Começa no Memorial o 14.º Anima Mundi

A partir desta quarta-feira, o 14.º Anima Mundi chega ao Memorial da América Latina com filmes , oficinas e palestras, um panorama da produção nacional e estrangeira recente e histórica. No Rio, 65 mil pessoas assistiram a 433 filmes de 40 países, distribuídos em 11 mostras espalhadas pela cidade. Veio a produção recente de feras como John Canemaker, mais recente Oscar de curta metragem com The Moon and the Soon, ou o japonês Kihachiro Kawamoto, que levou o teatro No para a tela, e os sempre bem vindos ingleses e alemães com um humor surpreendente e peculiar. O sucesso de bilheteria, no entanto, foi brasileiro: o longa Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock?n roll, de Otto Guerra, baseado nas tirinhas de Angeli, que teve quase 3.000 espectadores em quatro sessões.Só este filme já seria motivo de comemoração para os quatro criadores do evento, Aída Queiroz, Léa Zagury, César Coelho e Marco Magalhães, animadores que, no início dos anos 90, insistiam em trabalhar no Brasil. ?Nas primeiras edições, queríamos formar público. Quase não havia animação brasileira e a de fora pouco era exibida aqui. Se em 1992 não tivemos nem um título brasileiro, hoje temos mostras específicas de nossa produção e dois longas, Wood & Stock, para adultos, e Brichos, para crianças?, diz Aída. ?Há grande demanda das tevês, da telefonia celular, da publicidade e produção crescente em quantidade e qualidade. Falta unir as duas pontas e o festival tem esse objetivo também.?Humor e o non senseA programação atende a todas as faixas etárias ou tipo de espectador e produtor. Dos que chamam os filmes de desenho animado e acham que é só para crianças aos que buscam a animação como uma nova forma se expressar. Dos que só desenham a mão, quadro-a-quadro, aos que usam os mais recentes recursos de computação gráfica. ?A evolução é marcada pela mistura de técnicas. E tem crescido o número de documentários em animação?, afirma Magalhães. Não seria uma contradição? ?O documentário mostra a realidade de um ponto de vista específico. Então, tanto faz ser live action (fotografado) ou animação.?Entre as novidades estão os alemães, que trocaram a angústia filosófica pelo humor e o non sense. É o caso de Mr. Schwartz, Mr. Hazem e Mr Holocher, de Stefan Mueller, e do quase videoclip Apple on a Tree, de Astrid Riger e Zeljko Vidovic. Símbolo: cãozinho desastrado e chaplinianoOs ingleses acrescentam crítica social, com Dreams and Desires - Family Tie, de Joanna Quimm (estrelado pela gordinha mascote do Anima Mundi 2005) e Guide Dog, de Bill Plipton, cujo protagonista, um cãozinho desastrado e chapliniano, virou o símbolo deste ano. O Dreamworks, estúdio americano que lança blockbusters do cinema comercial, mandou o lírico First Flight. E há experiências pouco conhecidas aqui, como a animação portuguesa, Uma História Trágica com Final Feliz, de Regina Pessoa.Além dos filmes, há oficinas com público e animadores. Muitos descobriram sua vocação em edições passadas do festival, pois há atividades para crianças a partir de 6 anos e para profissionais que querem aprender mais e conhecer as novidades do setor. Para estes, a versão paulista tem a Anima Expo, feira para profissionais e empresas mostrarem seus trabalhos recentes e fazerem negócios. ?Funciona separado dos fóruns de debates e acontece em São Paulo porque é onde está o maior mercado de animação do País?, diz Aída.Mistura de técnicas e estilosNão importa técnica, estilo ou metragem do filme. Para fazer animação é preciso conhecer bem os personagens, seus destinos e personalidades. Aí, é só caprichar no desenvolvimento da história, seja um blockbuster, como Carros, o novo longa da Disney, ou experimentalismo radical, como O Livro dos Mortos, do japonês Kihashiro Kawamoto. Esse é o recado dos convidados do 14ª Anima Mundi em cursos, palestras ou papos informais. Este ano vieram, entre outros, o israelense Gil Alkabetz, o citado Kawamoto, o vencedor do Oscar de curtas, John Canemaker, e o inglês Ian Mackinnon, que fez os bonecos de A Noiva Cadáver e O Estranho Mundo de Jack, ambos de Tim Burton.Mackinnon não vai a São Paulo, mas trouxe ao Rio os bonecos dos dois longas e de Sandman, curta de terror, sucesso do primeiro festival, em 1992. Também convidou o público a pegá-los e ensinou como os constrói e manipula, trabalho para 75 profissionais de seu estúdio durante três anos. Kawamoto também usa bonecos, mas não revela a técnica. Ele tem 84 anos. Seus temas vêm do teatro japonês, por influência do theco Jiri Trnka, com quem estudou nos anos 60. O israelens e Gil Alkabetz diz não ter estilo, depende do tema que aborda. ?Venho de um país jovem, com cinco décadas de história, habitado por imigrantes e sem tradição. Então, ?Escolho a técnica e o estilo em função do assunto?, explicou Alkabetz, que trouxe seus filmes dos últimos anos, ?os pessoais e os comerciais?, como enfatizou, inclusive Corra, Lola, Corra, que inclui na segunda categoria. Canemaker veio com seus filmes, inclusive o do Oscar, o documentário The Moon and de Son. Em seu trabalho, Canemaker não facilita a vida do público. Em The Moon and de Son, pai e filho discutem suas desavenças e You don?t Have to Die é sobre um menino com câncer.14.º Anima Mundi - Festival Internacional de Animação. Memorial da América Latina. Av. Auro Soares de Moura Andrade 664, Barra Funda, 3823-4600. Salas 1, 2 e 3, de R$ 3 e R$ 6. Sessões Futuro Animador e Animação em Curso, grátis (retirar senha 1h antes). Até 30/7.

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