Warner Bros.
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Clássico de Scorsese, 'Os Bons Companheiros' será exibido em cópia nova

Filme terá sessões às 22h e 23h30, na Rede Cinemark, neste sábado, 29

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2019 | 14h38

São quase 30 anos de Os Bons Companheiros. O longa que Martin Scorsese adaptou do romance de não ficção de Nicholas Pileggi, com roteiro do próprio escritor (e dele), talvez tenha sido o último grande filme - grande mesmo - do cinesta. Vieram depois a fase com Leonardo DiCaprio, o Oscar, que finalmente obteve por Os Infiltrados, em 2007, e o reconhecimento com a The Film Foundation, que vem se dedicando ao restauro de obras viscerais do cinema mundial. Talvez ainda venha a ser o maior mérito de Scorsese. Seu reconhecimento de que existe vida inteligente no cinema, não só de Hollywood, e batalhar pela preservação.

Os Bons Companheiros 

E por que lembrar do clássico de 1990? Porque neste sábado, 29, Os Bons Companheiros é a atração da Rede Cinermark em seu horário Clássicos Cinemark. O filme será projetado em amplo circuito, exclusivamente na sessãso das 22h e 23h30. No original, o livro de Pileggi chama-se Wiseguy, mas o título foi substituído porque já pertencia a outro filme - de Brian DePalma, de 1986.

Trabalhando conjuntamernte, o diretor e o roteirista trocaram o título para Goodfellas, escolheram um ator cheio de carisma para o papel principal, Ray Liotta, e ainda propuseram uma estrutura não linear e muito criativa para seu relato de gângsteres. De cara, Henry Hill/Liotta admite - "Desde criança, sempre quis ser gângster." Para ele, seria um mundo de glamour, dinheiro, armas, belas mulheres. Mas com uma regra de ouro - "Jamais traia os amigos da família (criminosa)."

Tudo dá certo enquanto Henry mantém-se fiel à palavra empenhada. Quando passa a ser perseguido pelas autoridades, e aceita entregar antigos parceiros, entrando para o programa de proteção a testemunhas, seu mundo rui. O poderoso Henry é reduzido à sua condição de homem comum, de nulidade. E a situação só tende a piorar, com os assassinos da Máfia tentando descobrir sua nova identidade. Liotta, Robert De Niro, Joe Pesci - que ganhou o Oscar de coadjuvante -, Lorraine Bracco. E, ah, sim, Samuel L.Jackson, ainda num pequeno papel, e Catherine Scorsese, a mãe do diretor, numa participação como a mãe de Joe Pesci. Na época, ajudou a construir a miotologia do filme sua cena de abertura. A câmera, subjetiva, segue Henry num plano contínuo, e interminável, enquanto ele avança por corredores, escadarias, recebendo saudações e tapinhas nas costas como o bom companheiro que é.

 

Um verdadeiro momento de antologia, e um tour de force do cineasta e de seu diretor de fotografia, Michael Baulhauss. Não foi só aí que Scorsese ousou. Estimulado por Pileggi, cujo livro, afinal, era uma não ficção, ele deu carta branca aos atores para que improvisassem na fase de preparasção, incorporando cenas e diálogos que iam inventando à estrutura do filme. Muito importante - como um de seus autores preferidos, Howard Hawks, que transformou Rio Bravo, Onde Começa o Inferno (no Brasil), de 1959, na matriz de um tríptico de westerns com John Wayne - sendo os outros dois Eldorado, de 1967, e Rio Lobo, de 1970 -, Scorsese criou, a partir de Os Bons Companheiros, um díptico de gângsteres com Cassino, de 1995, mas ainda deve o terceiro exemplar.

Cinéfilo de carteirinha não vai perder a oportunidade de (re)verr Os Bons Companheiros numa cópia zero bala. Para incrementar, uma provocação - tanta gente gosta da fase DiCaprio de Scorsese. Quais os melhores filmes dele, para o autor do texto? Os três melhores filmes de Scorsese? E, por que não, os cinco melhores de gâsngsteres? Vamos lá?

OS TRÊS + DE SCORSESE:

Touro Indomável

A cinebiografia do pugilista Jake LaMotta, cuja vida (e carreira) foram destruídas pelo ciúme. A história sui-generis de um Otelo que consegue ser o próprio Iago a instigar seus sentimentos destrutivos. Oscars de ator (De Niro) e montagem (Thelma Schoonmaker) em 1980.

Depois de Horas

Prêmio de direção em Cannes, 1985. Griffin Dunne pega um táxi para ir ao encontro de uma garota na noite de Nova York. Sua nota de US$ 20 voa pela janela e, a partir daí, nada mais dá certo. Uma noite de pesadelo, um filme sobre o coito interrompído. 

Os Bons Companheiros

O plano-sequência do cinmema é das coisas mais 'gloriosas' que o cinema criou.

 

OS CINCO + DO CINEMA DE GÂNGSTERES:

 

O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola

Alguma dúvida? Coppola e o escrtiotor Mario Puzo transformam a luta pelo poder numa democracia étnica numa portentosa lição de cinema narrativo. Baseado no best seller de Puzo, Oscars de filme e ator (Marlon Brando), entre outros.

Scarface, de Brian DePalma

Mais do que o remake do clássico de 1932, o filme de 1983 é a reinvenção do cinema de gângsteres por De Palma. Tony Montana deixa Cuba numa balsa e chega a Miami para se converter no rei no pó, construindo seu império à base de violência. Al Pacino espetacular, a jovem Michelle Pfeiffer assombrosamente linda, e Steven Bauer bom como nunca.

Alma no Lodo, de Mervyn LeRoy

O filme de 1931 transformou Edward G. Robinson num ícone da representação do gângster no cinema. Robinson estourou como Caesar 'Rico' Bandella. O amigo Joe Massara e ele seguem rumos diversos na vida. E chega o momrento em que Rico, para se converter no 'Pequeno César' (o título original, Little Cesar), tem de decidior se mata o antigo parceiro.

Fúria Sanguinária, de Raoul Walsh

No clássico de 1949, James Cagney é excepcional como o gângster edipiano (e brutal) Cody Jarrett. Devotado à mãe e sofrendo de terríveis dores de cabeça, ele destrói tudo e todos ao redor. No final antológico, e que certamente inspirou o 'rei do mundo' James Cameron, Cody sobe ao topo do prédio gritando pela mãe. "Top of the world, Ma." Maior será sua queda.

Os Cinco de Chicago, de Roger Corman

Famoso por suas adaptações de Edgar Allan Poe, Roger Corman nunca foi melhor do que nessa cinebiografia da lendária Ma Barker, de 1970. Como mãe possessiva, Shelley Winters é genial, formando quadrilha com os quatro filhos para assaltar bancos e cometer todo tipo de atrocidades (sequestros, assassinatos) em Chicago, nos anos 1930.

 

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