FOTO WILTON JUNIOR/ESTADAO
FOTO WILTON JUNIOR/ESTADAO

Cleo Pires pega em armas contra a corrupção policial em novo thriller

Estrela de ‘Operações Especiais’, atriz conta que teve de treinar tiro e ação corporal para o papel no novo filme do diretor Tomas Portela

Entrevista com

Cleo Pires

Luiz Carlos Merten , O Estado de S. Paulo

15 Outubro 2015 | 03h00

Cleo Pires conta que sempre conviveu mal com a ideia da ‘celebridade’. Filha da atriz Glória Pires e do ator e cantor Fábio Júnior, confessa que, menina, se assustava com o assédio da imprensa à sua mãe. Hoje, está mais light. Tem a ver com sua fase atual. Está muito feliz com o companheiro, Rômulo Neto. Cleo faz essas confissões num restaurante do Lagoon, o complexo de salas e restaurantes que abrigou as galas da Première Brasil, no Festival do Rio. Ela chega atrasada. Desculpa-se – “Estava gravando no Projac”. 

O visual é de sua personagem na minissérie Super Max, de José Alvarenga e José Eduardo Belmonte. O encontro é para falar de Operações Especiais, o thriller de Tomas Portela, que estreia nesta quinta, 15, em 312 salas do País. Cleo conta como foi pegar em armas para fazer sua primeira agente policial. Revela a contradição – para alguém tão avessa à celebridade (“Acho bem idiota esse assédio, sabe?”) –, ela admite ter um lado exibicionista.

Operações Especiais é sobre uma agente novata que precisa se afirmar no meio machista da polícia, mas o mais interessante é a forma como o diretor Portela põe o dedo numa ferida. É difícil ser policial honesto no Brasil. Concorda?

Totalmente. Tem todo esse lado da trajetória da minha personagem, a Francis, mas o mais importante é o olhar do Tomas para as pequenas corrupções do dia a dia. As pessoas enchem a boca para falar, apontam o dedo acusador, mas não percebem que muitas vezes estão fazendo o que reprovam nos outros. Claro que não se pode generalizar, mas gostaria muito que o filme servisse para provocar a discussão sobre a polícia que temos e a que achamos que queremos. A gente quer mesmo uma polícia investigativa e atuante?

Exemplo disso é a personagem de Fabíula Nascimento, a dona do instituto de beleza, que assume uma atitude pouco ética...

É o que falava. Ela critica os poderosos, mas está mais preocupada com o irmão, que faz m..., e para limpar ela se compromete. Há muita promiscuidade, como atender melhor, fazer a unha de graça. Essas gentilezas geram compromissos. E, quando você vê, já era.

Há um lado emocional forte no filme, mas também existe a ação física. Como foi a preparação?

Bem dura. Tive de treinar tiro, ação corporal. Foi bem intenso. E o Tomas (o diretor Portela) não deu mole, não. Ele se preocupa muito com a verdade dos personagens, da história.

Você havia feito com ele o Qualquer Gato Vira-Lata 1, que foi um grande sucesso. Como foi essa virada da comédia para o drama?

Gosto do Gato 1, mais que do 2. Tomas é inquieto. Não queria contar só mais uma história de violência. Os personagens são reais. Fabrício (Boliveira), Thiago (Martins), o (Marcos) Caruso. Conheço ele desde pequena. A gente morava no mesmo condomínio. Para mim, era o tio da casa ao lado. Só que esse tio é um p... ator que eu aprendi a admirar. O discurso dele no filme é muito forte. Essa coisa de ser íntegro. Tem de ser um ator especial para passar isso, e ele é.

Não falamos desse seu visual nem da minissérie...

...E nem vamos, porque não posso. Mas está sendo bem bacana. O texto de Super Max é de Marçal Aquino e Fernando Bonassi, e tem esses diretores incríveis. É um reality show dentro de um presídio. A personagem é uma guerrilheira. É diferente de tudo que já fiz.

Você está no ar com a reprise de Caminho das Índias. Você gosta de se ver?

Às vezes, até gostaria de dar uma olhada, mas me esqueço. Foi uma novela importante para mim. Glória Perez me deu uma personagem forte, a antagonista da Juliana (Paes). Fiz depois, também dela, o Salve Jorge, que marcou.

Você era bem sensual na novela. Por falar nisso, a cena com Fabrício Boliveira é bem caliente em Operações Especiais. Como é fazer sexo no cinema?

Ai, vou ter de admitir que sou meio exibicionista. Fazer essas coisas de mentirinha num set, com toda segurança, me libera para dar vazão às fantasias. É divertido.

Mais conteúdo sobre:
cleo pires cinema

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.