'Coisas que Perdemos pelo Caminho' tem Del Toro e Berry

Susanne Bier dirige o filme com personalidade e competência, deixando uma marca pessoal ao longo da trama

Alysson Oliveira, da Reuters,

08 de janeiro de 2003 | 11h04

A premiada dinamarquesa Susanne Bier (Corações Apaixonados, Brothers) estréia em Hollywood com o drama Coisas Que Perdemos Pelo Caminho, protagonizado pelos vencedores do Oscar Halle Berry (A Última Ceia, Mulher Gato) e Benicio Del Toro (Traffic). O longa estréia em circuito nacional.   Veja também: Trailer de 'Coisas Que Perdemos Pelo Caminho'  Diferente de muitos cineastas estrangeiros que chegam a Hollywood e abandonam rapidamente o estilo que os caracterizava em seu país natal, Susanne dirige com personalidade e competência, deixando uma marca pessoal ao longo do filme. Ela sempre foi uma diretora atenta a detalhes, que na tela são traduzidos pelo uso de closes nos olhos, nas mãos dos personagens, pequenos gestos que, aos poucos, expressam os sentimentos dos protagonistas Audrey e Jerry. Halle é Audrey Burke, uma mulher feliz, mãe de dois filhos pequenos, casada com Brian (David Duchovny, da série Arquivo X). Ele, por sua vez, é desde a infância o melhor amigo de Jerry (Del Toro), um sujeito viciado em heroína, que está se destruindo aos poucos. Essa amizade não agrada em nada à mulher - mas ela tenta respeitar a relação. Quando Brian é assassinado, o mundo de Audrey se despedaça. Depois de passar um tempo sem rumo, ela procura Jerry, que mora e trabalha numa clínica - mas não se trata para largar do vício - e o convida para mudar-se para um cômodo na garagem de sua casa. Surge uma complexa dinâmica familiar entre Jerry, Audrey e as duas crianças, Harper e Dory. Involuntariamente, ele começa a fazer o papel de pai. Ajuda os pequenos a superarem medos e pesadelos, ganha sua confiança e preenche aos poucos uma lacuna na vida deles - o que não agrada à viúva nem a ele mesmo. Jerry novamente busca consolo na heroína quando Audrey pede que ele vá embora. Nesse momento, o personagem de Del Toro faz uma verdadeira viagem no seu inferno pessoal, morando na rua e se autodestruindo. A viúva é procurada por uma amiga de Jerry, Kelly (Alison Lohman, de Verdade Nua), sente-se culpada e tenta salvá-lo. Em momento algum tenta-se fazer de Jerry e Audrey um casal. Eles são duas almas perdidas e desesperadas que precisam uma da outra, mas por motivos que não amorosos ou sexuais. Mas é a diretora quem dá um toque de personalidade à história, amparada em performances sólidas dos dois atores. (Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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