Clint Eastwood manda seu colega Spike Lee 'calar a boca'

Diretor explica por que não colocou nenhum soldado negro em seus 2 últimos filmes, decisão criticada por Lee

Efe,

08 de junho de 2006 | 14h00

O ator e diretor norte-americano Clint Eastwood mandou seu colega Spike Lee "calar a boca" nesta sexta-feira, 6, após este o criticar por não incluir nenhum soldado negro em seus dois últimos filmes. Lee estava se referindo aos filmes A Conquista da Honra e Cartas de Iwo Jima, que narram batalhas travadas perto do final da Segunda Guerra Mundial. Em uma entrevista ao jornal britânico The Guardian, Eastwood justifica sua opção por apenas escalar atores brancos em ambos os filmes e explica que nenhum dos soldados negros que participaram daquela batalha levantou a bandeira no monte Suribachi, façanha imortalizada em uma famosa foto. Spike Lee criticou seu colega no recente Festival de Cannes enquanto anunciava seu próprio filme Miracle at St Anna, sobre integrantes de uma divisão americana formada por negros que combateu na Itália na Segunda Guerra Mundial. "Clint Eastwood fez dois filmes sobre Iwo Jima que duram mais de quatro horas no total e nos quais não aparece nenhum ator negro. Caso vocês, repórteres, tivessem coragem, perguntariam por que agi desta forma", declarou Lee. "O que quer que eu faça? Uma campanha em defesa da igualdade de oportunidades, por exemplo? Minha missão não é esta, mas faço uma leitura histórica. Quando faço um filme baseado em uma história na qual 90% das pessoas envolvidas eram negras, como Birdie - sobre o músico Charlie Parker -, uso 90% de atores negros", explicou Eastwood. "Quando fiz aquele filme - Birdie, em 1988 -, - Spike Lee se queixou, pois um branco contracenara. Entretanto, se fiz isto foi porque ninguém mais havia feito. Ele podia ter falado comigo antes, mas não. Estava fazendo outra coisa", critica o cineasta. O próximo projeto de Eastwood, intitulado The Human Fator, mostrará como o primeiro presidente negro da África do Sul aproveitou a vitória de seu país na Copa do Mundo de rugby em 1995 para incentivar a união nacional. "Não vou transformar Nelson Mandela em um branco", concluiu em meio a risos.

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