Cinemas terão que exibir 2 filmes nacionais em 28 dias

Neste ano, os cinemas serão obrigados a exibir, no mínimo, dois longas-metragens brasileiros num período de 28 dias, menos tempo do que em 2006 (35 dias). A determinação consta do Decreto 6.004, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Cultura, Gilberto Gil. A diminuição no número de dias é resultado da queda na procura por produções nacionais. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas (ABD), Guigo Pádua, a queda na venda de ingressos foi registrada de maneira geral, tanto no cinema nacional quanto nas produções estrangeiras. Para Pádua, o fato tem impacto relevante, pois reflete um problema de audiência do cinema brasileiro, e isso deve ser atacado. ?Os preços dos ingressos e também a pouca promoção do próprio cinema podem ser um dos motivos dessa redução. É difícil competir com o cinema hegemônico?, destacou em entrevista à Agência Brasil. Pádua afirmou que a recepção dos filmes pelo público é incerta e ?uma questão de mercado?, mas que a obrigatoriedade é importante para alavancar as produções: ?não é a solução ideal essa de obrigar a exibição de filmes brasileiros, mas é a possível, em um mercado muito competitivo e desigual com relação ao produto americano, que entra no país com grande publicidade e impacto. A gente precisa, de alguma forma, que o filme chegue à tela?. Com relação ao governo, o cineasta acredita que o Ministério da Cultura tem feito o possível, mas existem pressões do mercado americano que impedem maior penetração do filme nacional junto ao público brasileiro. Luta constante ?Para tentar barrar essa pressão, temos que continuar a nos mobilizar junto com os governos, entidades. É uma luta constante de ocupação de espaço. Temos que ocupar todos os espaços que forem possíveis?, disse Pádua. O presidente da ABD lembrou que ainda não existe uma posição formal da associação com relação à nova cota, mas o assunto deve ser discutido no Festival de Cinema de Atibaia, em São Paulo, nos próximos dias 11 e 12. As cotas são proporcionais, isto é, dependem do número de salas de cinema que a empresa possui. A tabela com os números foram fixadas pela Agência Nacional de Cinema (Ancine), que também é responsável pela fiscalização do cumprimento do decreto. Na opinião de Pádua, essa fiscalização ?não tem sido satisfatória? já que a Ancine sofre com problemas de infra-estrutura, com a falta de fiscais e de um sistema mais eficiente de fiscalização, e não consegue atender todo o país. ?Mas estamos atentos ao problema?. Os números de dias e títulos podem ser consultados na página do Ministério da Cultura (www.cultura.gov.br) na internet.

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