Começa hoje a 20.ª edição do Sundance

O Festival de Sundance, a maior vitrine do cinema independente americano, chega hoje à sua 20.ª edição. Criado em 1981 pelo ator e diretor Robert Redford, essa maratona cinematográfica é tida pelos seus simpatizantes como um quixotesco esforço de Redford e equipe em incentivar e criar condições para que uma produção marginalizada por Hollywood ganhe expressão e seja absorvida pelos grandes estúdios. Os detratores, por sua vez, combatem a ingerência de pequenos estúdios, agora controlados por uma das sete majors de Hollywood, no processo criativo de novos talentos. Fato é que, em duas décadas, tal iniciativa como a de Redford jamais encontrou evento paralelo nos EUA.O 20.º Sundance começa hoje na cidade de Salt Lake City, com a exibição do longa The Laramie Project, produzido pela rede de TV a cabo HBO. Trata-se de um título bastante aguardado, pois é a adaptação da premiada peça teatral off-Broadway escrita por Moises Kaufman em 1998 e que mexe com um dos crimes de ódio mais famosos da década de 90 nos EUA: o assassinato do jovem gay Matthew Shepard, em Wyoming, que também é tema de uma canção do novo CD de Elton John.A abertura na cidade de Park City, a estação de esqui a cem quilômetros de Salt Lake City e que abriga o festival até o dia 20, ocorre amanhã à noite, com a première mundial do primeiro trabalho do ator John Malkovich como diretor: The Dancer Upstairs, sobre um policial num país da América do Sul à procura de um famoso guerrilheiro. O filme é estrelado pelo ator espanhol Javier Bardem.Nos últimos anos, Redford intensificou a ênfase de seu festival para a seleção latina, que tem até um prêmio próprio. Este ano, em todas as mostras, sejam oficiais ou paralelas, a presença de cineastas latinos é a maior já vista. E eles vão desde o documentário Senorita Extraviada, da diretora mexicana Lourdes Portillo, sobre crimes contra menores mexicanas na fronteira dos EUA, até a produção Empire, de Frank Reys, estrelado pelo ator colombiano John Leguizamo e com participação especial da atriz Sônia Braga.São dois os representantes brasileiros. Na mostra World Cinema, o cineasta paulista Beto Brant apresenta seu novo filme, O Invasor, que recebeu o prêmio de direção no Festival de Brasília. Na seleção de curtas, Palace II, de Fernando Meirelles e Kátia Lund, será exibido ao lado de produções de outros 15 países. Outros destaques dessa edição são o drama The Dangerous Lives of Altar Boys, uma produção de Jodie Foster sobre o rito de passagem para a vida adulta de dois coroinhas, e Hysterical Blindness, filme da cineasta indiana Mira Nair estrelado por Uma Thurman e Juliette Lewis. Trata-se da primeira produção de Mira depois de ela ter vencido o Festival de Veneza com Casamento à Indiana.

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