Começam no Rio as filmagens de 'Budapeste'

Longa inspirado no romance de Chico Buarque ainda terá cenas na Hungria

Roberta Pennafort,

08 Janeiro 2029 | 12h56

A produtora Rita Buzzar leu Budapeste em 2004, em uma noite. Não era o momento de se apaixonar - estava prestes a lançar Olga, filme dirigido por Jayme Monjardim -, mas foi inevitável. Foram seis meses até ela tomar coragem e procurar Chico Buarque. O "sim" do autor à adaptação do livro para o cinema (o terceiro, depois de Estorvo e Benjamin) foi a glória. "Chico homenageia a palavra neste livro. Senti medo de trair o universo que criou, então tive cuidado. Ele é generoso e ajudou muito", conta Rita, que assina o roteiro.   O diretor, escolhido pela produtora e Chico juntos, é Walter Carvalho, o superdiretor de fotografia, que realiza seu primeiro longa-solo de ficção. A estréia deverá ser no fim do ano ou no início de 2009. As filmagens começaram na semana passada, no Rio. Na sexta-feira à noite, Leonardo Medeiros, o protagonista, José Costa, e três dos atores estrangeiros escalados se reuniram para uma entrevista ao Estado. O inglês é a língua oficial nas conversas da turma, trazida de três países: Hungria (Andras Balint), Holanda (Antonie Kamerling) e Portugal (Ivo Canelas).   Balint, Kamerling e Canelas falaram da felicidade de chegar à terra de Costa. "Agora vejo como é estranho alguém querer sair do Rio e ir para Budapeste", brincou Balint, que mora na cidade e gostou da forma como Chico a retratou, mesmo sem tê-la visitado. No filme, ele vive Kocsis Ferenc, o velho poeta que lança os Tercetos Secretos, escritos pelo ghost-writer Costa, ou melhor, Zsoze Kósta, sua porção húngara. Também de lá, Budapeste terá Gabriella Hámori, no papel de Kriska, por quem ele se apaixona. A atriz só gravará em Budapeste. Giovana Antonelli interpreta Vanda, a esposa brasileira.   As filmagens em húngaro estão marcadas para fevereiro. Serão quatro semanas de trabalho intenso, facilitado pela entrada da Eurofilme na co-produção (Portugal participa com a Stopline) - o orçamento é de R$ 5,5 milhões. Leonardo Medeiros já sabe que será um tempo, também, para aprimorar seu húngaro. Ele vem tendo aulas da língua misteriosa, crucial para o desenrolar da trama de Chico, há três meses. "É dificílima", ele diz. "Gravei a primeira cena em húngaro e disseram que eu estava falando direitinho."   Para Antonie Kamerling, que encarna o personagem Kasper Krabbe, o desafio é falar português. Krabbe é o alemão para quem Costa cria a biografia O Ginógrafo - aquele que tem o hábito de escrever sobre o corpo das mulheres. O holandês nunca tinha ouvido falar de Chico.   Já Ivo Canelas é fã antigo. "Ele é Deus em Portugal. Lembro do meu pai escutando Tanto Mar no carro, me levando pra escola, e eu cantando junto", rememora Canelas, convocado para ser Álvaro, o sócio de Costa na Cunha & Costa Agência Cultural (que, no livro, é brasileiro).

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