Comédia francesa "O Buquê" chega hoje ao Brasil

A comédia francesa O Buquê teve sucesso de crítica em 2002 e chega hoje aos cinemas do País, para que o público possa conferir as qualidades do trabalho da diretora Jeanne Labrune. É uma figura interessante, Labrune. Literalmente, seu sobrenome poderia ser traduzido como ´a morena´, mas por um desses paradoxos que tornam a vida curiosa, Labrune é loira (ou, pelo menos, tem os cabelos e a tez claros). Roteirista de Vatel, de Roland Joffe, sobre o famoso banqueteiro de Luís 14, a diretora aprecia o registro do humor sério. Nada de excesso, de euforia. Ri-se, nas comédias de Jeanne Labrune, mas não seria excusado pensar que os roteiros da diretora poderiam ser filmados como dramas, se ela não tivesse essa capacidade que um crítico já definiu como sendo a de falar de coisas sérias de uma maneira que não é nada séria. Labrune reuniu um ótimo elenco - Sandrine Kiberlaion, de A Vida Sonhada dos Anjos; Jean-Pierre Darroussin, dos filmes de Robert Guédiguian; Dominic Blanc, de A Rainha Margot; e o ator e diretor Jean-Claude Brialy, que vem da época da nouvelle vague - para contar a história de um casal. De manhã cedo, toca o telefone na casa. Um certo Kirsch quer falar com Catherine, mas quem atende é o marido dela, que fica mordido porque o cara foi um antigo namorado da mulher. Por conta do aborrecimento, Raphael, o marido, tem um péssimo dia no escritório, chegando a brigar com o chefe. A própria Catherine fica perturbada com o telefonema e, mais ainda, com um certo buquê de flores que, entregue por engano, vai passando de porta em porta. Talvez até se possa fazer uma ponte entre O Buquê e outra comédia romântica em cartaz - Como Se Fosse a Primeira Vez, de Peter Segal, com Adam Sandler e Drew Barrymore. No filme americano, Drew perdeu a memória e, assim, só resta ao apaixonado Sandler conquistá-la dia após dia, pois na manhã seguinte ela já o esqueceu. O amor vira um exercício diário de sedução - como deveria ser. Ocorre que, você sabe, a pressão do coitidiano faz com que a maioria das relações caia (ou esgote-se) na mesmice. Catherine e Raphael estão num desses momentos de entre-ato, mas ele só percebe quando ela descobre a própria insatisfaçãso, perturbada pelo telefonema e pelo buquê de flores. Embora pouco conhecida no Brasil, Jeanne Labrune tem um extenso currículo como roteirista e diretora. Ela estreou na TV, em 1978, com um filme chamado Fênetres (Janelas). Em 1995, ousou refazer, para TV, o cult Jules e Jim, de François Truffaut. Poderia ser um suicídio, mas ela sobreviveu e ainda recebeu elogios dos críticos por sua sensibilidade e capacidade de observação. O Buquê pode não ser 10, mas tem charme, você vai ver.

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