Kevin Winter/Getty Images/AFP
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Com menor número de indicações, ‘Boyhood’ continua favorito

‘Hotel Budapeste’ e ‘Birdman’ saem na frente, mas este pode ser o ano de Richard Linklater

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S. Paulo

16 Janeiro 2015 | 03h00

Se formos nos fiar apenas nas indicações, O Grande Hotel Budapeste e Birdman saem na frente, com nove cada um. Mas é possível que 2015 seja o ano de Boyhood, com apenas seis indicações, mas que tem contado com a estima da crítica e venceu na categoria melhor drama (a principal) no Globo de Ouro. É um projeto diferente, filmar os atores ao longo de 12 anos, registrando o seu envelhecimento, a mudança de perspectivas diante da vida, o amadurecimento, etc. Mas há quem diga que a proposta é melhor do que o resultado, o que não é a minha impressão. Linklater não apenas teve a ideia original, como a realizou muito bem. Consegue seu intento de registrar a passagem do tempo e condensá-lo na duração de um longa-metragem. 

Dito isso, não haveria nenhum problema em se premiar Birdman ou Budapeste. São ótimos, ambos originais e inventivos. E esse é o trunfo do Oscar 2015 caso premie um dos três filmes referidos – não estará se rendendo à mesmice, ou aos bons propósitos, ou temas nobres, como faz de modo geral, mas estará premiando o cinema, a construção da narrativa, as maneiras diferentes de ver o mundo e a própria arte. Estes parecem os mais bem posicionados para vencer, embora não se possa desprezar Whiplash, por sua busca da perfeição, aliás o subtítulo brasileiro do longa. Ou Selma, que recupera a grande figura de Martin Luther King.

Para nós, brasileiros, cabe lembrar a indicação de O Sal da Terra, sobre o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, documentário dirigido pelo alemão Wim Wenders, em parceria com o filho de Salgado, Juliano. O filme tem pinta de vencedor, não apenas por seu personagem, um raro brasileiro de fato conhecido no mundo, mas pelo excepcional trabalho de Wenders. O doc foi exibido na Mostra de Cinema de São Paulo e a sensação das pessoas, na saída do cinema, era de que haviam sido presenteadas com aquela obra. A riqueza do material, a maneira como a história de Salgado é contada, da infância em Minas ao encontro da vocação, as viagens pelo mundo e a profissão de fé final na ecologia, são elementos muito fortes. 

Em outras categorias despontam favoritos óbvios. Michael Keaton deve ser a aposta certa como melhor ator, embora falem muito em Benedict Cumberbatch em O Jogo da Imitação e Bradley Cooper em Sniper. Reese Whitherspoon é tida como a favorita para melhor atriz, embora o Globo de Ouro tenha ido para Julianne Moore (em Para Sempre Alice). E agora, no Oscar, surgiu outra sombra para Reese na figura de Marion Cotillard, a excepcional atriz francesa (de Piaf), agora no filme dos Dardenne, Dois Dias uma Noite. Quem a viu nesta história de luta desesperada pela manutenção do emprego sabe que não se deve subestimá-la. 

O Oscar de melhor filme estrangeiro parece ficar entre o polonês Ida e o russo Leviatã, com vantagem para este. Ida inova no tema já muito filmado do Holocausto e Leviatã fala da corrupção russa na fase pós-soviética. Ambos são muito bons, mas do ponto de vista cinematográfico Leviatã é mais consistente. A não ser que os hermanos preguem uma surpresa e vençam com Relatos Selvagens

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