China Film Co.
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Comédia sobre amor materno lota cinemas e emociona os chineses

'Hi, Mom', de Jia Ling, conta a história de uma jovem devastada pela morte de sua mãe e que sonha em voltar ao passado; veja o trailer original

Peter Stebbings e Lan Lianchao, AFP

25 de fevereiro de 2021 | 10h01

Uma comédia romântica sobre o amor materno e a nostalgia da infância lota os cinemas da China e emociona milhões de espectadores em um país que hesita em expressar os sentimentos em público.

Ni hao Li Huan Ying (Hi, Mom) se tornou, em menos de duas semanas, a quarta maior bilheteria da história da China, com a arrecadação de 4,27 bilhões de iuanes (US$ 660 milhões).

O longa-metragem conta a história de uma jovem devastada pela morte de sua mãe e que sonha em voltar ao passado, ao momento em que seus pais se conhecem e pouco antes de seu nascimento. O objetivo: mudar a vida de sua mãe para que tenha uma vida feliz.

"Nunca havia pensado que minha mãe também foi criança", afirmou a estudante Yu Yanting, ao sair de um cinema de Xangai.

A heroína do filme consegue viajar para 1981, quando começaram as reformas econômicas chinesas. Analisando a transformação radical do país, parece um retorno de séculos.

Uma cena do filme mostra uma briga para comprar uma modesta televisão em preto e branco, algo impensável na China atual, onde a competição agora é pelo modelo mais recente de smartphone.

A produção é divertida e comovente. Hi, Mom é o primeiro filme, parcialmente biográfico, da cineasta Jia Ling. Em poucos dias, ela conseguiu bater o recorde de ingressos vendidos para um longa-metragem filmado na China por uma mulher.

Jia Ling, que também interpreta a protagonista, explicou em uma entrevista televisiva que queria prestar uma homenagem a sua mãe, que faleceu em um acidente quando ela tinha 19 anos.

"O amor de nossa mãe é como o ar, está presente desde que nascemos, por isso frequentemente o ignoramos", disse Jia à televisão estatal. 

"Mas, quando o perdemos, temos uma sensação de asfixia e de desamparo", completou.

Para os milhões de espectadores que comparecem às salas de cinema, o filme é uma oportunidade de liberar suas emoções e chorar.

Na saída de um cinema de Xangai, duas irmãs sino-italianas não conseguiam conter as lágrimas.

"Todos os meus amigos choram quando assistem a este filme, mas talvez não tanto quanto eu", comenta Vittoria, de 13 anos. "Espero que amem ainda mais a mãe agora", afirma Elaine, abraçando as filhas.

Um país de introvertidos

O crítico Jing Runcheng opina que a emoção provocada pelo filme é motivada pelo fato de que muitos espectadores lamentam não poder expressar o amor que sentem pela mãe antes que seja muito tarde. 

"Os chineses são muito introvertidos e não sabem expressar muito bem suas emoções", explica.

No país de Confúcio, o regime comunista estimula o afeto pelos pais, mas o sentimento é muito mais voltado para o respeito.

"Você nunca imagina que os chineses, depois de assistir a um filme ou ler algo, vão correr para suas mães e dizer que as amam. Mas este filme dá a oportunidade", afirma Jing.

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O amor de nossa mãe é como o ar, está presente desde que nascemos, por isso frequentemente o ignoramos
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Jia Ling, atriz e diretora

Para os mais hesitantes, as redes sociais ajudam com a postagem de fotos com as mães.

Uma hashtag relacionada ao filme foi utilizada mais de 1,5 bilhão de vezes na rede social Weibo.

O filme também provoca um debate sobre o que os filhos diriam às mães caso pudessem voltar no tempo, como a protagonista.

Muitos internautas admitem que aconselhariam que a mãe não se casasse com seu pai, ou que não tivesse filhos.

 

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