"Como Fazer um Filme de Amor" rende riso inteligente

Em Como Fazer um Filme de Amor, José Roberto Torero junta todos os clichês do cinema romântico. A proposta é desconstruir o jargão do gênero, as frases feitas, as situações-padrão. Assim, acompanhamos o "par romântico" formado por Denise Fraga e Cassio Gabus Mendes, e os vilões, Marisa Orth e André Abujamra. Nenhum movimento escapa ao previsível dos filmes do gênero romântico. Mas, por isso mesmo, pela ênfase seguida no repetitivo, Como Fazer um Filme de Amor consegue os seus melhores momentos, sendo por isso imprevisível, por paradoxo. Citemos dois, sem entregar o jogo a quem não o viu: uma cena de serenata, em que o sarcasmo se mescla à ternura, e uma cena de sexo, interpretada no idioma "correto".São as seqüências que exprimem melhor a inteligência do cineasta, que é também escritor e leitor de Machado de Assis. Quer dizer, alguém que preza a ironia fina, mas também deve saber que essa figura de linguagem é de uso problemático no Brasil. Apesar disso, Como Fazer um Filme de Amor passou bem pelo teste do público ao ser apresentado no Festival de Cinema do Recife e fazer o maior sucesso na grande sala do Teatro dos Guararapes, que comporta 1.500 pessoas. O melhor do filme é prestar atenção a essa colocação pelo avesso do discurso romântico e ver tudo o que ele comporta de autoritário na vida cotidiana, mas sobretudo na maneira como é idealizado pelo cinema americano. Esse filme de amor às avessas pede ao espectador um riso inteligente.

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