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Comic Con traz à cidade criadores de blockbusters

Edição brasileira do evento norte-americano contou com pré-estreias e debates com estrelas do universo pop

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

07 Dezembro 2014 | 21h00

Havia adultos vestidos de romanos ou jedis, jovens com maquiagem de mortos-vivos ou que colocava em seus rostos o sorriso deformado do Coringa. Muita gente esquisita, feliz. Modelada segundo a Comic Con de San Diego, a de São Paulo levou muita gente ao salão de exposições da Imigrantes no fim de semana. O trânsito parou na região - mais ainda - e, na hora de voltar, a fila de táxis exigia uma paciência de super-herói. No interior do hangar, o público foi fundo na proposta de viver a experiência da Comic Con. Havia filas para tudo. Comprar gibis, livros, brinquedos, falar com animadores. Os stands das editoras, das menores às maiores - Marvel -, estiveram sempre lotados.

The Walking Dead 2 foi o álbum mais vendido no sábado, seguido do 3, do 4 e do 1, mas One Piece e Dragon Ball também estiveram (muito) bem cotados. As majors, como já fazem em San Diego, nos EUA, aproveitaram a vitrine da Comic Con Experience para vender seus blockbusters. A Disney fez no sábado o evento Big Hero. Trouxe a São Paulo o diretor Don Hall e o produtor Roy Conli, que conversaram com o público após a exibição. Ontem, a Warner fez a pré-estreia de O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos, fecho da trilogia que Peter Jackson adaptou do livro infantil de JRR Tolkien. Mas o filme não é infantil. Em Londres, o diretor disse ao repórter que o fato de haver feito antes O Senhor dos Anéis foi decisivo.

O Hobbit situa-se antes da saga de O Senhor dos Anéis, mas pensando todos os filmes como unidade, Jackson sentiu que tinha de manter o tom. Colocou, talvez, menos sangue na trilogia do Hobbit, mas o drama e a identidade narrativa foram perseguidos, e alcançados, no mesmo nível. Quem veio conversar com o público brasileiro após a exibição de ontem do filme foi o ator Richard Armitage, que faz Thorin, o líder dos anões. As novas tecnologias não cessam de surpreender. Comprimido digitalmente, Armitage, um cara de mais de 1m80, vira anão.

Ao repórter, contou no sábado, num hotel de luxo da Brigadeiro Luis Antônio, que o roteiro da Batalha dos Cinco Exércitos cria um forte antagonismo entre seu personagem e Thranduil, o rei dos elfos da floresta. Só que ele raramente contracenou com Lee Pace, que faz o papel. Pace, com seu personagem de alta estatura, representava em live action. Armitage, contra o fundo verde. Foi sua primeira vinda ao Brasil. Do que pôde ver, adorou. Admitiu que não conhecia muita coisa do País. Viu os jogos da Copa. Desapontou-se com a seleção brasileira. Cita os malfadados 7 a 1 da Alemanha. “Ao mesmo tempo, fico feliz pelos alemães. Estou indo para Berlim daqui”, explica.

Don Hall também não foge ao assunto futebol. “Sou mais o futebol americano, mas na Pixar/Disney somos um team internacional. Existem animadores de todo o mundo. Nos jogos da Copa, parava tudo. O soccer (futebol) é uma linguagem universal. Terminava torcendo, como todo mundo.” Don e Conli encontraram a mesma vibração no público da Comic Con. Don - “Em San Diego, as pessoas estão mais acostumados, tornam-se um pouco cínicas ou blasés, embora esse seja um público entusiasta em toda parte. Aqui a Comic Con está começando, está sendo uma descoberta.”

Ele admite que está realizando seu sonho infantil. “Desde que vi meu primeiro desenho da Disney, quando criança, entrei num mundo paralelo. Quando me perguntavam o que queria fazer, ao crescer, respondia sempre - trabalhar na Disney. Felizmente meus pais sempre me encorajaram, embora no íntimo devessem ter dúvidas sobre o que eu estivesse querendo.” O repórter brinca que, adultos, e trabalhando com a imaginação, eles (Chris e Conli) permanecem eternas crianças.

“Se ser adulto é perder a capacidade de sonhar, vou ser sempre criança”, diz Don. Mas ele conta que o que para os outros é diversão, para eles é trabalho pesado. “Uma animação como Operação Big Hero demorou três anos e meio para ficar pronta. Existem outras que demoram mais - cinco anos. Trabalha-se muito, e duro, no conceito e na animação. John (Lasseter, o lendário CEO e animador da Pixar) nos incentiva a trabalhar na história até o último momento. O filme estreou em outubro nos EUA e até o fim de agosto ainda fazíamos mudanças para melhorar a história e os personagens.”

Comédia de ação e aventura, Operação Big Hero baseia-se nos quadrinhos da Marvel. Estreia dia 25, no Natal. A Batalha dos Cinco Exércitos estreia esta semana no Brasil (nos EUA, só na semana que vem). Conli veio do teatro. “Nosso desafio foi fazer um filme tecnicamente avançado e, ao mesmo tempo, fiel à origem. Algo novo e refrescante para o público. Alcançamos nosso objetivo, porque Big Hero segue em cartaz, e vai muito bem (na bilheteria).”

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