Comédia de Mike Leigh mostra esperança em mundo sombrio

O diretor Mike Leigh oferece às pessoasmal-humoradas, infelizes e cínicas do mundo uma comédiadivertida sobre uma professora londrina incorrigivelmenteotimista e despreocupada. O filme descontraído de Leigh, "Happy-Go-Lucky", provocourisos e aplausos em sua première mundial na terça-feira diantede um público de críticos no Festival de Cinema de Berlim,evidentemente já cansados dos filmes sombrios vistos até agorano evento. "Vivendo num mundo que se dirige à catástrofe, é importanterejeitar a tendência crescente de pessimismo e eternainfelicidade", disse Leigh, que completa 65 anos na próximasemana. "Meu filme expressa um sentimento importante." Sally Hawkins representa uma professora primária solteiraem Londres, Poppy, que não se deixa contagiar pelo mau-humor deseu instrutor de direção rabugento, sua professora de flamencodominadora, um balconista mal-humorado numa livraria ou suairmã, grávida e infeliz. Com otimismo contagiante, ela vive rindo e fazendo piadas enão se assusta com a possibilidade de tornar-se solteirona ounão ter aposentadoria guardada para o futuro, como sua irmã afaz lembrar. Mesmo quando a bicicleta com a qual percorre as ruas deLondres é roubada, a primeira coisa que Poppy pensa é: "Eu nemtive a chance de me despedir dela!". Leigh, que recebeu três indicações ao Oscar em 2005 por seufilme sombrio "O Segredo de Vera Drake", sobre uma aborteira defundo de quintal em Londres na década de 1950, disse que seuobjetivo não foi ridicularizar as pessoas de espírito negativo. "Não existe prazer niilista em mostrar as pessoas sob óticanegativa. Meu trabalho é mostrar às pessoas como elas são.Existe o bom e o ruim. Existe muita energia negativa." "Embora meu filme seja uma comédia, sua mensagem é séria",disse ele. "Além da realidade da dor e do sofrimento, acho que éigualmente importante celebrarmos a vida, sempre e comopudermos."

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