Começa a maratona do É Tudo Verdade

Principal evento dedicado à cultura do documentário na América Latina, o Festival de Documentários É tudo Verdade começa hoje em São Paulo com a exibição, no CineSesc, do documentário vencedor do Festival de Sundance deste ano, Por Que Lutamos?, de Eugene Jarecki, sobre a indústria bélica. Na quinta, começa no Rio, no CCBB, com Vocação do Poder, de Eduardo Escorel e José Joffily, que acompanha candidatos a vereador na eleição passada.O festival, criado e dirigido por Amir Labak, completa dez anos. Uma década que viu crescer e se consolidar esse tipo de expressão que se confunde com o cinema, pela técnica e pela linguagem audiovisual, mas difere dele por fugir a tudo o que hoje caracteriza o cinemão - ficções descabeladas, efeitos especiais. O bom documentário é como uma reportagem, diz o grande homenageado desta edição Robert Drew, mestrenorte-americano de filmes como Primárias e Faces de Novembro. O outro homenageado é o cineasta argentino Fernando Birri, que completa 80 anos em 2005. Até dia 10, paulistanos e cariocas poderão reverenciar esses mestres e assistir à fina flor dos documentários produzidos ultimamente no Brasil e no exterior. A competição internacional apresenta 14 trabalhos de quatro continentes; a brasileira exibe sete longas inéditos. Uma nova seção, chamada Horizonte, anuncia obras que ampliam as fronteiras da linguagem do gênero. A seção Estado das Coisas já é tradicional e a retrospectiva 10! vai fazer a síntese da década, (re)exibindo 17 vencedores nacionais e estrangeiros destes dez anos. São 133 títulos programados e é até pecado destacar alguns. Pequemos. A eutanásia é o tema de Manon, de Andre St. Pierre; a crise argentina está em 19/20, de diversos diretores; Ensaios, de Michael Leszcvzylowski, filma três detentos que participam de uma peça de teatro (e um deles foge!); O Cérebro de Bush, de Joseph Mealey e Michael Shoob, revela a personalidade por trás do poderoso presidente dos EUA. E existem os brasileiros - Do Luto à Luta, de Evaldo Mocarzel; Extremo Sul, de Mônica Schmiedt e Sylvestre Campe; Moacir Arte Bruta, de Walter Carvalho, etc. O festival ocorre em sete salas de São Paulo (Centro Cultural Banco do Brasil, Cinesesc e MIS) e quatro do Rio. E este ano, além dos debates e encontros, terá a inédita encenação de uma peça inspirada em It´s all True, o filme mítico de Orson Welles que deu seu nome ao evento.

Agencia Estado,

29 de março de 2005 | 11h31

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