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‘Clube dos Cinco’ faz 30 anos e volta como clássico

Obra cultuada de John Hughes é remasterizada e ganha edição de colecionador com muitos extras

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

27 de junho de 2015 | 16h00

Quando John Hughes morreu, em 2009 – aos 59 anos –, todos os obituários destacaram que ele havia sido o poeta da juventude norte-americana dos anos 1980, que revelou por meio de uma série de comédias, às vezes doces, outras mais satíricas. Como produtor e diretor, Hughes não deu apenas voz aos adolescentes daquela época. Deu-lhes um rosto. Transformou Molly Ringwald na garota da porta ao lado de sua geração e ofereceu papéis emblemáticos a Emilio Estevez, Judd Nelson, Anthony Michael Hall e Ally Sheedy. 

Gatinhas e Gatões, Curtindo a Vida Adoidado, Ela Vai Ter Um Bebê. Numa outra vertente, Hughes e o diretor Chris Columbus ‘descobriram’ Macaulay Culkin e fizeram dele o Rambinho infantojuvenil da série Esqueceram de Mim, que também fez história em Hollywood. Mas de toda obra de Hughes, se fosse preciso guardar um só título teria de ser O Clube dos Cinco/The Breakfast Club, que em 2015 completa 30 anos. A data foi celebrada nos EUA, onde o filme tem status de cult, com direito a reestreia em sessões à meia-noite que atraíram os outrora jovens e hoje quarentões, senão cinquentões (e até mais).

O Brasil integra-se às comemorações por meio do Blu-Ray. O Clube dos Cinco está saindo numa edição comemorativa que inclui, além do próprio filme remasterizado, com som e imagem impecáveis, um atraente conjunto de extras, que tem ainda documentário sobre a produção e entrevistas com o elenco. Na época, surgiram outros filmes que também deram testemunhos geracionais, como The Return of the Secaucus Seven, de John Sayles, e O Reencontro, de Lawrence Kasdan – sobre uma geração um pouquinho mais velha – e O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas, de Joel Schumacher, sobre a mesma faixa etária.

O Clube dos Cinco é sobre cinco adolescentes que cometem transgressões na escola e ficam de castigo. A ‘ousadia’ de Hughes foi ter feito um filme na embocadura de seus jovens. Eles se sentam, vencem as próprias resistências e conversam. Falam sobre tudo. Para Entertainment Weekly – a revista é citada na capa – “é o melhor filme sobre estudantes já feito”. O bom de (re)ver O Clube dos Cinco é que prepara o público para o retrato de outra geração – os jovens atuais – em Cidades de Papel, novo filme adaptado de John Green (e que deve trazer o escritor ao Brasil nesta semana).

Brat Pack, quem ficou dessa turma

Nos anos 1950 e 60, havia o Rat Pack, grupo de atores comandado por Frank Sinatra e que incluía Dean Martin, Sammy Davis Jr. e Peter Lawford. Nos 80, e buscando uma aproximação com aquele grupo, a revista New York Magazine criou outra expressão – Brat Pack – para designar um conjunto de atores que apareciam juntos em filmes sobre e para adolescentes.

A maioria dos atores do Brat Pack veio dos filmes de John Hughes (O Clube dos Cinco) e Joel Schumacher (O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas). Por esse critério, os mais citados eram Emilio Estevez, Rob Lowe, Anthony Michael Hall, Judd Nelson, Andrew McCarthy, Molly Ringwald, Ally Sheedy e Demi Moore. O curioso é que o artigo original de New York Magazine listava atores que, em seguida, se desvinculariam do Brat Pack ou nunca mais seriam relacionados a ele, como Tom Cruise, Patrick Swayze, Ralph Macchio e C. Thomas Howell. Todos atuaram em The Outsiders/Vidas sem Rumo, de Francis Ford Coppola. Charlie Sheen chegou a flertar com o Brat Pack, mas foi por influência do irmão, Emilio Estevez.

Ainda segundo New York Magazine, o primeiro filme do Brat Pack foi Taps, de 1981, com Tom Cruise e Timothy Hutton. Passaram-se mais de 30 anos e o que restou daquela geração? Emilio Estevez casou-se com a coreógrafa Paula Abdul e foi deixado no altar por Demi Moore, que o trocou por Bruce Willis, com quem ficou 13 anos. Estevez tem dirigido séries de TV (The Guardian e CSI: NY). Anthony Michael Hall obteve seu maior sucesso na série The Dead Zone, entre 2002 e 2007. Judd Nelson estava no ar com Two and a Half Men. Ally Sheedy diminuiu o ritmo, mas faz filmes para TV e cinema. Molly Ringwald, a favorita de John Hughes, faz uma mãe na série The Secret Life of an American Teenager. / L.C.M. 


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