Comédia atualiza estereótipo da "loura burra"

Hollywood conseguiu o que pareciaimpossível. O filme de cabeceira das louras burras sempre foiNascida Ontem, de George Cukor, com Judy Holliday, emboraalgumas preferissem Os Homens Preferem as Loiras, de HowardHawks, com Marilyn Monroe. Preferências à parte, Judy formatou apersonagem que fez a glória de Marilyn - a glória e a miséria,porque ela nunca desistiu de querer provar que era atriz eséria. Era mesmo, mas Hollywood - ou a Fox - se recusava aadmiti-lo. Marilyn foi imolada. Pois agora surge uma versãoatualizada da loura burra e em outro filme distribuído pela Fox.Será mera coincidência? A nova loura burra é também umapatricinha. Quer mostrar a todos, especialmente ao namorado quea rejeitou, que é inteligente. Convence a si mesma e aoespectador. Legalmente Loira é uma graça de comédia.Reese Whiterspoon não é nenhuma Marilyn, mas virou umfenômeno de comunicação em Hollywood. Seu forte não é ser sexy,mas ela consegue sê-lo. E veste sem dificuldade o modelito dapatricinha, o que a aproxima de grandes contingentes de platéiasfemininas de jovens. Só que ela não quer celebrar a patricinha,pura e simplesmente. Na era do politicamente correto, quer lutarpelos direitos das patricinhas.É a chamada publicitária no cartaz de LegalmenteLoira. Difícil imaginar marketing melhor. Outra frase no textodistribuído à imprensa é primorosa: quantas louras sãonecessárias para mudar a escola de direito de Harvard? Só uma,desde, é claro, que seja Elle Woods, a personagem de Reese emLegalmente Loira. No começo, a patricinha mais perua deBeverly Hills é convidada para jantar pelo namorado. Acha quevai receber uma proposta de casamento. Leva um chute. Ele temambições políticas, precisa de alguém melhor e mais inteligenteque ela. Elle o segue em Harvard. Entra por merecimento próprio,ao contrário do seu príncipe, que, ela descobre depois, sóentrou por interferência do pai poderoso.Como loura burra que se preze, Elle inicia o curso comoalvo de chacota, especialmente da nova namorada (morena) do seuex. Só dá foras. Se você não acha que ela vai dar a volta porcima não sabe o que é Hollywood. O filme dirigido por RobertLuketic, um australiano com passagem pelo videoclipe, édivertido. Reese é ótima. A maneira como ela reage à cantada dochefe e, depois, estabelece a verdade no tribunal com as armasda patricinha que nunca deixa de ser, é ótima. Luketic resgatoua alegada burrice das louras. Fez um filme simpático, paracompetir na mesma faixa de O Diário de Bridget Jones, comRenee Zellwegger. Que, só para lembrar, é loura.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.