Denise Andrade/ Estadão
Denise Andrade/ Estadão

Colegas e amigos lamentam a morte de Hector Babenco

Diretor argentino-brasileiro morreu nesta quarta-feira, 13, aos 70 anos, em São Paulo

O Estado de S. Paulo

14 Julho 2016 | 10h26

Morreu na noite desta quarta-feira, 13, o cineasta argentino brasileiro Hector Babenco, aos 70 anos. A informação foi confirmada pelo Hospital Sírio Libanês. Ele teve uma parada cardíaca. O velório será realizado na sexta-feira, 15.

Naturalizado brasileiro desde o fim dos anos 1970, Babenco foi um dos mais importante realizadores do cinema nacional. São dele filmes como Carandiru (2003), Pixote: A Lei do Mais Fraco (1981) e O Beijo da Mulher Aranha (1985), todos de sucesso internacional.

Pelas redes sociais, amigos e colegas profissionais prestaram homenagem ao diretor, e lamentaram a perda repentina. Veja:

Sonia Braga, atriz:

"O mundo às vezes nos distancia. Vivemos em cidades diferentes e não nos vemos. Acabamos vivendo, na lembrança, dos bons dias que passamos juntos e das alegrias que compartilhamos. Sempre serei grata a Hector pelos dias que passei filmando "O Beijo da Mulher Aranha”- que o levou, merecidamente, a concorrer ao Oscar. Vou sentir falta deste reencontro. Agora, indo a São Paulo para o lançamento de “Aquarius", era uma das pessoas que iria rever. Não deu tempo, infelizmente. Siga em paz."

Cacá Diegues, cineasta:

"Perdi um grande amigo, uma pessoa que prezava muito. Era sempre bom ouvi-lo, ele sabia muito das coisas. Como artista, ele era consagrado no mundo todo. A sinceridade dos filmes dele era comovente. Sua vida era de bravura. Ele travou o seu próprio destino, foi para a Europa jovem e, depois, veio para o Brasil e fazia questão sempre de dizer que era brasileiro. Sempre foi muito corajoso. Os seus filmes espelhavam isso, eram radicais, como Pixote e Lúcio Flávio, O Passageiro da Agonia. Como cineasta, era muito sincero e muito acordado para o que estava acontecendo em volta dele. É um cineasta trágico. A vida dele foi muito difícil, o linfoma deixou-o muito frágil.  Mas ele era de uma bravura incrível, de uma determinação muito grande. Era um artista articulado com a realidade em que vivia. Perdemos um grande mestre, mas os filmes não morrem."

Tata Amaral, cineasta:

Chocada e triste com a morte do Hector! Seu nome está escrito na história do cinema brasileiro para o qual contribuiu lindamente com grandes filmes. Tchau, Hector!

 

Luiz Carlos Barreto, diretor:

"Babenco é uma das figuras mais importantes do cinema brasileiro e universal, pela qualidade dos seus trabalhos, sua capacidade técnica e suas concepções artísticas originais autorais. Ele soube conjugar e harmonizar muito bem a qualidade artística, a técnica e os valores comerciais. Sempre foi um cineasta com essa visão de rigor técnico.  Isso foi muito importante para a sua trajetória de cineasta, e ele conseguiu alcançar. Ele também tinha a capacidade de extrair o melhor, não só dos atores, como de cada elemento de sua equipe. Sabia criar um clima de tensão e humor". 

Walter Salles, cineasta:

"Com as perdas de Babenco e de Kiarostami, o mundo do cinema fica subitamente menor. Babenco foi um dos maiores diretores da nossa cinematografia. Desenvolveu uma obra aguda e profundamente pessoal, que revela ao mesmo tempo a dimensão da tragédia brasileira e a finitude humana, toda a extensão do nosso drama existencial. Seus filmes, como Pixote, Lucio Flavio ou O Beijo da Mulher Aranha são reflexos potentes do nosso tempo, e ficarão para sempre. O mestre parte mas a obra fica, insubstituível."

Fernando Bonassi, escritor e um dos roteiristas de Carandiru:

"Hector Babenco era um parceiro exigente, difícil, mas sempre em benefício da qualidade e originalidade do trabalho. Vi inúmeras cenas em que ele se indispôs com produtores e financiadores pra defender o que ele achava necessário no roteiro. Estava ao lado da arte e não se importava de pagar o preço de sua autonomia."

Jorge Furtado, cineasta, de Era Uma Vez Dois Verões e O Mercado das Notícias:

"Hector Babenco foi, na minha opinião, o diretor brasileiro com o maior número de grandes filmes: Pixote, O Beijo da Mulher Aranha, IronweedLucio Flavio, O Rei da Noite, Carandiru, Brincando nos Campos do Senhor. Grande perda para o cinema, num ano que já nos levou Ettore Scola e Abbas Kiarostami."

Tuna Dwek, atriz de Meu Amigo Hindu‏:

"Antes de dar meu depoimento sobre o trabalho em si, tenho que registrar que cada ator que trabalhou em seu último filme tinha um desejo sem freios de trabalhar com ele. No set havia sempre uma reverência interna, um respeito lúdico de todos nós pelo grande criador que era, uma paixão permanente por estarmos lá. Um afeto armazenado que permeava tudo e nosso elenco de amigos. Hector nos dava liberdade para criar o que é, a meu ver, deixar fluir a essência do ator. E com Dafoe, a sensibilidade aflorava mais ainda. Ao chegar no set, eu dizia "que la pase bárbaro, pibe!" Que la pase increíble nena, respondia ele."

Gilberto Gil:

"Contento-me em ser uma pessoa não resolvida(...) acho que das minhas imperfeições, ainda sairão coisas interessantes"

RIP Hector Babenco

Michel Temer, presidente em exercício:

 

 

Lázaro Ramos, ator:

 

 

Maria Fernanda Cândido, atriz:

Manoel Rangel, presidente da Ancine:

Serginho Groismann, apresentador de TV:

 

 

 

Claudio Edinger, fotógrafo:

Em 1986 toca o telefone e é Hector Babenco. “Estou fazendo um filme com a Meryl Streep e o Jack Nicholson e preciso de um fotógrafo para fazer o Making Off. Topa?” Topei na hora.  O Babenco sempre foi um dos meus ídolos, tinha acabado de fazer o ótimo “O Beijo da Mulher Aranha”, dando um Oscar pro William Hurt. O filme era o Ironweed, baseado no livro premiado (Pulitzer) do William Kennedy. Li e adorei a obra. “Como será que ele vai traduzir este livrão pro cinema?” pensei. A história é ótima, trágica mas cheia de humor, sobre dois vagabundos de rua, Jack & Meryl, e suas desventuras durante a Grande Depressão.

Claudia Mello, atriz, pelo Facebook: "Ah Muito triste Obrigada querido genio Hector Babenco por sua passagem Mágica e Extraordinaria entre nós".

João Batista de Andrade, diretor do Memorial da América Latina, pelo Facebook: "Notícia triste. Babenco nos deixa."

Anna Muylaert, cineasta, pelo Facebook: "Ele agora está brincando nos campos do senhor. RIP HECTOR Babenco"

Gerald Thomas, diretor de teatro, pelo Facebook: "Morreu na noite desta quarta (14), aos 70 anos, o cineasta Hector Babenco. Ele sofreu uma parada cardíaca em sua casa, por volta das 23h. A informação foi confirmada à Folha por sua ex-mulher, Raquel Arnaud. Argentino radicado no Brasil, Babenco foi um dos mais importantes cineastas do país. Realizou "O Beijo da Mulher-Aranha" (1985), filme que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de melhor diretor e o prêmio de melhor ator a William Hurt. Um de seus longas mais conhecidos é "Pixote: A Lei do mais Fraco" (1981), sobre um garoto pobre paulistano que se afeiçoa a uma prostituta vivida por Marília Pêra."

Maitê Proença, atriz:

 

 

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