Começa no CCBB mostra de filmes japoneses inéditos

É, no mínimo, curioso que a mostra Japão Pop comece, no Centro Cultural Banco do Brasil, justamente na semana em que acaba de estrear a crepuscular aventura de samurais dirigida por um dos últimos mestres ainda em atividade no cinema japonês. O Samurai do Entardecer, de Yoji Yamada, fornece um contraponto interessante para os filmes do evento que tem curadoria de Rodrigo Sonner e Adriano Vannucci. Sonner é designer gráfico. Ele admite que seu primeiro interesse é visual, mas o parceiro é formado em cinema pela USP. Isso significa que a forma pode ser mais original e inovadora, mas os filmes reunidos em Japão Pop não revelam uma menor preocupação dramatúrgica."Japão Pop é o rótulo pelo qual esse novo cinema japonês ganhou projeção internacional", explica Sonner. "É um cinema de ruptura, feito por jovens diretores que querem refletir sobre o seu tempo e as novas concepções de família e sociedade. Mas, do ponto de vista formal, eu não diria que é um cinema feito contra o anterior, dos grandes mestres. Há um diálogo muito forte do Japão Pop com as vertentes anteriores." É o que você poderá confirmar a partir desta quarta-feira e até dia 16 no CCBB. Em Brasília, o mesmo evento será realizado num formato mais reduzido, de 4 a 16 de julho.Até por interesse profissional, Sonner foi sempre muito ligado ao design japonês, só que não ficou nisso. Começou a pesquisar outras formas de criação e arte do Japão contemporâneo. O cinema foi uma delas e aqui entrou a parceria com o amigo Vannucci. Quanto mais se enfronhavam nas intenções do novo cinema japonês, mais os dois tinham vontade de conhecê-lo. Começaram a pensar numa mostra, mas ela só se viabilizou com a entrada da produtora Carol Ribas. "Foi a Carol quem fez os contatos diretamente com empresas do Japão para que pudéssemos trazer esses títulos."Se você tem interesse em descobrir o que é o Japão Pop, ligue-se nas datas e não perca programa nenhum. Por exigências contratuais, os filmes não poderão ganhar sessões adicionais, mesmo que a mostra seja o maior sucesso do mundo. Sonner espera que seja. "O Japão é um país de cultura milenar que convive, no dia-a-dia, com o mais avançado desenvolvimento tecnológico. E é uma sociedade tão competitiva que o Japão é recordista de suicídios. Tudo isso está representado pelos filmes, que têm personagens, predominantemente, jovens." O pop não significa, necessariamente ligação com o mangá e o animê, tão popularizados em todo o mundo, mas alguns filmes baseiam-se nessas formas de expressão.Em Ping Pong, de Fumihiro Masuri, estudantes dedicam-se a jogos que constroem uma metáfora sobre a sociedade. Outro grupo de alunos do ginásio estabelece relações de dominação e poder em Blue Spring, de Toshiaki Toyoda. Hush!, de Ryosuke Hashiguchi, investiga, num estilo visual e dramático completamente diverso do Pedro Almodóvar de Tudo sobre Minha Mãe, novas (as mesmas?) formas de organização familiar - um par de gays une-se a uma mulher que quer ter um bebê. As mulheres, justamente, participam com força total.Female, coletânea com cinco episódios, mostra mulheres de diferentes extratos sociais e gerações. Em Tokyo Noir, os episódios são três, que os diretores Masato Ishioka e Naoto Kumazawa usam para falar de mulheres e sexo. Em It´s only Talk, de Ryuichi Hiroki, uma mulher deprimida muda de personalidade para se ajustar aos homens. Em Vibrator, também de Hiroki, outra mulher, atormentada por vozes internas, embarca numa viagem com um caminheiro - e as vibrações do caminhão a libertam de suas obsessões, são sua porta para a salvação. Todos os filmes são inéditos e esse é o motivo pelo qual um diretor como Kore-Eda Hirokazu, que tem filmes com o perfil do evento, não integra a programação. Intrigante, particularmente, é Electric Dragon 80.000 V, de Sogo Ishii, sobre a rivalidade de dois sujeitos atingidos por descargas de eletricidade. O experimentalismo de som e imagem do diretor é, para aproveitar o embalo, chocante. Japão Pop - O Novo Cinema Japonês. Hoje, 16 h, Otakus in Love (2004), de Matsuo Suzuki; 19 h, Hush! (2001), de Ryosuke Hashiguchi. Amanhã, 16 h, Ping Pong (2002), de Fumihiko Sori Masuri; 19 h, No One´s Ark (2002), de Nobuhiro Yamashita. Centro Cultural Banco do Brasil (69 lug.). Rua Álvares Penteado, 112, Centro, 3113-3651, metrô Sé e São Bento. 4.ª a dom. R$ 4 (R$ 8 cinepasse válido para todas as sessões) Até 16/7

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