Cinema sintoniza Londres e LA

O 46.º Festival de Cinema de Londres começou ontem com a presença de uma das atrizes francesas mais promissoras da atualidade, Audrey Tatou, para o lançamento e seu novo filme Dirty Pretty Things, do diretor Stephen Frears. Ao mesmo tempo em que o festival londrino era inaugurado, acontecia em Los Angeles a pré-estréia de um dos principais destaques do festival, o filme 8 Mile, que tem o rapper Eminem como astro. Eminem, que vendeu cerca de 30 milhões de cópias de seu último álbum no mundo todo, e despontou como o cantor branco que se destacou no gênero de música dominado pelos negros, vive um personagem diferente dele mesmo no filme de Curtis Hanson. 8 Mile mostra o mundo do hip hop e o medo do artista de fracassar na carreira musical. O filme tem Kim Bassinger de mãe de Eminem. Marshall Mathers III, nome verdadeiro do rapper estava acompanhado da mulher, Pamela Anderson , na sessão para convidados de seu filme, em Los Angeles.Em Londres, o destaque do primeiro dia do festival ficou com Audrey Tatou, de 24 anos, a estrela de Amelie, que cativou a platéia no cine Odeon. No filme de Frears que recebeu boas críticas no Festival de Veneza, Audreuy vive uma refugiada turca.Outras estrelas que participaram da noite de abertura do festival foram o norte-americano Woody Harrelson, que atua na peça On Average Day, em cartaz em Londres, e o inglês Joseph Fiennes.Brasil vai ao Festival de Londres - O melhor das mais recentes produções cinematográficas de várias partes do mundo (incluindo duas do Brasil) estará reunido em Londres. São mais de 200 novos filmes, entre curtas e documentários, grandes produções e pérolas do alternativo. Como sempre, o miolo da cidade de Londres, o chamado West End, com sua concentração de cinemas, recebe os cinéfilos de carteirinha. Os ingressos voam e, semanas antes de sua abertura, várias sessões do LFF (London Film Festival) já estão esgotadas, como das duas exibições de Cidade de Deus, de Fernando Meirelles. Há muitos bons motivos que justificam a fila nas bilheterias: a ascensão e queda de Robert Evans, um dos grandes manda-chuvas de Hollywood em The Kid Stays in the Picture; e o mais novo filme de Paul Thomas Anderson que, depois de dirigir os épicos Boogie Nights e Magnólia, surpreende com uma comédia, Punch-Drunk Love. Há também Michael Caine que, após uma década de escolhas irregulares de roteiros, mostra que está em sua melhor forma no suspense The Quiet American, inspirado em livro de Graham Green. Alguns dos filmes já chegam ao festival com endosso de competições prestigiadas, como O Pianista, que traz o olhar de Roman Polansky sobre o Holocausto e lhe rendeu a Palma de Ouro no Festival de Cannes deste ano. O festival organiza sessão em que o público não sabe qual será o filme exibido. Compra-se o ingresso para entrar e reza-se para que seja "aquela´ produção desejada. Na Mostra de Cinema Mundial (World Cinema) e French Wave (Onda Francesa), o público pode conferir as produções de países que não têm o inglês como idioma nativo. Aos poucos, as legendas não espantam tanto o cinéfilo britânico como costumava fazer e filmes como Amores Perros e E Tua Mãe Também tornaram-se sucesso de público aqui. Entre os destaques de filmes estrangeiros, este ano estão Le Fils, seqüência de Rosetta, dos irmãos belga Jean-Pierre e Luc Dardenne. Outra produção badalada é a do Ingmar Bergman da hora, o sueco Lukas Moodysson. Lilya 4-Ever passa-se na ex-URSS e conta o ritual de passagem de um adolescente que, abandonado pela mãe, tem de se virar sozinho numa sociedade que não quer saber dele. O Brasil apresenta dois filmes. As Três Marias, de Aluízio Abranches, e Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, que está sendo citado como o grande exemplo da ressurreição do cinema latino-americano. Segundo o jornal vespertino londrino Evening Standard, o diretor Meirelles "faz Guy Ritchie parecer James Ivory". Com os ingressos para as duas sessões no festival esgotados há semanas, resta aos britânicos esperar até janeiro para assistir The Mean Streets of Rio, como o filme será batizado ao entrar em circuito na Grã-Bretanha. De olho nesse crescente interesse, o festival dedica mais espaço aos filmes estrangeiros e, em especial, a um debate com diretores estrangeiros, como Bertrand Tavernier (Laissez-Passer), Mike Leigh (Segredos e Mentiras, Agora ou nunca) e Stephen Frears (Dirty Little Thing), falando de temas pertencentes a diferentes cinematografias e como eles contribuíram para dar forma ao cinema mundial, com suas diversas vozes e sotaques. Do chamado Novo Cinema Francês à atual safra do cinema latino-americano, o seminário 40 anos de Cinema Mundial, patrocinado pela revista de cinema Variety, que celebra quatro décadas em circulação. Meirelles participa do painel de diretores.

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