Começa hoje o 10º Festival Mix Brasil

Tem início hoje no Vitrine, com exibição de curtas para convidados, o Festival Mix Brasil, que comemora sua 10ª edição, e vai até o dia 24 de novembro, com programação voltada para o público GLS. O clima é de alvoroço, já que representantes de diferentes "facções" estarão presentes, seja nas telas ou nas poltronas do cinema, para prestigiar o festival que começou em 1993 no Museu da Imagem e do Som (MIS).É o caso do ator Jorge Laffond, que nunca foi ao evento, mas promete não perder a festa. "Agora que estou com um empreendimento mais expansivo - a casa de espetáculos Freedom - sou obrigado a correr atrás das novidades", explica o comediante. "Além disso, vários amigos meus vão, e adoram, compram coisinhas e tudo mais".Mas é impossível falar no Mix Brasil sem destacar o trabalho de André Fischer, idealizador do evento e do site www.mixbrasil.org. Em 1993, Fischer foi convidado pelo New York Gay and Lesbian Experimental Film Festival para realizar a curadoria de filmes brasileiros. O trabalho ultrapassou os limites de São Paulo e hoje o curador viaja por oito cidades do Brasil com o festival."Atualmente, as pessoas não se chocam mais com o que é apresentado. Mas estamos sempre à procura de produções mais polêmicas." Depos de 10 festivais, o próprio curador se sente mais protegido das polêmicas. "Agressões corporais sempre me causam mal-estar, mas se você soubesse o que eu já vi de podridão em vídeo e ao vivo..."Piercing e sensibilidade - Dentre as novidades que estão na programação desta edição há Freak Gallery, curta-metragem de Heitor Werneck, que participa do festival desde o começo. "Sempre vou para ver o que está sendo feito de mais radical", revela o estilista da Escola dos Divinos.Isso fica claro com a sua produção, que aborda "o mundo do piercing", um dos assuntos preferidos da platéia do Mix Brasil. O motivo de tanta adoração, para Heitor, é a questão da sensibilidade - sexual, é claro. "Eu, por exemplo, nunca tive sensibilidade no mamilo, agora que tenho piercing, é diferente".Outra razão é o forte interesse por agulhas - no corpo ou na roupa. "O público GLS gosta de moda, gay e lésbica se vestem melhor. Eu acredito que os heteros não têm necessidade tão grande disso, já que a TV joga para eles a modinha."Vídeos de brincadeira - Outra famosa no mundo gay que vai ganhar destaque na programação do festival é a drag queen Marcelona, protagonista de produções do Mix desde 1996, e que neste ano será homenageada com uma retrospectiva."Durante muito tempo fiz alguns vídeos de brincadeira das minhas performances e as pessoas começaram a dizer que aquilo era bacana", comenta a drag. "Do que vai ser apresentado, eu recomendo dois trabalhos: Arquivo Ó, uma sátira do seriado de TV Arquivo X, e Novela Vaga, um vídeo em que eu faço um escracho com a nouvelle vague francesa."A preferência de Marcelona com relação ao que vai ser exibido é óbvia: "Tem gente que gosta daqueles filmes mais políticos, mas eu gosto mesmo é de filme engraçado, debochado." Mas quem quiser achar Marcelona por lá vai encontrar dificuldade. "Vou estar vestida de homem."A questão da roupa é também visível nas lésbicas, que não são tão fiéis ao evento. Mas a cantora Laura Finnochiaro prestigia o Mix desde o começo. "Odeio o estereótipo de caminhoneira, temos que mostrar que lésbicas podem ser femininas." Para ela, a baixa freqüência de "bolachas" se deve ao preconceito. "Tudo na mulher é escondido, até o prazer."

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