Com "Atlantis", Disney dá boas-vindas à aventura

Quando for lançado nas locadoras, o desenho animado Atlantis, produção da Disney que chega hoje aos cinemas de todo o Brasil, nem mesmo deverá despertar mais a curiosidade negativa pela qual o filme atravessa agora. Sinônimo de maestria da arte da animação, a Disney, por décadas, não levava uma chapuletada de outro estúdio como aconteceu esse ano, com Shrek, do estúdio DreamWorks. Abençoada pelo jornal Variety (a Bíblia do showbiz) como o mais popular desenho desde O Rei Leão, o desenho animado por computadores Shrek já arrecadou, até a última terça-feira, um total de US$ 217,7 milhões na bilheteria americana. Atlantis, que conquistou a soma de US$ 46, 8 milhões até o momento (está há menos tempo em cartaz), entrou para os livros de contabilidade da empresa como o lançamento de animação menos lucrativo desde O Ratinho Valente, em 1986. Mas não se engane com os ataques reservados à visada empresa do Mickey Mouse (se fosse um desenho do estúdio Paramount ou da Warner Bros., o assunto acima nem seria relevante). Atlantis, critiquem ou não, nasceu para marcar uma outra guinada no tema abordado pelos desenhos da Disney: adeus aos números musicais de cantor famoso para ganhar o Oscar, ou bichinhos na floresta, e boas vindas às aventuras. Sentados numa mesa de um restaurante mexicano - e discutindo o que fariam depois de O Corcunda de Notre Dame - os diretores Gary Trousdale e Kirk Wise, também criadores do desenho A Bela e a Fera (primeiro animado a ser indicado para o Oscar) decidiram que queriam criar um filme de exploração. "Já tínhamos feito um musical e outro longa sobre personagem histórico. Queríamos algo mais dark, mais sombrio", explica Wise em entrevista ao Estado.Baseado na lenda da Atlântida, cidade perdida no fundo do mar, Atlantis conta a história de um lingüista/cartógrafo (voz original de Michael J. Fox) que, para concluir o trabalho iniciado pelo avô explorador, consegue, em 1914, localizar a cidade que muitos estudiosos dizem ter sido fantasia da cabeça do filósofo grego Platão. "Nossa principal fonte de inspiração veio de outro trabalho da Disney, o longa de ficção Vinte Mil Léguas Submarinas", diz Trousdale. "Queríamos imprimir esse visual, com o lado heróico do Indiana Jones." Para conquistar um lado mais dark, a dupla de diretores contratou o famoso cartunista Mike Magnola, criador do herói gótico dos comics Hellboy. "Demos ênfase ao uso de cores mais sépias, além de ângulos, silhuetas e sombras", explica Wise. "Também resolvemos filmar em CinemaScope, responsável pelo aumento de 30% na largura do filme na tela", conta. Por intermédio de um lingüista, o americano Marc Okrand (que criou o dialeto Vulcânico, do Dr. Spock, em Jornada nas Estrelas), Atlantis ganhou um alfabeto fictício, o Atlanteano, com 29 letras. Alguns diálogos nesse "idioma" aparecem no filme e são devidamente legendados. A propósito, a Atlântida da Disney é seca (protegida por uma bolha) e parecidíssima com as ruínas da cidade de Angkor Wat, no Camboja.

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