Daniel Teixeira
Daniel Teixeira

Cléo Pires comenta as gêmeas do thriller ’Terapia do Medo’, filme que finaliza em São Paulo

Em entrevista, Cléo conta que atuar consigo mesma é um desafio

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

26 Março 2017 | 04h00

Cléo Pires conversa com o repórter num café dos Jardins. É sexta-feira à tarde e, daqui a pouco, o carro da produção a apanha para levar ao último dia de filmagem no set de Terapia do Medo. Cléo faz gêmeas no thriller sobrenatural de Roberto Moreira. Gêmeas? Você está querendo concorrer com sua mãe? “Está me estranhando, cara? Não é assim que funciona”, diz Cléo, brincando de repreender o repórter. “Nem me passa pela cabeça essa coisa de querer me equiparar a quem quer que seja, muito menos minha mãe, que é maravilhosa.”

Há 24 anos, Glória Pires fez as gêmeas Ruth e Raquel de Mulheres de Areia, novela emblemática de Glória Perez. “Gosto muito de algumas coisas que minha mãe fez, não de tudo. Vale Tudo, (O Memorial de) Maria Moura. Mas eu acho que, mais que tudo, gosto de Mulheres de Areia. Tinha 10 anos, ela havia acabado de ser mãe, a Antônia devia ter um ano. Mamãe estava linda, com aquele cabelo. Transparecia a plenitude ser mulher, de ser mãe.” As gêmeas, lá, representavam o bem e o mal. “Nada a ver com o filme. Aqui as gêmeas são Fernanda e Clara.” Cléo procura a palavra. “Ah, são normais. Humanas, como qualquer pessoa. Formam uma dupla de jogadoras de vôlei. A integração é perfeita, mas aí acontece alguma coisa. Elas perdem a sincronicidade na quadra. E uma sofre um acidente, fica catatônica. Um médico vai ajudar a desvendar o mistério.”

O filme está sendo finalizado em São Paulo. Já teve cenas em Ilhabela. “Não conhecia, achei linda, mas, meu Deus! Nunca vi tanto mosquito. E grandes, enormes. Quase me comeram viva”, brinca. Cléo teve de se preparar fisicamente para o papel? “Havia jogado vôlei na escola. Agora, tive três semanas de preparação. Para lembrar algumas coisas de jogos, e aprimorar outras.” Contracenar consigo mesma implica numa série de truques e efeitos. O filme terá uma pós-produção mais longa. “Usamos muito o chroma key (uma técnica de efeito). E também uma jogadora com um corpo muito parecido com o meu. Lisandra Cortez ficou uma amigona. É de uma generosidade... Falta-me a palavra. Ela me empresta seu corpo, mas na verdade não parece, porque meu rosto vai ser aplicado no corpo dela.”

Na Globo, Cléo vem de uma novela (Haja Coração) e uma série (Supermax). É contratada da emissora. Acaba de renovar. “Tenho um acordo muito bacana com eles. Só uma vez eu emendei novelas. Foi desgastante. Preciso de tempo, de espaço. Gosto de me reciclar, de me reinventar. E a Globo tem me permitido fazer isso.” Ela ainda não sabe quais são os planos da emissora. Tem emendado filmes. “Fiz o Todo Amor, do Marcos Bernstein, que é uma mistura de road movie, de romance e comédia. Acho que foi o set mais feliz da minha vida. Amei!” Atualmente, ela finaliza Terapia do Medo e, em maio, emenda outro filme. “É um diretor lá da tua terra, do Sul. Zeca Pires. Um filme sobre a resistência do (Leonel) Brizola, após o episódio da renúncia do (presidente) Jânio Quadros. O vice, João Goulart, estava fora do País e Brizola criou o movimento da Legalidade, para garantir que ele fosse empossado.”

Ela admite – “Fui criada por uma avó (a mãe de sua mãe) brizolista doente. Sempre fui fissurada no Brizola como homem público.” É um projeto que já vem rolando há uns seis anos, e agora sai. “O roteiro já mudou muito. Ia fazer uma mãe, depois a filha que investiga o sumiço dela. Olha, pra te dizer a verdade não sei direito o que vou fazer, mas o entusiasmo do Zeca me cativou. Acho que vai ser uma experiência trilegal.” Cléo conta tudo isso no café lotado. Nem que quisesse, com toda aquela beleza, conseguiria passar despercebida. O assunto ‘celebridade’ vem à tona. “Quando eu era criança convivia mal com isso. Ainda nem havia o assédio dos paparazzi, era do público mesmo. Como toda criança, queria meu pai (Fábio Júnior) e minha mãe (Glória Pires) para mim. Não entendia por que meus coleguinhas tinham os pais só para eles e eu tinha de dividir os meus.” 

Roberto Moreira e a atração do gênero

Roberto Moreira conversa com o repórter do carro que o leva para o último dia de filmagem de Terapia do Medo. “Vai ser uma cena debaixo d’água, que vamos filmar numa piscina”, conta o cineasta. Admirador de Os Inocentes, de Jack Clayton, e O Iluminado, de Stanley Kubrick, ele incursiona pelo cinema de gênero, com todos os desafios que isso representa. “O filme tem muitos efeitos de pós-produção, e quem está fazendo é o Guilherme Ramalho, da Quanta. Tudo é novo, porque a gente não tem tradição nesse tipo de filme, mas é algo que muita gente está fazendo, ou querendo fazer, no Brasil.” A ideia é lançar a produção da Downtown no começo de 2018. 

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