ele estava trabalhando com o diretor para responder às perguntas dos atores sobre os personagens que iriam interpretar - Edward e Florence, um casal recém-casado e inexperiente sexualmente em 1962 - e explicar como era repressiva a época em que a história é ambientada. (Como McEwan escreve no romance, “eles eram jovens, educados e virgens quando se casaram e viviam numa época em que conversas sobre dificuldades sexuais eram totalmente impossíveis”.)

“Não havia ninguém melhor para nos acompanhar nesse momento”, disse Ronan, referindo-se a McEwan. “Tínhamos um tempo curto para desenvolver a trama, discutir a relação e a dinâmica dos personagens antes de começar a filmar. Assim, ter Ian nos acompanhando para responder a qualquer problema nesse campo foi fantástico. Ele também foi muito aberto à nossa interpretação dos personagens e colaborou ao máximo.”

McEwan, por seu lado, disse que o período de ensaios o ajudou a refinar o seu roteiro. Ouvir os atores repetindo suas frases fez com que ele entendesse “que menos é mais - e assim fui tirando uma coisa ou outra daqui e dali”.

O que também ajudou nessa abertura no processo de produção pode ter sido o fato de que este é o filme de estreia de Cooke como diretor de cinema, já que ele passou a maior parte da sua carreira no teatro, incluindo sete anos trabalhando como diretor artístico do Royal Court Theater, tendo dirigido produções premiadas como Clybourne Park e The Crucible, e mais recentemente uma nova versão de Follies.

“Um diretor de teatro está habituado com a ideia de procurar a melhor maneira de realizar uma peça”, disse McEwan. “Eles são muito mais abertos, penso, à ideia de ter o roteirista como seu colaborador no mesmo pé de igualdade.” (Por coincidência, o outro filme de McEwan a ser lançado este ano, The Children Act, foi dirigido por Richard Eyre, ao qual ele se refere como “um autêntico homem de teatro”. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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