Divulgação
Divulgação

Comece a maratona da Mostra de SP com filmes clássicos

Resnais, Ozu e o remake de 'Era uma Vez em Tóquio' são bons filmes para dar início ao evento

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

17 de outubro de 2013 | 21h12

E que tal começar a maratona da 37.ª Mostra pelos clássicos? Há nesta sexta, 18, um Yasujiro Ozu de 1962, o último filme do grande diretor, A Rotina Tem seu Encanto, e um Alain Resnais de 1976, o único filme em língua inglesa do artista, Providence. Ozu colocou no título uma súmula do seu trabalho, porque o mestre minimalista sempre fez filmes baseados no encanto da rotina de seus personagens emblemáticos da crise da família japonesa. Resnais, filmando em inglês, poderia perder a musicalidade dos diálogos que faz parte do mistério de Hiroshima Meu Amor.

O longa escrito por Marguerite Duras permanece como a obra-prima de Resnais. Em 1959, quando foi lançado em Cannes e ganhou o prêmio da crítica, era um filme adiante de sua época, como disse em maio a atriz Emmanuelle Riva, ao apresentar a versão restaurada em Cannes Classics. (Re)Lançado nos cinemas da França, Hiroshima está levando mais público às salas do que levou ao longo dos últimos 54 anos. A idade cai bem às obras que o tempo respeita.

O segundo melhor Resnais da história – é uma etiqueta que se pode colar em Providence, e o espectador que for ver hoje o filme deve entrar na sala disposto a fruir o que vai ver. O cinema não é para entender, já disse Wim Wenders. É para sonhar. Talvez seja essa, no limite, a grande, a radical diferença que as novas tecnologias estão trazendo para a mídia. Para fruir – sonhar – é bom que a tela seja ampla e a sala, escura, para que o espectador possa se projetar na estrutura audiovisual montada pelo diretor. Hoje, fazem-se filmes para passar em laptops e celulares. Você pode captar a informação – a intriga, a trama –, mas não a fruição. Avatar não é a mesma coisa na tela Imax e no seu celular, com certeza.

A trilha de Miklos Rozsa, o roteiro de David Mercer, as presenças de John Gielgud e Dirk Bogarde. Resnais chegou a dizer na época que o inglês era, para ele, a língua do imaginário. Ele conversava com os produtores para filmar As Aventuras de Henry Dickson, de Jean Ray, com Dirk Bogarde. Conheceu David Mercer e tudo mudou. Surgiu a história do velho escritor que tece o último romance e projeta na ficção as pessoas – amigos e parentes – ao redor. Pensando que vai refletir sobre eles, ele fala de si, e de sua arte. O espaço e o tempo da imaginação. Passado, presente, realidade, fantasia. Depois de todo o delírio, a cena final é o que se pode sonhar que seja a perfeição no cinema.

A Mostra inicia a revisão de Ozu pelo derradeiro filme do autor e, na quarta, dia 23, exibe Era Uma Vez em Tóquio, também conhecido como Viagem a Tóquio, de 1953. Era Uma Vez é um dos filmes mais depurados de Ozu. Só um louco, ou outro artista muito sensível, seja qual for a diferença, poderia ousar refazer a obra-prima. Yoji Yamada ousou, e hoje você poderá ver Uma Família em Tóquio. Mais que a história, muitas cenas são as mesmas – um casal de velhos visita os filhos em Tóquio, mas a comunicação é difícil, os filhos estão sempre ocupados. Yamada não tem o rigor estético de Ozu, mas a humanidade de seu cinema rendeu uma das séries mais longevas do cinema, com 30 e tantos filmes – É Triste Ser Homem. Pode parecer um delírio do repórter, mas a família de Yamada é tão boa quanto, senão melhor, que a viagem de Ozu.

Para assistir à Mostra

As credenciais podem ser adquiridas na Central da Mostra, no Conjunto Nacional, que funcionará diariamente das 10 h às 21 h. Convites avulsos devem ser comprados na bilheteria dos cinemas.

O ingresso.com vende ingressos com três dias de antecedência. Mais informações no site www.mostra.org. Veja abaixo os valores de pacotes e ingressos individuais:

Ingressos individuais:

Segundas, terças, quartas e quintas: R$ 15,00 (inteira) / R$ 7,50 (meia).

Sextas, Sábados e Domingos: R$ 19,00 (inteira) / R$ 9,50 (meia).

Permanentes e pacotes promocionais:

Permanente Integral – R$ 410,00

Permanente Especial (para sessões de 2ª a 6ª feira até às 17:55h) – R$ 95,00

Pacote de 40 ingressos – R$ 300,00

Pacote de 20 ingressos – R$ 175,00

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.