Cinemateca do MAM faz aniversário

A cinemateca do Museu de Arte Moderna, MAM/RJ, comemora 45 anos com uma programação especial, a partir desta sexta-feira, data em que foi realizada a primeira sessão de cinema no local. Na sessão de abertura haverá uma projeção do equipamento Lanterna Mágica, aparelho de imagens fixas, que, utiliza o recurso de vidros pintados à mão, em voga desde o século 17 até o final do 19. Esta exibição terá o acompanhamento ao piano por Cadu, há 13 anos na função de pianista de filmes mudos da cinemateca, um dos poucos profissionais com esta especialização no Brasil. Mais do que uma sala de exibição, que possui o privilégio de estar localizada no Aterro do Flamengo, com vista para o Pão de Açúcar, a cinemateca do MAM fez história, tornando-se referência e refúgio para o cinema nacional. Este espaço viu nascer o Cinema Novo, com cineastas como Cacá Diegues, Joaquim Pedro de Andrade e León Hirzman, entre outros. Com o golpe militar de 64, transformou-se em um dos centros de resistência político cultural e vanguarda cinematográfica, exibindo uma programação que permitia ao público assistir a filmes censurados, como Encouraçado Potemkin, de Sergei Eisenstein, retirado de cartaz durante uma mostra de cinema soviético, em 1972.Fonte permanente de consultas de festivais e instituições nacionais e internacionais, ali também está instalada a maior biblioteca especializada em cinema do Brasil. O acervo possui coleções de revistas raras, roteiros originais de Gláuber Rocha, cartazes, fotos e significativa documentação. Gilberto Santeiro, curador desta mostra, diz "que o grande desafio da cinemateca é a informatização dos negativos que são acomodados em câmaras refrigeradas. Até o final do ano, ele acredita que todo o acervo, com 25 mil títulos, esteja totalmente restaurado". A escolha da programação de aniversário, segundo ele, "levou em conta a diversidade deste acervo, com vários estilos e tendências: chanchadas, desenhos animados, filmes nacionais e estrangeiros". A programação da primeira semana traz, nesse sábado, Nem Sansão Nem Dalila (Brasil, 1954) de Carlos Manga, com Oscarito, às 15h e Outubro (Oktiabr - Rússia, 1927) de Sergei Eisenstein, às 17h. No domingo, Uma Noite na Ópera (A Night at the Opera - EUA - 1935) de Sam Wood, com os Irmãos Marx, às 15h e Porto (Hamnstad, Suécia, 1948) de Ingmar Bergman, às 17h. Entrada franca.Programação da segunda semana: Sexta, às 18h30, Sindicato dos Ladrões (de Elia Kazan (EUA, 1954), com Marlon Brando e Karl Malden. Sábado, dia 15, às 15h, Aniki Bobó de Manoel de Oliveira (Portugal - 1942). Às 17h, Othelo de Orson Welles (Itália, 1952), com Orson Welles e Michel Mac. Domingo, dia 16, às 15h, O Jardim dos Finzi-Contini de Vittorio de Sica (Itália/Alemanha 1970), com Dominique Sanda, Lino Capolicchio. Às 17h, O Anjo Nasceu de Júlio Bressane (Brasil, 1969), com Hugo Carvana e Norma Benguel.

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