Começa a retrospectiva de filmes brasileiros do CineSesc

Na sede do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, os integrantes da APCA, Associação Paulista dos Críticos de Artes, reúnem-se para a tradicional votação que vai apontar os melhores do ano em dez (ou 11) categorias artísticas. A dúvida quanto ao número decorre do fato de que, ultimamente, tem faltado quórum para a votação de música erudita. Mas o cinema, como a TV, é uma das categorias com maior número (e assiduidade) de votantes. Com exceção de "O Céu de Suely", de Karim Aïnouz, os principais candidatos a melhor filme do ano estão reunidos na retrospectiva do cinema brasileiro que começa, também nesta segunda-feira, 11, no CineSesc, em São Paulo.Já virou tradição. Como organiza o Festival dos Melhores Filmes em março/abril, a sala da Rua Augusta faz a retrospectiva de filmes nacionais em dezembro. Entre os que faltam, "O Céu de Suely", é um dos melhores, senão o melhor brasileiro do ano. Após "Madame Satã", Karim Aïnouz muda o tom e refaz "Vidas Secas" como um filme de Michelangelo Antonioni, mostrando que a solidão e o vazio existencial ressecam tanto as vidas quanto a fome descrita por Graciliano Ramos em seu livro e por Nelson Pereira dos Santos em seu grande filme. Nelson é, por sinal, um dos autores `clássicos´ que integram a programação, mas o desleixo assumido do diretor desconcertou seus admiradores, que se sentem constrangidos para falar de "Brasília 18%".Nos últimos anos, a participação do Brasil no próprio mercado tem dependido dos blockbusters, porque a média de freqüência para o filme brasileiro anda muito baixa. Sem blockbusters, o mercado do cinema nacional encolheu 12% em relação ao ano passado e 44% em relação a 2004, números que ainda não são definitivos. Houve filmes que ficaram abaixo ou a duras penas bateram na marca de dez mil espectadores.Por mais que a freqüência de público não seja critério de avaliação estética, também não honra o currículo de ninguém ficar exibindo números tão baixos, a menos que exista o equívoco de se achar que o cinema de autor tem de ser, necessariamente, fracasso de público para ser avalizado."O Veneno da Madrugada", de Ruy Guerra, e "A Máquina", de João Falcão, foram, talvez, os maiores fracassos do ano e o segundo foi ainda pior - embora tenha tido muito mais público, sua expectativa era de virar blockbuster. Você tem agora mais uma oportunidade para (re)ver o belo filme de João Falcão. Pode rever também "O Veneno", "A Concepção" (de João Carlos Belmonte), "Crime Delicado" (de Beto Brant), e muitos outros filmes que expõem nossa cara na tela. O maior sucesso do ano, "Se Eu Fosse Você", de Daniel Filho, integra a programação, com outro filme do diretor que não fez tanto sucesso, "Muito Gelo e Dois Dedos d´Água". Com o ausente Suely, "Eu Me Lembro", de Edgard Navarro; "O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias", de Cao Hamburger; e "Árido Movie", de Lírio Ferreira, todos presentes na mostra, devem polarizar a disputa nesta segunda, na APCA. "Serviço - Retrospectiva do Cinema Brasileiro. Segunda, 15h, "Família Alcântara", de Daniel Solá Santiago; 17h, "Araguaia - A Conspiração do Silêncio", de Ronaldo Duque; 19h, "O Veneno da Madrugada", de Ruy Guerra;21h, "Crime Delicado", de Beto Brant. CineSesc. Rua Augusta, 2.075, tel. 3082-0213. R$ 4 a R$ 30 (passaporte p/todas as sessões). Até 23/12

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