MARVEL MOVIES
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Com passar do tempo, heroínas ganham complexidade dramática

Publicada em 1941, Miss Fury, uma das principais inspirações da Mulher Maravilha, foi criada pela quadrinista June Mills

André Cáceres, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2019 | 03h00

O lançamento de Capitã Marvel, primeiro filme do universo compartilhado do Marvel Studios protagonizado por uma mulher, é excelente oportunidade para recordar a importância que as heroínas tiveram e continuam tendo para a cultura pop. Entre 1938 e 1950, a chamada Era de Ouro dos quadrinhos não nos legou apenas cuecas por cima das calças – várias mulheres vestiram mantos e capas para lutar contra o crime nessas histórias.

No início de 1940, a protetora sobrenatural das selvas africanas Fantomah foi uma das primeiras heroínas, criada por Fletcher Hanks. No mesmo ano, o próprio Will Eisner concebeu a Lady Luck, que lutava contra o crime apenas com suas artes marciais. A mais importante personagem desses primórdios, no entanto, foi Miss Fury, uma das principais inspirações da Mulher Maravilha, que surgiria seis meses mais tarde. Publicada pela primeira vez em abril de 1941, a Miss Fury foi a primeira heroína concebida por uma quadrinista – infelizmente, June Mills teve de usar o pseudônimo Tarpé Mills para ocultar seu gênero. 

Em outubro de 1941, foi a vez de Diana de Themyscira surgir e se tornar a mais vigorosa personagem feminina do nicho de super-heróis. Criada pelo psicólogo William Moulton Marston, a Mulher Maravilha é uma amazona que se misturou à sociedade para defender a humanidade. Ela se tornou uma das mais relevantes personagens da DC Comics e foi fundadora da Liga da Justiça. No entanto, só ganhou seu primeiro filme próprio em 2017.

Nos anos 1960, surgiram várias heroínas relevantes, como a Mulher Invisível (do Quarteto Fantástico), Jean Grey, Tempestade, Vespa, Viúva Negra, Feiticeira Escarlate – hoje, todas com suas respectivas encarnações cinematográficas, mas nunca como protagonistas. Entre as mais interessantes personagens dos últimos tempos está Jessica Jones, criada em 2001, e que não apenas subverte convenções dos quadrinhos, como a questão dos trajes, mas discute temas como estupro, relacionamentos abusivos, depressão e assédio sexual. Ela ganhou série em coprodução da Marvel com a Netflix.

Já a Capitã Marvel, que chega aos cinemas na quinta, 7, era chamada de Miss Marvel e não tinha um papel muito importante no universo da Casa das Ideias até que a roteirista Kelly Sue DeConnick recriou a personagem em 2012. Durante a saga Guerra Civil II (2016) nos quadrinhos, Carol Danvers, detentora do posto de Capitã Marvel, foi uma das protagonistas se opondo a Tony Stark, o Homem de Ferro. Quando Carol Danvers se tornou a Capitã Marvel e deixou o título de Miss Marvel vago, uma nova personagem, Kamala Khan, herdou sua alcunha. A jovem americana de origem paquistanesa apareceu pela primeira vez nas HQs da Capitã Marvel em 2013 e se tornou uma das favoritas dos leitores. 

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