Comédias mostram conceitos diferentes de amor

Duas comédias românticas entram em cartaz ao mesmo tempo na cidade. Há uma novidade, De Repente É o Amor, do americano Nigel Cole, e um filme mais antigo do francês Eric Rohmer, O Amigo da Minha Amiga. São duas maneiras de ver a situação do casal. Uma, americana e contemporânea. Outra, francesa, e do começo da década passada - Rohmer fez este filme em 1992. Em De Repente É o Amor, Oliver (Ashton Kutcher) e Emily (Amanda Peet) são amigos e acham que jamais formariam um casal. No entanto, vão se encontrando ao longo dos anos e se convencendo de que afinal têm muito mais em comum do que a mera atração física. É um filme de amor e também de movimento, à maneira americana. Os dois se conhecem a bordo de um avião, depois se reencontram em Nova York, São Francisco e em outros lugares. A tensão vem do fato de que um dos dois está sempre indo para um lugar diferente do outro. Essa comédia joga com uma circunstância do mundo moderno, em que as pessoas estão sempre se deslocando para cá ou para lá. Se alguém fica quieto em seu canto é tido como fracassado. Já em Rohmer, a proposta é mais estática, por assim dizer. Quase tudo se passa no mesmo local, Cergy-Pontoise, um subúrbio futurista vizinho de Paris. Os personagens são dois homens e duas mulheres: Blanche (Emmanuelle Chaulet), Léa (Sophie Renoir), Fabien (Eric Viellard) e Alexandre (François-Eric Gendron). Blanche e Léa se tornam amigas. Léa namora Fabien, mas os dois não estão lá tão bem assim. Alexandre é um conhecido, bonitão e conquistador. À maneira daquela Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade, há no filme de Rohmer o deslocamento de desejos, que vão passando de um personagem a outro ao longo da história. O pólo frágil é Blanche, porque se sente solitária. São dois filmes, tempos diferentes, maneiras opostas de conceber o amor - e o próprio cinema.

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