CineSul apresenta o melhor da América Latina

O CineSul, mostra de cinema latino criada há nove anos no Rio, transforma-se em festival competitivo e chega a São Paulo. De hoje até o dia 20, os cariocas assistirão à versão completa do evento, com mostras informativas e retrospectivas, shows, debates e exposições. Os paulistas assistirão, no CCBB, de sexta até o dia 23, aos principais programas do novo festival. Inclusive a íntegra da mostra competitiva.Nove longas vão disputar o prêmio CineSul. O Brasil se faz representar pelo documentário A Rocha Que Voa, de Erik Aruak Rocha, filho de Glauber e da cineasta colombiano-brasileira Paula Gaitán. Erik, de 23 anos, realizou ensaio poético sobre a agitada e curta permanência do diretor de Terra em Transe em Cuba, no começo dos anos 70. O filme venceu a parte brasileira do Festival É Tudo Verdade, em abril.Argentina, México e Chile têm dois representantes, cada um, na mostra competitiva do CineSul. Vidas Privadas, do roqueiro Fito Paez, em sua estréia cinematográfica, e El Descanso, da trinca Rodrigo Moreno, Ulises Rosell & Andrés Tamborino (considerado melhor filme no Festival Independente de Buenos Aires) representam o país vizinho. O trunfo de Vidas Privadas é sua protagonista, a atriz Cecília Roth, mulher de Fito e musa de Almodóvar, com quem trabalhou em Tudo sobre Minha Mãe, Labirinto de Paixões, Maus Hábitos e Pepi, Lucy, Bom y Otras Chicas del Montón. O México se faz representar por Perfume de Violeta, filme de Maryse Sistach, e De la Calle, de Gerardo Tort, e o Chile, por Táxi para Três, de Orlando Lubbert, e La Fievre del Loco, de Andrés Wood. Augusto Tamayo, do Peru, concorre com El Bien Esquivo, e a uruguaia Beatriz Flores com a comédia dramático-feminista En la Puta Vida, exibido na Mostra Internacional de São Paulo, ano passado.O júri que distribuirá os prêmios CineSul tem o cineasta cubano Fernando Perez (Clandestinos e Hello, Hemingway), a atriz brasileira Ítala Nandi; o pesquisador Paulo Paranaguá, autor de O Cinema na América Latina; Adriano Aprá, crítico italiano e diretor da Cinemateca Nacional de Roma, e Jaime S. Ângulo, diretor do Festival Latino de Miami.Hors-Concours - Em sessão hors-concours, o CineSul exibirá o filme La Ciénaga (O Pântano), da argentina Lucrécia Martel, premiada como melhor diretora estreante em Berlim/2001. No terreno das homenagens, o CineSul relembra a memória do espanhol Paco Rabal, um dos atores preferidos de Buñuel, e do brasileiro Alex Viany. E premia o peruano Francisco Lombardi, o mais conhecido e prolífico dos realizadores de seu país, com o Troféu MercoSul.O cineasta Lombardi nunca veio ao Brasil, embora quatro de seus filmes tenham participado da mostra competitiva do Festival Gramado. Um deles, Pantaleão e as Visitadoras, roubou a festa em 2000, ganhando sete Kikitos.Nas raras vezes em que o cidadão Lombardi pisou o solo brasileiro o fez na condição de cartola de futebol. Ele dirigiu (no período 93/97) o Sport Cristal, time limenho que freqüenta, com assiduidade, a Copa Libertadores da América. Mais uma vez, "Pancho" Lombardi estará ausente do ambiente cinematográfico brasileiro. Será representado pelo filho, Diego Lombardi.Para compensar, o mais famoso dos diretores peruanos será visto em sete de seus 13 filmes, reunidos em mostra retrospectiva. Quem não puder ver a mostra inteira, deve jogar suas fichas em pelo menos dois títulos: Caídos del Cielo, com seu humor negro herdado de Luis Buñuel, e La Ciudad y los Perros, baseado em livro homônimo de Vargas Llosa.A memória do carioca Alex Viany (1918-1992), morto há exatos dez anos, será evocada em mostra retrospectiva de seus filmes (Agulha no Palheiro, Rua sem Sol, Rosa dos Ventos, Sol sobre a Lama, A Noiva da Cidade) e de exposição de registros fotográficos de sua trajetória (como crítico, pesquisador, roteirista e diretor). O cineasta terá sua vida documentada, também, em filme da realizadora paulista Rachel Monteiro. O ator espanhol Francisco Rabal (1926-2001), um dos preferidos de Buñuel, será lembrado no CineSul com a exibição da comédia Las Noches de Constantinopla (hoje, no Rio; dia 20, em SP). No filme de Orlando Rojas, Paco Rabal representa artista plástico cubano frustrado por nunca ter alcançado a fama. E mais ainda por não ter cometido a loucura que mudaria sua vida: imigrar com seu grande e frustrado amor para a Espanha. O festival abre espaço, também, para o Videosul (mostra competitiva de vídeos latino-americanos).

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