JF DIORIO/ESTADÃO
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Cinemateca ganha alívio no prazo da cobrança de luz

Por meio de negociação feita pelo vereador de São Paulo Gilberto Natalini, instituição terá prazo maior para quitar as dívidas antes de ter a energia elétrica cortada

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

18 de junho de 2020 | 21h11

Na lista de coisas a serem resolvidas para a Cinemateca Brasileira voltar a funcionar, pagar a conta de energia elétrica está bem no alto. A necessidade ganhou um alívio a curto prazo depois que o vereador de São Paulo Gilberto Natalini (PV) oficiou a Enel (antiga Eletropaulo) sobre a importância da manutenção da energia elétrica na instituição.

"Recomendo que a Cinemateca enquanto inadimplente não seja tratada como uma entidade ou empresa qualquer, as consequências culturais de um apagão energético seriam graves", diz o ofício do vereador. A dívida da conta de luz se aproxima dos R$ 500 mil.

Conforme Natalini compartilhou em uma audiência pública realizada em meio virtual pela Câmara Municipal de São Paulo nesta quinta-feira, 18, houve também contatos telefônicos com diretores da empresa de energia elétrica para esclarecer a situação e solicitar mais tempo para que os débitos sejam quitados. A Enel cancelou o corte e uma nova conversa será realizada em julho para redefinir os prazos.

Um eventual corte de luz no prédio da Cinemateca Brasileira, na Vila Clementino, em São Paulo, poderia ter efeitos catastróficos na preservação de parte do acervo, colocando em risco de autocombustão milhares de rolos de filmes armanezados ali.

Audiência pública na Câmara mostrou mobilização política e do setor

Na audiência pública, em que estiveram presentes diversos vereadores, o secretário municipal de Cultural, Hugo Possolo, e representates do setor audiovisual, o presidente da Associação Roquette Pinto (Acerp), a entidade civil que administra a Cinemateca, Francisco Câmpera, disse esperar que uma solução seja apresentada pelo governo federal, via Ministério do Turismo, nesta sexta-feira, 19.

"O único jeito de resolver a curto prazo é repassar (à Acerp) os recursos atrasados, e depois nós fazemos a transição de uma forma pacífica", disse Câmpera na reunião, transmitida online pela Câmara Municipal. "Percebi que tanto a presidência quanto o Ministério do Turismo não sabiam da profundidade do problema, e só passaram a saber quando isso se tornou público. O entra e sai na Secretaria Especial de Cultura criou instabilidade."

O secretário Hugo Possolo disse que a Prefeitura está mobilizada para oferecer soluções aos problemas — uma delas seria agilizar o repasse de emendas parlamentares direcionadas para a Cinemateca, como sugeriu o vereador Xexéu Tripoli (PSDB). Para Tripoli, o governo federal ignorou o quanto pôde a situação.

Representantes do setor audiovisual também pediram à Acerp mais diálogo na condução da Cinemateca, e mesmo a reestruturação de um Conselho de Administração com participação da sociedade civil. "Foi um Carnaval a Cinemateca Brasileira nesses dois anos", chegou a dizer o cineasta Roberto Gervitz. O superintendente da Cinemateca, Roberto Barbeiro, disse que a entidade está aberta ao diálogo e que não o fez antes, este ano, por conta da grave situação financeira e de falta de repasses por parte do governo federal.

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