Marcelo Liso/AE
Marcelo Liso/AE

Como dois e dois são quadros

Dupla de irmãos OSGEMEOS, que fez cartaz da Mostra, abre exposição com arte que já levaram para as ruas

Fernanda Brambilla, Jornal da Tarde

25 de outubro de 2009 | 11h48

Não é à toa que os artistas plásticos paulistas Gustavo e Otávio Pandolfo, de 34 anos, assinam sua obra como OSGEMEOS. Assim mesmo, tudo junto, uma palavra só. É impossível saber onde a ideia de um começa e o traço do outro termina. Mais do que isso, eles dividem entre si um universo paralelo imaginário. Unidos em vida e obra, OSGEMEOS levam ao público, a partir de hoje, na Faap, um pouco do mundo de sonho que só eles conhecem.

“Eu sempre sei o que ele está pensando e vice-versa. Ele completa minhas frases”, diz Otávio, dando de ombros, como se fosse a coisa mais comum do mundo. Gustavo concorda: “Acho que essa conexão vem do começo de tudo, de dividir o mesmo líquido antes de nascer. Não me lembro de uma vez em que brigamos”.

Como criaram o Tritrêz, nome que dão ao universo imaginário de onde vêm as criaturas e as cores deslumbrantes de suas obras, eles não sabem dizer, mas é dali que sai a inspiração e os temas de suas pinturas e esculturas. Pelo que se pode ver no salão da exposição, habitam este mundo seres amarelos de roupas coloridas.

Vale reparar nos detalhes para ver como um Fusca velho foi forrado de madeira e ganhou uma grande cabeça, ou como um caleidoscópio está por trás de uma pequena janela em uma instalação. Um grande farol de mar não está no porto, mas dentro do barco. E, para os mais detalhistas, o erotismo se une ao humor em grafismos vaginais de um dos seres amarelos.

“Esse é um pedaço do nosso universo para o público ver”, conta Gustavo, que admite dificuldade em conciliar duas realidades distintas. “Para você, o que você vê aqui é normal?”, pergunta Otávio, apontando para uma tela onde uma profusão de cores embala o voo de uma das criaturas. “Para mim, esse é o mundo normal. Sempre soube que nossa missão era mostrar isso.”

As primeiras referências vieram na infância. “Tínhamos sete anos quando assistimos ao filme The Wall, do Pink Floyd”, lembra Otávio. Na periferia, os irmãos sofreram influência do grafite, um dos elementos do hip hop. “Nossa geração passava o dia na rua, com os b-boys. Não tinha internet.”

Se no começo a dupla fazia arte nos muros, hoje Otávio é categórico. “Não falamos de pichação”. Gustavo explica: “As pessoas querem associar nosso trabalho ao grafite. Não fazemos isso”. O que restou das origens está suprimido em pequenas frases quase imperceptíveis entre telas de onde transbordam cenas encantadoras. “Ostentação é crime”, diz uma delas.

Hoje refinados, OSGEMEOS expõem no exterior e são muito bem remunerados. No ano passado, coloriram a fachada do prédio da galeria Tate Modern, em Londres. Uma pintura com um recorte desse mundo onírico não sai por menos de US$ 45 mil.

Mas a intenção ainda é nobre. “Uma vez, uma pessoa viu isso e chorou. Não tem coisa melhor”, diz Gustavo. Ele não tenta explicar o que representa, mas arrisca: “Viemos passar uma mensagem positiva às pessoas. Que elas entrem e se sintam felizes.”

DIVIRTA-SE

Vertigem, de OSGEMEOS. MAB - FAAP (Museu de Arte Brasileira - Fundação Armando Alvares Penteado): R. Alagoas, 903. Abre hoje. De terça a sexta, das 10h às 20h; sáb. e dom., das 10h às 17h. Grátis

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