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Com um elenco estrelado, 'Doutor Estranho' expande o universo Marvel

Benedict Cumberbatch faz o papel-título, um neurocirurgião arrogante que sofre um acidente de carro que praticamente destrói sua principal ferramenta, suas mãos

Mariane Morisawa, ESPECIAL PARA O ESTADO

01 de novembro de 2016 | 07h00

LOS ANGELES - Oito anos depois do lançamento de seu primeiro filme, Homem de Ferro, o Universo Cinematográfico Marvel não para de crescer. Seu 14º longa-metragem, Doutor Estranho, chega aos cinemas brasileiros na madrugada desta terça, 1º, para quarta-feira, 2, para expandir a mente como os quadrinhos fizeram quando foram lançados nos anos 1960.

“O Doutor Estranho foi um produto de sua época e foi um grande sopro de ar fresco no mundo dos quadrinhos de então”, disse o diretor Scott Derrickson, mais conhecido por filmes de terror como O Exorcismo de Emily Rose (2005) e Livrai-nos do Mal (2014), em entrevista à imprensa em Los Angeles. “Como fã dos filmes da Marvel, achava que era um bom momento para algumas mudanças novas, ousadas, estranhas. Minha abordagem foi fazer o filme ser tão estranho quanto os quadrinhos eram na década de 1960.”

Kevin Feige, produtor do longa e presidente do Marvel Studios, explicou o motivo da escolha do personagem nesse momento. “Falamos de uma adaptação há muitos anos. Sempre digo que precisamos forçar os limites, surpreender o público, fazer filmes únicos e diferentes, e certamente este filme e este personagem preenchem esses requisitos. E lidar com outras dimensões e com esse universo sobrenatural vai ser útil conforme caminhamos dentro do Universo Cinematográfico da Marvel, então a hora era perfeita.”

Doutor Estranho reúne um elenco invejável para qualquer produção, da Marvel ou não. Benedict Cumberbatch faz o papel-título, um neurocirurgião arrogante que sofre um acidente de carro que praticamente destrói sua principal ferramenta, suas mãos. A medicina tradicional fracassa, e ele recorre ao Kamar-Taj, um centro de cura liderado pela Anciã (Tilda Swinton), que também combate forças do mal com a ajuda de mágica. Lá, ele conhece o ambíguo Mordo (Chiwetel Ejiofor) e Wong (Benedict Wong), guardião da biblioteca. Mads Mikkelsen faz o vilão Kaecilius, antigo discípulo da Anciã que se revoltou por achar que alguns poderes estavam sendo mantidos em segredo. Rachel McAdams interpreta a médica Christine Palmer.

A produção esperou Cumberbatch, que estava fazendo Hamlet no teatro, em Londres, o que atrasou o início da filmagem. “Eu me sinto lisonjeado. Mas, claro, é uma grande responsabilidade também”, afirmou. O ator acredita que o filme tem uma mensagem forte: “Que você, com sua mente, tem o poder de mudar a realidade, e isso é maravilhoso, libertador, desprovido de ego. Fazer o bem aos outros é algo excelente. É isso que o Doutor Estranho também aprende”. Mas ele também se divertiu, lógico. Durante as filmagens em Nova York, entrou em uma loja de quadrinhos, de uniforme completo, para delírio dos fãs. “Foi um momento mágico.”

O personagem ainda não tem uma continuação confirmada, mas vai aparecer no próximo longa-metragem dos Vingadores, que estreia em 2018. Segundo Kevin Feige, o filme vai reunir alguns dos Illuminati, uma narrativa dos quadrinhos sobre uma sociedade secreta que reúne alguns dos heróis mais poderosos do mundo – além do Doutor Estranho, Tony Stark, Raio Negro, Charles Xavier (líder dos X-Men), Reed Richards (do Quarteto Fantástico) e Namor. Claro que alguns desses são propriedade de outros estúdios, então é esperar para ver.

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Você se divertiu muito rodando o filme. Mas não é seu tipo de produção habitual. 

Não sei por que todo o mundo fica tão surpreso que sou uma fã da Marvel! Por que eu não seria? Sempre fui fã.

Muita gente ainda considera esses filmes e os quadrinhos só como entretenimento leve.

Acho que isso é um mal-entendido do que são essas obras. Eles são uma coleção de mitos para gerações inteiras. Sempre tive interesse em ficção científica. Suponho que, se a pessoa não tem interesse em ficção científica, ela não sabe como pode ser poderosa. Mas acho engraçado que os filmes sejam vistos como fáceis. Claro, alguns deles podem ser, entendo que possa haver um cansaço em relação a eles. 

Como fã de fantasia, você gosta de Game of Thrones?

Não! Talvez devesse ter persistido, mas não me pegou. Existe toda uma estética que não funciona para mim. Não sou fã de O Senhor dos Anéis, nem de Game of Thrones, nem de Dungeons & Dragons. Vivo com pessoas fiéis a essa religião. Mas não sou dessa igreja. 

Originalmente a personagem era homem. Como vê isso?

Acredito quando o estúdio diz que quer mais diversidade. O Pantera Negra vem aí. Capitão Marvel vai ser uma mulher. Originalmente, era um homem, e Scott Derrickson queria que fosse uma mulher. Fico feliz que ele tenha pensado assim. 

É decepcionante quando criticam o fato de sua personagem não ser de origem asiática, como nos quadrinhos?

No filme, nunca ia ser um homem asiático, porque o diretor não queria perpetuar esse estereótipo, do oriental entregando a sabedoria para o herói branco. Ele tentou imaginar como uma mulher asiática, que terminava sendo um estereótipo também, da oriental misteriosa.

 

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