Cinemas de SP e Rio se adaptam ao formato digital

O cineasta Hector Babenco já reviu seu mais recente filme, Carandiru, em diversas oportunidades, mas a de amanhã pretende ser especial: o longa que o Brasil indicou como seu representante no Oscar terá uma projeção em mostra paralela do Festival de Cinema de Sundance. Não uma exibição tradicional, em película, mas no formato digital. Será o ponto de partida de um amplo projeto da empresa Rain Networks que, a partir de fevereiro, vai reequipar salas de São Paulo e do Rio para receber filmes próprios para essa tecnologia. E, além da exibição, o grande diferencial oferecido pela empresa será uma distribuição também digital, via rede privada, como intranet."Com isso, serão eliminados riscos financeiros nos lançamentos dos filmes, pois a pirataria será controlada e ainda será criada uma das mídias mais eficientes para se anunciar, graças à sua rapidez de publicação e à qualidade da projeção em alta definição", comenta Fábio Lima, diretor operacional da Rain, empresa fundada e sediada no Brasil, pertencente ao Grupo Mega. Segundo ele, uma grande rede de salas já estará em funcionamento no Rio e em São Paulo e, até o fim de abril, outras três cidades também serão aparelhadas.O sistema já funciona em uma das salas do shopping Market Place, que exibiu, em outubro, o filme Os Normais, o primeiro no País a ter todos os seus processos realizados no formato digital, desde a produção e a distribuição até a exibição. Nesse processo, o custo diminui sensivelmente. Os longas tradicionais, que utilizam película, precisam ter uma cópia para cada sala exibidora. Como o custo da feitura da cópia é elevado (cerca de US$ 1,5 mil por unidade), os exibidores costumam limitar a menos de 200 para cada filme de razoável aceitação. Mesmo para os blockbusters, são produzidas no máximo 500 cópias, que vão inicialmente cobrir as grandes capitais e demais cidades com grande população. As demais recebem as mesmas cópias semanas depois e em menor quantidade, por conta do custo do envio de latas que chegam a pesar 40 quilos por filme. Os filmes brasileiros ainda têm outro agravante financeiro, pois, além das cópias, precisam investir cerca de US$ 50 mil para produzir o negativo que dará origem às cópias.Direito autoral - "Com a distribuição digital, acontecerá a democratização do conteúdo, pois um cinema do interior do Acre receberá a cópia de um importante lançamento ao mesmo tempo em que uma grande sala de São Paulo", comenta Lima, que embarcou ontem para os Estados Unidos. A Rain Networks desenvolveu um sistema chamado KinoCast, que permite a distribuição de filmes via satélite a servidores locais. A tecnologia permite, além do envio do longa, o controle do direito autoral. E a combinação permite um gerenciamento completo das sessões. O processo é rápido: a Rain recebe um arquivo digital codificado via satélite, que é encaminhado para um computador. Um servidor central, na sede da empresa, está conectado com os servidores das salas de cinema digital, que assim conseguem exibir o filme.

Agencia Estado,

15 de janeiro de 2004 | 10h11

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